
Reprodução – (Foto ilustrativa)
O deputado federal Coronel Ulysses (União/AC) defendeu nesta quarta-feira (12) uma cruzada nacional de combate ao narcotráfico no País. O apelo de Ulysses ocorre um dia após a Polícia Federal descobrir o “elo financeiro” das facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) dentro da Procuradoria-Geral da República, em Brasília.
Através da Operação Dakovo, a PF identificou Wagner Vinicius de Oliveira Miranda, analista processual de PGR, como sendo integrante do núcleo financeiro da quadrilha que importava arsenal bélico europeu, via Paraguai. Segundo a PF, o servidor – afastado do cargo – teria, inclusive, “livre acesso a sistemas e dados internos, podendo eventualmente, acessar informações sensíveis”.
Para Ulysses, os fatos revelados pela PF são “estarrecedores e demonstram, por si próprio, que as narco fações se infiltraram nas estruturas orgânicas estratégicas do Estado, através de seu poderio bélico, derivado do tráfico internacional de drogas e armas”. Há mais de uma década, diz Ulysses, “os operadores da segurança pública alertam para esse fato e, hoje, infelizmente, a Polícia Federal traz à tona essa realidade”.
Desde fevereiro, quando assumiu o mandato, Ulysses tem alertado que, se o governo federal não agisse com rigor contra o narcotráfico, o País se transformaria em um nacroestado. O termo se refere a um país cujas instituições políticas e econômicas são significativamente influenciadas pelo tráfico de drogas.
Ação da PF mostra que o Brasil chegou à condição de narcoestado
A operação da PF, avalia Ulysses, “é a demonstração cabal de que, de fato, o Brasil chegou, infelizmente, à condição de narcoestado”. Ainda, segundo o deputado, a identificação de um servidor de carreira da Procuradoria da República entranhado a núcleo criminoso destinado ao tráfico internacional de armas para abastecer o narcotráfico, é, sem dúvida, o start que se faz necessário para se iniciar verdadeiramente o enfrentamento ao narcotráfico no País.
– Essa é a hora de o governo federal abandonar os discursos vazios, ideológicos, e começar a agir para livrar a sociedade das mãos dos bandidos, ressalta Coronel Ulysses.
Além de expor a infiltração do crime organizado nas estruturas estratégicas orgânicas do Estado nacional, como é o caso da Procuradoria-Geral da República, Ulysses avalia que a Operação Dakovo sepulta o discurso ideológico do governo petista plantado no imaginário popular de que as armas utilizadas por facções criminosas, e pelos próprios traficantes, seriam desviadas de atiradores, caçadores e cidadãos de bem.
Ainda, segundo Ulysses, a operação da Polícia Federal demonstra que as armas utilizadas pelo narcotráfico são ilegalmente importadas, “e o que é pior: entram no Brasil com a ajuda de servidores do poder público, como nesse caso recente envolvendo um servidor da Procuradoria-Geral da República”.
“Diante dessa realidade, desarmar cidadãos de bem é impedir a promoção individualizada da autotutela e colocar parcela considerável da população à mercê das organizações criminosas”, pontua Ulysses, ao defender uma cruzada nacional de combate ao narcotráfico e á criminalidade.