Silas Malafaia ataca esquerda e vincula voto a valores religiosos

Líder evangélico criticou crentes que votam em candidatos que 'odeiam a Bíblia' durante evento que reuniu milhares no Rio

Por Redação ContilNet 23/05/2026 às 20:21

A 19ª edição da Marcha para Jesus no Rio de Janeiro, realizada na tarde deste sábado (23), transformou-se em palco de fortes discursos políticos e demarcação de posições ideológicas por parte de lideranças religiosas ligadas ao ecossistema bolsonarista. O pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, figurou como um dos principais oradores do evento e utilizou o palanque principal para vincular as decisões eleitorais dos fiéis às suas convicções de fé, além de desferir ataques contundentes a partidos e candidatos de esquerda.

Durante sua pregação para a multidão concentrada na região central da capital fluminense, Malafaia traçou um paralelo entre a militância de esquerda e o comportamento do eleitorado evangélico. O religioso cobrou maior engajamento e fidelidade ideológica dos cristãos nas urnas eletrônicas.

“O comunista é comunista em casa, no trabalho, na escola, nas relações sociais e na hora de votar. Cristianismo não é religião, gente. Cristianismo é estilo de vida. […] O comunista é comunista em tudo, até na hora de votar. Mas os crentes, não. São crentes em tudo, mas na hora de votar, vota em vagabundo, vota em ladrão, vota em gente que nos odeia, vota em gente que odeia a Bíblia”, bradou o pastor do alto do trio elétrico.

Em outro momento de sua fala, Malafaia subiu o tom contra a atual gestão federal e os poderes instituídos, afirmando textualmente que “homens maus” encontram-se atualmente no controle administrativo da nação. Na esteira das críticas, o pastor listou bandeiras tradicionais do conservadorismo e criticou “gente que odeia os princípios da palavra, gente que defende aborto, gente que defende ideologia de gênero, gente que defende devassidão moral”.

O senador Flávio Bolsonaro (PL), cuja presença era amplamente aguardada por aliados políticos e pastores devido à sua condição de pré-candidato à Presidência da República, cancelou a participação de última hora. A assessoria de imprensa do parlamentar justificou a ausência informando que o senador permaneceu em Brasília ao longo do fim de semana para cumprir uma agenda de reuniões estratégicas com o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Diante da ausência do pré-candidato ao Planalto, Malafaia canalizou o prestígio político do evento para o plano estadual. Antes de iniciar o momento de oração oficial, o pastor chamou ao centro do palco o deputado estadual Douglas Ruas (PL), atual presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Ruas desponta como o principal nome da oposição ao grupo político do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) na disputa pelo Palácio Guanabara.

Ao fazer a apresentação do chefe do Legislativo fluminense ao público cristão, Malafaia fez uma declaração simbólica, associando o deputado à representação de esferas de governança. O líder evangélico declarou que o parlamentar representava “tudo que é poder: presidente da República, governador, prefeito, senador, deputado”.

Expectativa de público e patrimônio cultural

A Marcha para Jesus do Rio de Janeiro é reconhecida formalmente como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado desde o ano de 2023. A mobilização dos fiéis teve início por volta das 14h, com uma grande concentração de público na Avenida Presidente Vargas, uma das principais artérias viárias do município.

O bloco de fiéis seguiu em caminhada até a Praça da Apoteose, no Sambódromo, onde foi montada uma megaestrutura de som e luz. No palco principal, diversos artistas do cenário da música gospel nacional comandavam uma programação de shows gratuitos com previsão de encerramento para as 22h. Os organizadores do ato estimam que o volume total de participantes ultrapasse a marca de 300 mil pessoas ao longo de todo o sábado.

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