24/08/2026

7 em cada 10 brasileiros temem comprar remédios pela internet

Pesquisa aponta medo de falsificações, produtos vencidos e medicamentos sem registro

Por Redação ContilNet
Além do medo de falsificação, 59% dos entrevistados temem receber medicamentos vencidos. — Foto: Reprodução

Comprar um medicamento pela internet pode parecer uma solução rápida, mas ainda desperta desconfiança entre a maioria dos brasileiros. Uma pesquisa do Instituto QualiBest mostra que 69% dos consumidores têm receio de receber remédios falsificados em compras online. O levantamento ganha relevância após a Anvisa abrir processo para regulamentar a atuação de plataformas digitais na venda e entrega de medicamentos.

A pesquisa, encomendada pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), ouviu 2.024 pessoas responsáveis pela compra de medicamentos em casa e que costumam fazer compras online pelo menos uma vez a cada três meses. As entrevistas ocorreram entre 13 e 17 de julho, em todas as regiões do país.

Além do medo de falsificação, 59% dos entrevistados temem receber medicamentos vencidos ou armazenados de maneira inadequada, enquanto 54% apontam o risco de comprar produtos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A preocupação também se estende à responsabilidade pela comercialização. Para 85% dos participantes, as próprias plataformas de venda online deveriam ser responsabilizadas pela oferta de medicamentos falsificados, sem registro ou de procedência desconhecida.

Farmácia autorizada é preferência

Mesmo com a popularização das compras pela internet, os consumidores demonstram preferência por modelos que mantenham a participação das farmácias. 82% consideram que a venda digital de medicamentos deve estar obrigatoriamente vinculada a uma farmácia ou drogaria autorizada, enquanto 71% entendem que remédios não devem ser tratados como produtos comuns nas plataformas de comércio eletrônico.

A presença de profissionais também pesa na decisão: 78% afirmam que a presença de um farmacêutico aumenta a confiança na compra de medicamentos pela internet.

A preocupação não significa rejeição ao comércio digital. 95% dos entrevistados já fizeram compras online, e nove em cada dez dizem verificar a segurança do site antes de finalizar uma compra, principalmente pela credibilidade do vendedor e pela experiência de outros consumidores.

Ainda assim, 69% já tiveram alguma experiência negativa em compras pela internet, como receber um produto diferente do anunciado, atraso na entrega, mercadoria danificada ou golpe.

O que muda com a decisão da Anvisa?

Em agosto, a Anvisa revogou medidas que proibiam a comercialização e a propaganda de medicamentos em plataformas como iFood, Rappi, Mercado Livre, Submarino, Americanas e Shopee.

A mudança, porém, não significa que qualquer vendedor poderá comercializar medicamentos nesses sites. A Lei nº 15.357/2026 permite que farmácias e drogarias regularmente licenciadas utilizem canais digitais e plataformas de comércio eletrônico para logística e entrega de medicamentos, desde que sejam cumpridas as regras sanitárias.

A aplicação da medida ainda depende de regulamentação específica da Anvisa. No dia 19 de agosto, a Diretoria Colegiada da agência aprovou, por unanimidade, a abertura de um processo administrativo para definir essas regras.

O Conselho Federal de Farmácia também ressaltou que a mudança não representa uma liberação geral para a venda de medicamentos pela internet. A utilização das plataformas deverá ocorrer dentro da operação de farmácias autorizadas e seguindo as normas que ainda serão estabelecidas.

Preço baixo demais pode ser sinal de alerta

Para o consumidor, a recomendação é redobrar a atenção, principalmente diante de ofertas muito abaixo do preço praticado normalmente.

O diretor jurídico do Procon-RJ, Silvio Romero, orienta que preços muito inferiores aos encontrados no mercado podem ser um primeiro sinal de que há algo errado com o produto ou com o vendedor.

Também é importante guardar nota fiscal, comprovante da compra e o anúncio do medicamento. Esses documentos podem ser necessários caso o consumidor tenha problemas com a aquisição.

Enquanto a regulamentação não é concluída, a venda continua sujeita às regras sanitárias vigentes. A promessa de mais praticidade na compra de medicamentos pela internet, portanto, ainda vem acompanhada de uma exigência básica: saber exatamente de quem o remédio está sendo comprado e quem será responsável por garantir sua qualidade.

Conteúdo Original / Fonte: Agência Brasil

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