Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e BourbĂłn nunca chegou a assumir o trono do Brasil. Ela se tornou a primeira na linha de sucessĂŁo Ă coroa: seus dois irmĂŁos faleceram na infância e ela era a mais velha entre as mulheres. No entanto, a RepĂşblica veio, e, com isso, a famĂlia imperial brasileira teve que escapar do paĂs.
Quando os republicanos proclamaram o fim do imperialismo no Brasil em 15 de novembro de 1889, com o primeiro golpe militar do paĂs, todos os envolvidos com o antigo regime partiram para o exĂlio na Europa. Depois de chegar ao velho continente, a nobre nunca mais retornaria ao Brasil.
Teresa Cristina estava com a saĂşde abalada pelos recentes eventos. TrĂŞs semanas apĂłs voltar para a Europa, fugindo das terras americanas, a imperatriz faleceu. Para a famĂlia, o trauma tambĂ©m foi grande.
A própria princesa Isabel acabou sendo cotada por movimentos que pediam a volta da monarquia no Brasil. Ela escreveu uma carta ao último chefe de gabinete da Terceira Regência, João Alfredo, em que afirmava:
“Meu pai, com seu prestĂgio, teria provavelmente recusado a guerra civil como um meio de retornar Ă pátria… Lamento tudo quanto possa armar irmĂŁos contra irmĂŁos… É assim que tudo se perde e que nĂłs nos perdemos. O senhor conhece meus sentimentos de catĂłlica e brasileira”.
Isabel passaria o resto de sua vida na Europa, não retornando após a Proclamação da República.
Na Europa

Princesa Isabel / CrĂ©dito: DomĂnio PĂşblico/Insley Pacheco
A princesa era casada desde os 18 anos com o nobre francĂŞs Louis Philippe Marie Ferdinand Gaston, o Conde d’Eu, neto de LuĂs Filipe I, rei da França entre 1830 e 1848.
Embora no Brasil o fato de ser casada com o estrangeiro causasse desconforto Ă população, essa relação foi essencial durante o exĂlio: a dupla que teve que passar o resto da vida na Europa, continente natal do Conde d’Eu.
Os dois começaram a receber uma mesada generosa do tio de GastĂŁo, Francisco, prĂncipe da França. Quando ele morreu, o conde tambĂ©m ficou com parte da herança.
O casal comprou o castelo d’Eu, na Normandia, onde viveu atĂ© os seus dias finais. O local era inclusive mobiliado com itens de decoração vindos diretamente do Brasil. Eles tinham uma vida tranquila, mas a morte de dois de seus filhos, AntĂ´nio e LuĂs, causaram muita dor Ă Â Isabel.

Isabel (esq.) Pedro e Teresa (centro) e Gastão (dir.) / Crédito: Jean Magrou via Wikimedia Commons
A saĂşde mental da princesa começou a ir ladeira abaixo, acompanhada por sua saĂşde fĂsica. No final da vida, a nobre passou a ter enorme dificuldade de locomoção, que a impediu atĂ© mesmo de retornar ao Brasil com o fim do banimento dos membros da famĂlia imperial do territĂłrio brasileiro em 1920.
Isabel morreria em 14 de novembro de 1921, aos 75 anos.
Ela foi inicialmente enterrada na França, mas seus restos mortais foram trazidos até o Brasil, onde ela foi enterrada novamente na Catedral de São Pedro de Alcântara, em Petrópolis, no Rio de Janeiro, ao lado de seus pais, Pedro II e Teresa Cristina, nomeado Mausoléu Imperial.



