“PT caminha para fiasco no Acre”, diz Correio Braziliense que revela destempero de petistas

Por Marina, ContilNet 30/09/2018 às 08:55
Tião e Jorge Viana, principais figuras do PT no Acre

Em matéria assinada pelo jornalista Paulo Silva Pinto e publicada em sua edição deste sábado (29), o jornal Correio Braziliense diz que o PT corre o risco de sofrer no Acre a derrota mais acachapante nestas eleições em todos os níveis: presidente, governo local e Senado. O informativo lembra que há exatos 20 anos iniciou-se a hegemonia do partido no estado, que deve acabar no dia 7 de outubro próximo

.A matéria do Correio Braziliense se baseia nas pesquisas de intenções de votos realizadas até aqui pelos diferentes institutos, que são unânimes em apontar o progressista Gladson Cameli como preferido pelos eleitores para assumir o governo do estado em 2019. Seu principal adversário é o ex-prefeito de Rio Branco, Marcus Alexandre.

Ainda segundo o jornal candango, o senador petista Jorge Viana dificilmente será reeleito. “Conhecido pela capacidade de diálogo com políticos de outras legendas e pela moderação no discurso, ele parece ter perdido ambos os atributos: no primeiro caso, pelo isolamento petista depois do impeachment da presidente Dilma Rousseff, e, no segundo, exatamente pela dificuldade que a postura de enfrentamento do PT tem implicado na construção de alianças”, diz o Correio.

Tião e Jorge Viana, principais figuras do PT no Acre

O jornal revela que alguns meses atrás, Viana protagonizou dois episódios que demonstram a dificuldade que a postura de enfrentamento do PT tem implicado na construção de alianças.

A portas fechadas, em uma reunião partidária, o senador acreano exaltou-se com a presidente nacional da legenda, senadora Gleisi Hoffmann (PR). Ela se mostrava irredutível na determinação de impedir alianças com partidos que votaram a favor do impeachment de Dilma. Percebendo o tamanho da dificuldade que isso iria lhe impor no Acre, ele esmurrou a mesa, se levantou e gritou: “Gleisi, você precisa parar com esse negócio de golpismo. Isso não vai nos levar a lugar nenhum!” . De acordo com a matéria, Viana saiu sem ouvir a resposta de Gleisi.

O outro episódio em que Viana perdeu a calma foi público, revela o jornal. Ele seguia do plenário ao seu gabinete quando, em um corredor, bateu o olho num aparelho de tevê e viu a continuação da sessão que acabara de deixar. O senador Sérgio Petecão (PSD) fazia críticas ácidas ao governo do petista Tião Viana, irmão de Jorge, que voltou imediatamente ao plenário. Mal chegou, abriu o microfone e começou a bater boca com Petecão. O senador Acir Gurgacz (PDT-RO), que presidia a sessão, teve de pedir que Viana parasse de interromper o colega que estava na tribuna.

O Correio afirma na matéria que há duas décadas a história do PT no Acre era o oposto do que se vê hoje. Jorge era eleito governador em primeiro turno, com 57% dos votos válidos. Tião ganhava a única vaga de senador em disputa. Naquele ano, o PT conquistou apenas um outro governo estadual, o do Rio Grande do Sul, mas, nesse caso, depois de uma contenda acirrada.

Desencanto

O jornal destaca que a ex-senadora Marina Silva é outro capítulo da transformação da política local. “As pesquisas não sugerem que ela tenha qualquer chance de repetir o desempenho de 2014, quando venceu no estado a eleição para presidente. A maior parte dos votos dados a ela foram, no segundo turno, para Aécio Neves (PSDB), que venceu Dilma Rousseff no estado com quase o dobro dos votos. O desencanto dos acreanos com o PT já estava claro ali”, diz a matéria

Marina foi eleita senadora pelo PT do Acre em 1994, com apenas 36 anos. Abriu caminho para a chegada do partido ao governo no pleito seguinte. Não foi só uma vitória esplendorosa a de 1998. Ela pavimentou o caminho para a construção de uma hegemonia no estado. Desde 1998, foi governado por petistas: Jorge Viana, Binho Marques e, desde 2011, Tião Viana.

O Correio Braziliense dá destaque a outro fato: a presidente da sessão acreana da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Rosana Souza do Nascimento, apoia Cameli. Licenciada do cargo, a professora universitária é candidata a deputada federal pelo PPS. No âmbito nacional, a CUT é alinhada com o PT.

O jornal destaca, finalmente, que o candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, tem sete vezes mais inteçnções de votos que o petista Fernando Haddad no Acre.

Conteúdo Original / Fonte: KLÉBER BEZERRA, DO CONTILNET

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