02/08/2026

Lula admite violação da lei eleitoral e prevê multa ao ter candidatura homologada

Em discurso na convenção nacional do PT, presidente reconheceu ter pedido votos antes do prazo legal

Por Fhagner Soares, ContilNet
Petista minimizou liderança sobre Flávio Bolsonaro e voltou a criticar o Fundo Partidário/ Foto: Reprodução

Durante discurso na convenção nacional do PT realizada no Expo Center Norte, em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) admitiu neste domingo (2/8) ter violado a legislação eleitoral ao fazer um pedido explícito de voto durante um evento político no dia anterior. A manifestação ocorreu no ato que oficializou sua candidatura à reeleição à Presidência da República.

Pela legislação eleitoral vigente, a propaganda de campanha e o pedido explícito de votos só são permitidos a partir do dia 16 de agosto. Lula referia-se a uma declaração feita no sábado (1º/8), na convenção da federação partidária na Bahia, quando solicitou ao público que o elegesse para um quarto mandato.

“Eu estou aqui hoje e eu não posso falar que sou candidato. Eu falei na Bahia, e eu vou ser multado. Eu falei na Bahia, pedi voto, mas eu não deveria ter pedido. Você só pode pedir depois do dia 15”, declarou o mandatário.

No mesmo pronunciamento, Lula minimizou o impacto das levantamentos de intenção de voto que o colocam à frente de seu principal adversário na disputa, Flávio Bolsonaro (PL). O petista pediu que a militância não se deslumbre com os números atuais: “A guerra não começou, o campeonato não começou, ele vai começar agora.”

O chefe do Executivo voltou a defender uma postura mais rígida frente ao Congresso Nacional em um eventual novo mandato, prevendo disputas em torno do controle das emendas parlamentares e criticando a dependência das legendas em relação ao Fundo Partidário, que segundo ele “está levando os partidos à promiscuidade”.

Em aceno ao eleitorado feminino, o candidato à reeleição condenou de forma categórica a violência de gênero. “Quem bate em mulher não vota em mim”, afirmou Lula, sustentando que o foco de sua campanha será o legado dos seus governos anteriores.

A formalização da candidatura ocorreu por volta das 10h, sob a condução do presidente nacional do PT, Edinho Silva. A composição repete a chapa vitoriosa de 2022, trazendo novamente o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), cuja indicação havia sido referendada pela convenção nacional de seu partido em Brasília.

No evento, Alckmin celebrou a continuidade da parceria com Lula, referindo-se bem-humoradamente à aliança como “Lula com chuchu”. Em sua fala, o vice-presidente defendeu o sistema eleitoral brasileiro e criticou a postura da oposição em relação às urnas eletrônicas.

O ato contou ainda com intervenções de lideranças governistas. O candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), elogiou o prestígio internacional do presidente. Já a candidata ao Senado por São Paulo, Simone Tebet (PSB), direcionou duras críticas ao adversário Flávio Bolsonaro, classificando o grupo de oposição como uma vertente antidemocrática.

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensão de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteúdo de qualidade gratuitamente.