Na política, algumas frases são tão espontâneas que acabam dizendo muito mais do que seus autores pretendiam. Foi exatamente isso que aconteceu em Sena Madureira com o áudio de um aliado do prefeito Gehlen Diniz que ganhou as redes sociais e arrancou gargalhadas de muita gente.
Preocupado com a quantidade de lideranças que vêm deixando a base do prefeito, o aliado resumiu seu temor em uma frase que rapidamente ganhou o mundo:
“Vai ficar só eu e meu prefeito.”
O áudio foi publicado pelo site Sena News e, como acontece com determinadas pérolas da política, não demorou para ultrapassar as fronteiras de Sena Madureira. Nos comentários, um internauta não perdoou:
“Depois desse áudio aí vai ficar só o prefeito.”
E, claro, veio a gargalhada.
A frase virou meme. Mas, por trás da brincadeira, existe uma questão política que Gehlen Diniz não pode simplesmente ignorar.

Em menos de dois anos de mandato, o prefeito viu uma parcela significativa de seu grupo político se afastar. Parte importante do secretariado já deixou a administração e algumas das lideranças que ajudaram a construir sua vitória eleitoral também tomaram outros caminhos.
Entre os nomes que se afastaram estão o pecuarista Paulo Sérgio, o ex-deputado Nelson Sales, o ex-vereador Carlos Vale e Tanizio Sá, além de vereadores e outras lideranças que estiveram ao lado de Gehlen na caminhada até a Prefeitura de Sena Madureira.
E política, como se sabe, não é feita apenas de votos. É feita de alianças, confiança, grupos, vereadores, lideranças comunitárias, empresários, produtores rurais, dirigentes partidários e, sobretudo, de gente disposta a caminhar junto.
Quando essas pessoas começam a sair, uma por uma, o problema deixa de ser apenas administrativo e passa a ser político.
É claro que ninguém é dono de liderança política. Na democracia, cada um é livre para escolher seu caminho. Também seria precipitado afirmar que toda saída representa necessariamente uma derrota para o prefeito.
Mas existe uma diferença entre perder uma ou outra peça e assistir a uma sucessão de afastamentos.
E é justamente aí que o famoso áudio ganha outro significado.
“Vai ficar só eu e meu prefeito.”
A frase pode ser engraçada. E foi.
Mas também pode ser um retrato involuntário da apreensão de quem está dentro do grupo e está vendo o tamanho da debandada.
Gehlen chegou à Prefeitura de Sena Madureira cercado por um grupo expressivo. Teve ao seu lado pessoas que trabalharam, pediram votos, abriram portas e ajudaram a construir a vitória eleitoral.
Agora, quase dois anos depois, o cenário parece bem diferente.
Na política, entretanto, há uma regra que nunca envelhece: grupo político se constrói com muito trabalho, mas pode se desfazer com uma velocidade impressionante.
E há outra regra ainda mais importante: eleição não se ganha com quem está apenas no palanque. Ganha-se com quem permanece ao lado quando os holofotes se apagam.
Gehlen ainda tem tempo para reorganizar sua base, recompor alianças e recuperar parte do terreno perdido. Mas precisa entender que o problema não é o áudio que viralizou.
O problema é o que levou alguém da própria base a dizer, em tom de preocupação, que talvez termine ficando apenas ele e o prefeito.
Porque, na política, quando a piada começa a parecer um diagnóstico, é hora de prestar atenção.
Por enquanto, Sena Madureira está rindo.
Mas talvez Gehlen Diniz não esteja achando tanta graça assim.
Veja o vídeo:
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