Instituto Conhecer Brasil é suspeito de desviar pelo menos R$ 26 milhões em contrato de wi-fi de R$ 157 milhões com a gestão do prefeito Ricardo Nunes.
Uma grande operação deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo na manhã desta segunda-feira (01/06) colocou sob os refletores o Instituto Conhecer Brasil (ICB).
A organização da sociedade civil é suspeita de fraudar e desviar recursos de um contrato milionário firmado com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de pontos de internet wi-fi gratuito em regiões periféricas da capital paulista.
A ONG pertence à empresária Karina Ferreira da Gama, que também é sócia majoritária da produtora de cinema Go UP empresa responsável pelo desenvolvimento do filme Dark Horse (Azarão), que retrata a trajetória política e pessoal do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Agentes cumprem sete mandados de busca e apreensão na sede da Secretaria Municipal de Tecnologia e Inovação e em endereços vinculados à empresária.
Indícios de superfaturamento e o uso de notas fiscais falsas
A investigação, conduzida pela 2.ª Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública (DICCA), aponta que o contrato original de R$ 108 milhões saltou para R$ 157,1 milhões por meio de termos aditivos assinados pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB).
O inquérito policial aponta que a prefeitura antecipou pagamentos substanciais sem que as metas fossem cumpridas: dos 5 mil pontos de internet previstos para entrega, apenas 3,2 mil foram de fato instalados.
De acordo com as informações obtidas e divulgadas pelo portal G1, as auditorias iniciais apontam um cenário grave de direcionamento no chamamento público.
A apuração jornalística revelou que o Instituto Conhecer Brasil apresentou cerca de R$ 4 milhões em notas fiscais frias ou canceladas no sistema do próprio município para tentar justificar despesas fictícias do projeto de conectividade.
A Polícia Civil destaca ainda uma discrepância brutal nos valores cobrados pela ONG. Enquanto a Prodam, empresa pública municipal de tecnologia, realizava a implantação de pontos de internet similares por uma taxa mensal de R$ 306,00 por ponto, a gestão municipal concordou em pagar o valor fixo de R$ 1.800,00 mensais por cada ponto gerido pelo instituto de Karina Gama.
Manifestações oficiais das partes envolvidas
Em comunicado enviado por mensagens de texto, o prefeito Ricardo Nunes assegurou que a administração municipal está cooperando ativamente com os policiais e que, embora auditorias internas preliminares não tenham acusado falhas estruturais, medidas severas serão tomadas caso as fraudes se confirmem. A assessoria da prefeitura reforçou que os dados e documentos solicitados pelas equipes de busca já constavam no sistema público de prestação de contas.
A empresária Karina Gama negou irregularidades fiscais intencionais em depoimentos anteriores, alegando que eventuais problemas com as faturas de fornecedores terceirizados estavam sendo devidamente corrigidos nos relatórios bimestrais. O caso segue sob análise rigorosa também na esfera criminal e do patrimônio público do Ministério Público de São Paulo.
Por que a ONG do filme de Bolsonaro está sendo investigada?
O Instituto Conhecer Brasil, que pertence à produtora do filme sobre Jair Bolsonaro, é investigado por suspeita de desvio de verbas públicas e uso de notas falsas em um contrato de wi-fi com a prefeitura de São Paulo.
Qual o valor do contrato entre a Prefeitura de SP e o Instituto Conhecer Brasil?
O contrato foi firmado inicialmente por R$ 108 milhões anuais, mas atingiu o montante de R$ 157,1 milhões após a assinatura de termos aditivos pela gestão do prefeito Ricardo Nunes.
O que diz a prefeitura de São Paulo sobre a operação policial?
A gestão municipal informou que está colaborando integralmente com as investigações e fornecendo documentos, ressaltando que o programa de internet nas periferias continua funcionando.
