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Réplica: “Ao criticar Temer, petista cita a China em texto eivado de incorreções”

Por Marina, ContilNet Fonte: ARCHIBALDO ANTUNES 18/12/2017 às 10:04

Publicado pelo militante petista Cesário Campelo Braga em um jornal local, o texto “Reformas para um Brasil Colônia” chama a atenção pela apaixonada defesa da política econômica adotada pela China, em comparação às atuais reformas propostas pelo governo Temer.

O escriba recorre a alguns argumentos na tentativa de provar a superioridade das medidas adotadas pelo governo oriental em relação ao que faz Michel Temer atualmente. Entre as maravilhas citadas por ele está o aumento da renda média do trabalhador chinês, que já ultrapassa o ganho salarial dos brasileiros.

Ocorre que sempre que leio algo escrito por um esquerdista, desconfio que ele tenha recorrido ao método de começar por dizer a verdade para, em seguida, nos empurrar suas lorotas. A afirmação de Campelo Braga sobre a renda dos trabalhadores nos dois países está correta, mas é o que ele afirma em seguida que levanta a lebre dos que têm mais de dois neurônios, como eu.

O escriba petista assegura que o capital internacional precisa se adequar às regras estatais para poder ingressar no mercado chinês, além de ter a obrigação de dividir seus conhecimentos científicos com os novos parceiros comunistas.

Archibaldo Antunes (foto) fez uma réplica ao artigo de Cesário Campelo Braga/Foto: reprodução TV Rio Branco

Tamanho despautério não deveria ser publicado, ainda que a liberdade de expressão tenha prevalecido no Brasil graças à vitória dos militares sobre os comunas na década de 60 – algo bem diverso do que houve na China, onde o governo controla até mesmo o acesso dos cidadãos à internet.

Ao contrário do que sustenta Campelo Braga, os fatores que determinaram o crescimento econômico chinês são bem menos nobres do que supõe sua vã filosofia. A começar pelo fato de que o comunismo por lá sobrevive por ter aplicado a receita capitalista da abertura de mercado aos investimentos estrangeiros.

Empresas que contribuíram para a prosperidade da China foram atraídas ao país graças a um mercado consumidor que já conta com quase 1,4 bilhão de indivíduos, mão de obra barata, precárias leis trabalhistas, baixa carga tributária e uma legislação ambiental que – bem diferente da nossa – não interferiu no processo de industrialização.

Não obstante o vertiginoso crescimento da economia, que alçou o país ao segundo lugar no ranking dos mais ricos do globo, dados de seis pesquisas realizadas por cinco universidades na China, entre 2010 e 2012, revelaram que desde 1980 a desigualdade social se tornou muito mais grave que nos Estados Unidos. Em outras palavras, o capitalismo comunista é ainda mais cruel do que seus congêneres no resto do mundo.

SAIBA MAIS

Artigo de opinião: “Reformas para um Brasil Colônia” – por Cesário Campelo Braga

Outro equívoco de Cesário Braga é sustentar que as indústrias que se instalaram em território chinês tiveram que dividir seus conhecimentos tecnológicos com os nativos. A Avenida 25 de Março, área de grande movimento comercial no Estado de São Paulo, é a maior prova de que a China nunca respeitou patentes, tratou de basear suas exportações na produção de artefatos piratas e fez fortuna com imitações de má qualidade vendidas a preços imbatíveis.

Uma coisa é criticar as medidas adotadas por Michel Temer – ainda que sob a desfaçatez de que seria ele o responsável pelo atraso na economia nacional, vilipendiada por quase uma década e meia de pilhagem companheira nas estatais –, outra, bem diferente, é querer nos convencer que o comunismo é superior porque a economia da China “deu certo”.

Antes de aprender a escrever, fui aconselhado a ler de tudo, o tempo todo. Hoje, com a melhor das intenções, repasso esse conselho a Cesário Braga.

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