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PF cumpre mandados contra Jaques Wagner e ex-sócio do Banco Master

Por Fhagner Soares, ContilNet 18/06/2026 às 05:56
PF cumpre mandados contra Jaques Wagner e ex-sócio do Banco Master

Apuração mira repasses de R$ 11 milhões a empresa de nora do líder do governo e ex-sócio de Daniel Vorcaro/ Foto: Reprodução

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (18), a nona fase da Operação Compliance Zero, cujo objetivo é desarticular um suposto esquema de fraudes financeiras, desvios e movimentações ilícitas vinculadas ao Banco Master. Entre os alvos principais da ofensiva cumprem-se ordens judiciais contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), atual líder do governo de Luiz Inácio Lula da Silva no Senado Federal, e o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), o contingente de agentes federais cumpre 18 mandados de busca e apreensão. As diligências concentram-se em endereços comerciais e residenciais localizados nos estados da Bahia, de São Paulo e no Distrito Federal.

Além das varreduras em busca de provas documentais e mídias eletrônicas, o STF referendou a imposição de um pacote de medidas cautelares diversas da prisão contra os investigados. O rol de restrições inclui a ativação de monitoramento por tornozeleira eletrônica, a suspensão de passaportes e a proibição expressa de qualquer modalidade de contato entre os suspeitos. A Polícia Federal aponta que a teia de fatos sob análise pode configurar a prática dos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

A linha de investigação que atinge o líder governista ganhou tração a partir de auditorias contábeis. Em março deste ano, revelou-se que a empresa BK Financeira — controlada por Bonnie de Bonilha, nora de Jaques Wagner — recebeu um fluxo financeiro de ao menos R$ 11 milhões oriundos dos cofres do Banco Master. Os repasses tiveram início no ano de 2021.

Bonnie de Bonilha é casada com Eduardo Sodré, que exerce o cargo de secretário de Meio Ambiente do Estado da Bahia e é enteado do parlamentar petista. Formalmente, a BK Financeira foi contratada pelo grupo de Daniel Vorcaro sob a justificativa técnica de prospectar e intermediar operações de crédito consignado no mercado regional.

Em manifestações anteriores colhidas sobre o tema, o senador Jaques Wagner rechaçou qualquer vinculação com os contratos firmados. O parlamentar asseverou que jamais participou de intermediações, reuniões ou negociações de cunho privado em benefício da empresa de sua nora, complementando que cabe de forma exclusiva aos gestores legais da firma prestar os esclarecimentos necessários sobre as atividades de consultoria prestadas.

Outro personagem central da nova fase ostenta um histórico recorrente de problemas com a Justiça. O empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro nas operações do Banco Master, já havia sido preso em caráter preventivo durante a deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero, ocorrida em novembro de 2025.

Lima foi alvo de pesadas sanções regulatórias aplicadas pelo Banco Central do Brasil, que decretou a liquidação extrajudicial da distribuidora de títulos e valores mobiliários (DTVM) e do Banco Pleno, estruturas controladas pelo grupo. No âmbito civil, o empresário responde a um processo de cobrança judicial que atinge a cifra de R$ 247 milhões perante o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP). Ele é acusado em diferentes petições de estruturar redes de blindagem patrimonial por meio de empresas de fachada criadas para ocultar ativos imobiliários de alto padrão.

A força-tarefa da Polícia Federal e do Ministério Público Federal estima que a extensão total dos prejuízos macroeconômicos causados pelas operações de crédito irregulares, fraudes e rombos contábeis estruturados no ecossistema do Banco Master possa alcançar o montante de R$ 60 bilhões.

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