Lula critica mentiras no celular e diz que IA ‘não presta para eleição’

Em entrega de residencial de R$ 92 milhões no Amazonas, presidente afirma que o povo pobre é tratado como invisível por opositores

Por Fhagner Soares, ContilNet 26/05/2026 às 13:18 Atualizado: há 5 minutos
Petista elogia uso de inteligência artificial na saúde e na ciência, mas alerta para o risco de fraudes e notícias falsas nas urnas/ Foto: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (26), em Manaus (AM), que o Brasil ostentaria indicadores sociais e econômicos superiores caso parcelas do eleitorado não tivessem sido induzidas ao erro por desinformação propagada em períodos eleitorais. Em tom de alerta político, o mandatário criticou adversários sem identificação com demandas populares e exortou os eleitores a adotarem critérios rígidos de checagem diante do avanço do uso de ferramentas digitais e de inteligência artificial.

O pronunciamento ocorreu durante a cerimônia oficial de entrega de 576 unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) na capital amazonense. O empreendimento, batizado de Residencial Morar Melhor e situado no bairro Tarumã-Açu, recebeu um aporte financeiro orçado em R$ 92,16 milhões, com estimativa de abrigar e beneficiar diretamente cerca de 2 mil moradores de baixa renda.

“O Brasil é um país que já poderia estar muito melhor. Não fica porque, de vez em quando, a gente elege alguém que não tem nenhum compromisso com nada. São pessoas que exercem o mandato de presidente, pessoas que nunca conversaram com vocês, pessoas que nunca viram vocês e que tampouco ligam para o povo pobre”, discursou o chefe do Executivo.

Em sua fala para o público presente, composto majoritariamente por famílias cadastradas nos programas sociais de habitação, Lula sustentou que as populações periféricas e de menor poder aquisitivo são tratadas de forma “invisível” pela rotina de parte da classe política tradicional. Segundo a tese apresentada pelo presidente, esse segmento social ganha relevância conjuntural apenas nos meses que antecedem a abertura das urnas.

A partir desse diagnóstico, o presidente cobrou que os eleitores demonstrem “maturidade e seriedade” para separar promessas reais de boatos fabricados ao definirem o voto para cargos municipais, estaduais e federais. O foco do discurso presidencial concentrou-se nos impactos comportamentais provocados pelo consumo ininterrupto de redes sociais e aplicativos de mensagens instantâneas.

“É importante que vocês saibam que, na hora de decidir o destino desse país, dessa cidade, desse estado, vocês têm que se comportar com muita maturidade e com muita seriedade. Não dá para a gente continuar acreditando nas mentiras contadas 24 horas por dia no celular”, argumentou.

Ao mapear os desafios para a integridade dos futuros pleitos democráticos, Lula fez uma distinção técnica a respeito do uso de novas tecnologias de processamento de dados. Embora tenha reconhecido o valor científico dos algoritmos de automação avançada para o desenvolvimento de setores vitais, o presidente condenou o seu emprego como arma de manipulação de opinião pública.

“Agora inventaram uma coisa chamada Inteligência Artificial, que é muito boa para a saúde, para a educação, para a ciência e a tecnologia. É muito boa para muita coisa. Mas eu acho que não presta para eleição, porque a inteligência artificial pode contar muita mentira através do telefone celular. Então vamos ter muita responsabilidade, porque esse país precisa de gente séria”, complementou.

A agenda presidencial na Região Norte faz parte de um esforço do Palácio do Planalto para intensificar as entregas de infraestrutura urbana e reforçar palanques voltados à consolidação de programas estruturantes de distribuição de renda e habitação popular.

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