Antes de pedir um voto, Paulina Coração aprendeu a pedir confiança. Antes de pensar em uma cadeira na Assembleia Legislativa, aprendeu a enfrentar o sol, a chuva, o cansaço e a dureza de cada dia de trabalho. Foram décadas caminhando, carregando sacolas, atendendo clientes, ouvindo histórias e lutando para conquistar cada centavo.
É dessa trajetória, construída longe dos gabinetes e perto das pessoas, que nasce a candidatura de Paulinha, como é conhecida. Aos 50 anos, ela decidiu transformar quase três décadas de experiência como vendedora em uma tentativa de chegar à Assembleia Legislativa e fazer da própria história uma ponte com quem também vive do trabalho.
“Eu conheço o peso da sacola, o calo nos pés, o cansaço, as varizes nas pernas e o valor de cada centavo conquistado”, afirma Paulinha.
A frase não é apenas uma descrição de sua rotina. É também a síntese da identidade que ela pretende apresentar ao eleitor: a de uma mulher que afirma conhecer as dificuldades da população porque passou boa parte da vida enfrentando as mesmas batalhas.
Desde 1999, Paulinha trabalha como vendedora. Foram milhares de atendimentos, conversas e histórias compartilhadas atrás de um balcão. Agora, a rotina mudou de cenário, mas não de essência. Ela continua nas ruas, só que em busca de votos.
Pé no chão, literalmente
Nos dias de campanha, Paulinha percorre semáforos, bairros, comunidades e a zona rural. Enfrenta sol e chuva, caminha, conversa e procura transformar cada encontro em uma oportunidade de apresentar suas propostas.
É uma campanha de contato direto, construída no chamado “olho no olho”.
“Por tantos anos não vivi trancada em gabinetes. Vivi no olho no olho, balcão por balcão, batalhando o pão de cada dia como vendedora”, diz.
Para ela, a experiência de vender também ensinou algo que pretende levar para a política: ouvir antes de falar, compreender antes de prometer e persistir diante das dificuldades.
Paulinha não esconde que sua trajetória foi construída com esforço. Diz que não vem de uma família abastada e que não pretende apresentar ao eleitor a promessa de soluções impossíveis. Sua aposta está justamente na experiência de quem precisou trabalhar para conquistar espaço.
Uma nova missão
Além da defesa de políticas voltadas aos trabalhadores e às pessoas que enfrentam dificuldades no cotidiano, a causa animal ocupa lugar de destaque entre as bandeiras de Paulinha.
Ela defende ações públicas capazes de enfrentar o abandono e a presença de animais nas ruas, mas com uma abordagem que combine responsabilidade, dignidade e cuidado.
A proposta é unir duas preocupações que, para ela, caminham juntas: cuidar das pessoas e cuidar dos animais.
Ao entrar na disputa, Paulinha leva consigo uma trajetória que começou atrás de um balcão e agora tenta ganhar espaço na política.
Ela quer transformar os calos dos anos de trabalho, as histórias que ouviu e a experiência adquirida nas ruas em voz dentro da Assembleia.
“É a força do trabalho, a verdade da rua e o coração de uma mulher que sabe de onde veio, sabe quem precisa defender e, sobretudo, sabe aonde quer chegar”, resume.
