Em 2005, uma professora de ensino superior no Rio Grande do Norte foi surpreendida ao ter R$ 4.650 retirados de sua conta bancária em uma sequência de transações online que ela nunca realizou.
Sem saber como aquilo poderia ter acontecido, a docente escreveu uma carta Ă mĂŁo e a entregou pessoalmente na Caixa EconĂ´mica Federal, solicitando o ressarcimento e providĂŞncias cabĂveis.
O que a educadora, hoje com 68 anos, não sabia na época era que seu dinheiro havia sido roubado por uma quadrilha especializada em fraudes bancárias, operando a partir de Goiânia, a mais de 2.600 km de distância.
Entre os presos por envolvimento com o esquema estava Pablo Marçal, atualmente candidato Ă prefeitura de SĂŁo Paulo pelo PRTB. A reportagem foi revelada pela Revista PiauĂ.
“Eu nĂŁo fazia ideia de quem tinha feito isso”, contou A.C.F. Ă Â PiauĂ, duas dĂ©cadas depois. Segundo a professora, o banco alertou sobre as transações suspeitas que ocorreram durante a madrugada, retirando quase todo o saldo de sua conta. “Pegaram quase todo meu salário”, lamentou.
Apesar do transtorno psicológico e financeiro causado pela fraude, o banco restituiu o valor dez dias depois. A educadora nunca acompanhou os desdobramentos do caso e só recentemente tomou conhecimento do envolvimento de Marçal no esquema.
Uma rede criminosa sofisticada
A quadrilha que desviou o dinheiro de A.C.F. operava um esquema de roubo de dados bancários por meio de e-mails infectados com programas maliciosos. Ao capturar senhas e informações dos correntistas, os criminosos transferiam o dinheiro para contas associadas ao grupo.
A investigação da PolĂcia Federal (PF) revelou que o nĂşcleo da operação estava localizado em Aparecida de Goiânia, onde Jonatas Rodrigues Borges, um dos principais envolvidos, foi preso. O material apreendido pela PF incluĂa uma lista de e-mails e nĂşmeros de contas bancárias que estavam sendo usadas para transferir os valores roubados.
Pablo Marçal, segundo os autos, foi gravado em interceptações telefônicas enquanto discutia detalhes do esquema com outros membros da quadrilha. Apesar de ter alegado na época que apenas prestava serviços de informática, ele foi condenado em 2010 a quatro anos e cinco meses de prisão por furto qualificado.
A ascensão de Marçal
Apesar da condenação, Marçal conseguiu manter sua carreira em ascensão, tornando-se um influente coach e, agora, candidato à prefeitura de São Paulo. Quando questionado pela piauà sobre seu envolvimento com a quadrilha, ele não respondeu, reafirmando apenas que “não há condenação”.
O processo que culminou em sua condenação foi extinto em 2018, após a prescrição, devido à demora no julgamento em segunda instância. Hoje, Marçal evita comentar o caso, embora seja constantemente questionado sobre seu passado.

