Conteúdos extraídos do telefone celular do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, revelam uma rotina de apelos diretos ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no período que antecedeu a intervenção na instituição financeira e a decretação de sua prisão preventiva.
As conversas registram a tentativa do empresário de obter informações privilegiadas, conter o avanço de decisões cautelares e buscar intermediação junto ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Em uma das mensagens enviadas em 17 de novembro de 2025, Vorcaro questionou o magistrado sobre a possibilidade de adiar operações ostensivas: “Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível. Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”.
O objetivo do banqueiro era protelar as medidas policiais para concluir a venda dos ativos do Banco Master a um grupo formado pela Fictor Holding Financeira e fundos dos Emirados Árabes. A negociação, contudo, foi interrompida pelo deflagrar da Operação Compliance Zero.
A apuração da Polícia Federal indica que Vorcaro montou uma estrutura para obter informações sigilosas originadas do Judiciário e do Banco Central. Segundo o inquérito, o empresário tomou conhecimento da ordem de prisão expedida pela 10ª Vara Federal do Distrito Federal antes de sua execução.
Em 15 de novembro de 2025, dois dias antes da operação, o banqueiro questionou Moraes sobre a conveniência de deixar o país: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”.
A prisão do empresário ocorreu no dia 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos (SP). Os policiais federais efetuaram o bote no momento em que Vorcaro se preparava para embarcar em um jato executivo com destino a Malta — rota que a investigação apontou como tentativa de fuga para evitar o cumprimento do mandado judicial.
