Na tentativa de dar uma resposta polĂtica e de mostrar que o governo nĂŁo está inerte no meio da segunda onda da pandemia do novo coronavĂrus, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou, nesta quinta-feira (11/3), que o governo retomará mais uma medida para estimular a atividade produtiva: o programa que permitiu Ă s empresas cortarem salários e jornada de seus empregados e suspenderem contratos de trabalho. Segundo ele, parte do benefĂcio de complementação de renda paga pelo governo aos trabalhadores nessas condições será honrado como antecipação do seguro-desemprego.
O BenefĂcio Emergencial (BEm), programa que permitiu a suspensĂŁo dos contratos e a redução dos salários no ano passado, ajudou a preservar 11 milhões de empregos, disse Guedes. Ele explicou que haverá a criação de um “seguro-emprego”, pelo qual, em vez de dar R$ 1 mil, por quatro meses, por meio do seguro-desemprego para as pessoas que ficaram desempregadas, o governo poderá dar R$ 500 para manter o emprego por atĂ© 11 meses.
Essa medida reflete o temor do governo com a disparada do desemprego. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e EstatĂstica (IBGE) apontam que 19 estados e o Distrito Federal estĂŁo com recorde de desocupação. E as perspectivas sĂŁo de que o quadro piore com as novas medidas de restrições impostas por várias unidades da Federação para conter a disseminação da covid-19. SĂŁo Paulo anunciou toque de recolher das 20h Ă s 5h da manhĂŁ. No DF, os setores nĂŁo essenciais estĂŁo fechados e há restrições para circulação Ă noite.
Governo tem pressa
TĂ©cnicos do MinistĂ©rio da Economia afirma que as novas medidas estĂŁo sendo fechadas, pois ainda falta definir fontes de financiamento. Mas o governo tem pressa. A estimativa Ă© de que o novo programa emergencial de manutenção de emprego e renda mantenha em 25%, 50% e 70% os Ăndices de redução de jornada e salário, alĂ©m da suspensĂŁo de contrato. Os tĂ©cnicos informam que a mudança mais substancial será na forma de pagamento do benefĂcio.
Será mantida a estabilidade temporária dos trabalhadores que aderirem ao programa por igual perĂodo (atĂ© quatro meses). Eles atĂ© poderĂŁo ser demitidos, mas receberĂŁo uma indenização adicional por isso. Nos casos de dispensa, eles continuarĂŁo a receber o seguro-desemprego, embora o nĂşmero final de parcelas fique reduzido pela antecipação.
Hoje, o seguro-desemprego paga de trĂŞs a cinco prestações, dependendo de quanto tempo os trabalhadores estĂŁo na ativa. Pelos estudos do governo, Ă© dessas parcelas que serĂŁo descontados os valores antecipados por meio do programa emergencial. Assim, contabilizadas os quatro meses de acordo, os quatro meses de garantia provisĂłria e o perĂodo do seguro-desemprego normal, o trabalhador poderá ter uma “proteção” de 9 meses a 11 meses.


