02/08/2026

Lula defende embate com o Congresso sobre emendas e prega corte no fundo partidário

Petista teve candidatura homologada aos 80 anos em convenção nacional realizada em São Paulo

Por Fhagner Soares, ContilNet
Mandatário admitiu ter feito pedido antecipado de voto na Bahia e disse esperar sanção da Justiça/ Foto: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (2/8) que, em caso de reeleição, pretende travar uma disputa política com o Congresso Nacional para rever a distribuição de emendas parlamentares e alterar o modelo de financiamento das agremiações políticas. As declarações foram dadas durante a convenção nacional do PT, em São Paulo, que homologou oficialmente a sua candidatura à Presidência da República.

Aos 80 anos, o petista disputará o Palácio do Planalto pela sétima vez, tendo novamente o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) na chapa. A coligação reúne a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), PSB, PDT, PSol e Rede.

Em seu discurso diante de militantes e aliados, o mandatário argumentou que o Poder Executivo perdeu atribuições nos últimos anos, incluindo autonomia em indicações para agências reguladoras e tribunais superiores, o que comprometeria a governabilidade.

“Minha quarta Presidência é para mudar muita coisa neste país. Vai ter briga com emenda parlamentar e com o papel que hoje tem o Legislativo”, declarou. Lula acrescentou que deixará de lado o perfil conciliador de gestões passadas em favor de uma postura mais assertiva: “Não posso permitir que o presidente da República vá perdendo seus direitos. Vai ter de ter uma briga democrática para fazer uma mudança neste país.”

O presidente também direcionou críticas ao atual modelo de financiamento público de campanhas via fundo partidário, afirmando que o formato gera distorções no sistema político e aproxima as legendas da “promiscuidade”. O petista disse preferir a época em que as siglas se sustentavam por meio da contribuição direta de filiados e venda de materiais.

Durante o ato, Lula admitiu ter realizado pedido explícito de voto antes do prazo permitido pela legislação eleitoral — a propaganda oficial só começa em 16 de agosto. O caso ocorreu no sábado (1º/8), em evento político na Bahia, onde pediu diretamente o apoio dos eleitores para um quarto mandato.

“Eu falei na Bahia, e eu vou ser multado. Eu falei na Bahia, pedi voto, mas eu não deveria ter pedido. Você só pode pedir depois do dia 15”, reconheceu o mandatário, antecipando uma possível contestação na Justiça Eleitoral.

Em aceno ao eleitorado feminino, o petista reforçou o combate à violência de gênero como pauta central de sua plataforma, declarando que “quem bate em mulher não vota em mim” e destacando a necessidade de respeito aos direitos das mulheres na sociedade.

Ao abordar as pesquisas de intenção de voto divulgadas recentemente, Lula pediu calma à militância e sustentou que o cenário eleitoral só começará a se definir de forma efetiva com o início oficial da campanha.

O evento em São Paulo reuniu as principais lideranças da base governista. Entre os presentes, o ex-ministro Fernando Haddad (PT) destacou a inserção internacional do presidente, enquanto Simone Tebet (PSB), candidata ao Senado por São Paulo, discursou com críticas ao grupo político de oposição.

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