Apesar de o governo ter anunciado que trabalhava com a expectativa de que o pagamento da nova rodada do auxĂlio emergencial começasse ainda em março, os trâmites burocráticos envolvendo o benefĂcio devem acabar transferindo o inĂcio dos pagamentos para abril.
Ă€ coluna, o ministĂ©rio da Cidadania admitiu essa possibilidade, mas disse que ainda nĂŁo Ă© possĂvel cravar uma data certa. Segundo a pasta, o texto da Medida ProvisĂłria (MP), que vai permitir a concessĂŁo do benefĂcio, ainda está em elaboração e deve ser concluĂdo atĂ© a prĂłxima quarta-feira (17).
Ontem, a Caixa anunciou o inĂcio da atualização cadastral no Caixa Tem, aplicativo que Ă© usado para os pagamentos. Conforme o calendário divulgado pelo banco, os usuários terĂŁo atĂ© 31 de janeiro para completarem os dados necessários.
A medida provisĂłria detalhará os critĂ©rios de quem pode receber o benefĂcio e tambĂ©m o valor. SerĂŁo quatro parcelas entre R$ 175 a R$ 375, com um valor mĂ©dio de R$ 250. As diferenciações serĂŁo feitas, por exemplo, para pessoas que moram sozinhas ou mĂŁes solos.
O texto da PEC Emergencial aprovado nesta semana no Congresso liberou R$ 44 bilhões fora do teto de gastos para a recriação do auxĂlio emergencial. A expectativa do governo Ă© conseguir atender cerca de 46 milhões de pessoas com esse valor.
Hora do palanque
A nova rodada do auxĂlio foi articulada pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, em conjunto com as lideranças no Congresso. A ordem era evitar atritos como os da Ă©poca da gestĂŁo Rodrigo Maia, em que a paternidade da medida chegou a ser disputada.
O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), participaram ativamente das negociações e conseguiram entregar para o governo a aprovação da medida sem grandes danos fiscais.
Passada essa fase, agora o interesse de todos Ă© lucrar politicamente com a medida. A primeira fase da rodada do auxĂlio, no ano passado, foi responsável por um aumento de popularidade do presidente, principalmente na regiĂŁo Nordeste no paĂs.
Pacheco já avisou que promulgará a PEC na prĂłxima segunda-feira (15). A princĂpio o evento será apenas virtual, com poucos parlamentares no Plenário. O presidente Bolsonaro pode participar do ato. Mesmo com a pandemia do coronavĂrus em seu pior momento, o presidente tem usado da estratĂ©gia de ir pessoalmente ao Congresso para entregar propostas e demonstrar alinhamento com os parlamentares.
Se no Senado a tendência é que a cerimônia seja virtual para evitar aglomerações, no caso da assinatura da MP, Bolsonaro já mandou preparar um evento no Palácio do Planalto para anunciar oficialmente o começo dos pagamentos.


