A disputa para a prefeitura de São Paulo terá segundo turno entre os candidatos Ricardo Nunes (MDB) e Guilherme Boulos (Psol). Com 97,5% das urnas apuradas, o atual prefeito tinha 29,53% dos votos válidos. O candidato do Psol ficou em segundo lugar com 29,02% da preferência dos eleitores.
O ex-coach Pablo Marçal deixou a disputa para o segundo turno indefinida na maior parte da apuração, mas, com 28,14% dos votos válidos, não avançou na corrida para a prefeitura de São Paulo.

Ricardo Nunes e Guilherme Boulos estão confirmados no segundo turno da eleições para a prefeitura de São Paulo/Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil e José Eduardo Bernardes/BdF
Antes da totalização dos votos, mas com o cenário eleitoral já definido, Tabata Amaral (PSB) tinha 9,93%; José Luiz Datena (PSDB), 1,83%; Marina Helena (Novo), 1,38%; Ricardo Senese (UP), 0,09%; Altino Prazeres (PSTU), 0,05%; e João Pimenta (PCO), 0,02%;
Os dois candidatos que seguem para o segundo turno buscarão agora o apoio das legendas dos derrotados. Além da Federação Psol/Rede, a coligação de Boulos reúne a Federação Brasil da Esperança PT/PCdoB/PV e o PDT. Nunes aglutina, além do próprio partido, PP, PL, PSD, Republicanos, Solidariedade, Podemos, Avante, PRD, Mobiliza e União.
Maior exposição
No segundo turno em SĂŁo Paulo, o eleitorado terá que escolher entre projetos polĂticos antagĂ´nicos: Nunes alinhado Ă extrema-direita de Jair Bolsonaro (PL) e Boulos Ă esquerda, com apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. AtĂ© 27 de outubro, quando os eleitores irĂŁo novamente Ă s urnas, os candidatos terĂŁo tempo igual de exposição em emissoras de rádio e televisĂŁo e tambĂ©m terĂŁo oportunidade de confrontar ideias e propostas diretamente.
O psolista possui mais experiência nesse enfrentamento eleitoral para o Executivo. Apesar de não ter ganhado em 2020, na disputa com Bruno Covas (PSDB), Boulos acumula experiências em campanhas majoritárias, inclusive à Presidência da República em 2018. Na campanha para prefeitura, em 2020, Boulos alcançou pouco mais de 40% dos votos válidos no segundo turno. Em 2022, para deputado federal, ele foi o mais votado no estado, com 1 milhão de votos.
Já Nunes nunca disputou uma eleição para o Executivo como cabeça de chapa. Ele era vice-prefeito de SĂŁo Paulo e assumiu o cargo apĂłs cinco meses do inĂcio do mandato de Covas, que morreu, em 2021 em decorrĂŞncia de um câncer no sistema digestivo. De 2012 a 2020, o emedebista ocupou uma vaga na Câmara de Vereadores. Nunes Ă© dono de uma empresa de dedetização e controle de pragas, a Nikkey.
Durante o primeiro turno, Nunes esteve envolvido em discussões pĂşblicas acaloradas com Pablo Marçal, especialmente quando era questionado sobre o inquĂ©rito chamado de “máfia das creches”, que investiga desvios em contratos com Associação Amigo da Criança e do Adolescente (Acria). A suspeita da PolĂcia Federal Ă© que Nunes tenha recebido repasses ilegais por meio de uma empresa “noteira” – que emite notas sem prestar serviços – que cuidava da contabilidade de algumas organizações sociais conveniadas pela prefeitura para administrar creches. O tema deve se manter no debate eleitoral.
Guilherme Boulos, que é professor de formação e integra a coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), exerce mandato como deputado federal. Ele terá que demonstrar ao paulistano a capacidade de gerir a maior metrópole do Brasil, que além de ter o maior orçamento, tem desafios que refletem o seu tamanho.


