ApĂłs reajuste de 7% neste ano, energia pode subir mais do que o dobro em 2022

Por NOTĂŤCIAS AO MINUTO 24/08/2021 Ă s 18:38
Foto reprodução

A crise hídrica neste ano já deixou a conta de luz mais cara, devido à taxa adicional para fazer frente ao custo das térmicas, mas os reajustes anuais também pesaram. Desde janeiro, as tarifas para os consumidores residenciais subiram, em média, 7,15%. E a tendência é de piora. Cálculos preliminares da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) apontam que as tarifas podem subir, em média, 16,68% em 2022, em plena disputa eleitoral.

A Aneel já atualizou as tarifas de 30 concessionárias de distribuição, que servem a 16 Estados. Consumidores de alguns municípios de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, atendidos pela Energisa Sul Sudeste, tiveram o reajuste mais alto até agora: 11,29%. Já moradores atendidos pela Cemig, em Minas Gerais, e pela Sulgipe, que atende os municípios em Sergipe e na Bahia, não tiveram reajustes neste ano ou as contas ficaram ligeiramente mais baratas, respectivamente.

Entre os principais fatores para a alta das tarifas, estão encargos setoriais, despesas com compra e transporte de energia, efeitos do IGP-M (já que diversas distribuidoras têm contratos atrelados ao índice de preços) e câmbio.

Ainda que acentuados, sobretudo em um momento em que a conta já está pressionada pelos custos das tĂ©rmicas, os reajustes poderiam ter sido maiores. A Aneel aprovou um pacote de medidas para “segurar” os reajustes – e estuda fazer o mesmo em 2022.

Entre as ações estão o abatimento de créditos tributários cobrados de forma indevida dos consumidores, o adiamento do pagamento de indenizações às transmissoras e de remuneração das distribuidoras e o uso de recursos que seriam destinados a programas de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e de eficiência energética.

Em audiĂŞncia pĂşblica na Câmara, na semana passada, o superintendente de GestĂŁo Tarifária da agĂŞncia reguladora, Davi Antunes Lima, explicou que a previsĂŁo de aumento em 2021, por causa da pandemia e dos custos da energia, era de R$ 29,57 bilhões – o que resultaria em reajustes na faixa de 18%. Com as medidas, os custos foram reduzidos para R$ 18,83 bilhões. “A Aneel Ă© muito sensĂ­vel em relação Ă  tarifa de energia elĂ©trica. Fazemos esforços muito grandes para tentar atenuar esses impactos tarifários”, afirmou.

“Empurrar” as despesas, porĂ©m, pode levar a conta a disparar nos prĂłximos anos. “A Aneel ficar jogando para frente uma sĂ©rie de aumentos como tem acontecido neste ano, desde maio, nĂŁo Ă© bom, engana o consumidor, que paga menos por algo que sabidamente custa mais caro. Dada a crise atual, temos praticamente mais de 20% de reajuste contratado se a crise continuar como está”, avaliou o ex-diretor da agĂŞncia Edvaldo Santana.

O coordenador do Programa de Energia e Sustentabilidade do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Clauber Leite, considera o alĂ­vio neste momento positivo e um “alento” para a população, já que o custo da energia tem uma representatividade alta para as famĂ­lias mais pobres. Ele defende, no entanto, que sejam estudadas medidas para que, de fato, haja redução nas contas, e nĂŁo postergações de custos e que nĂŁo impliquem aumento excessivo posterior.

“Por exemplo, o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) Ă© um dos grandes custos das tarifas, Ă© cobrado sobre os encargos, sobre a bandeira, deixa o consumidor em uma posição em que nĂŁo tem muito o que fazer, diminui o poder de compra”, afirmou.

Diferenças

As tarifas sĂŁo reajustadas caso a caso no “aniversário” de contrato de cada distribuidora, e os porcentuais estabelecidos sĂŁo diferentes. Diversos fatores sĂŁo considerados para definição do valor: os custos da geração, transmissĂŁo, encargos e atĂ© perdas tĂ©cnicas ou nĂŁo tĂ©cnicas – conhecidos como “gatos”. Variam os porcentuais tambĂ©m para cada tipo de consumidor: reajuste em um patamar para os ligados Ă  alta-tensĂŁo, como as grandes indĂşstrias, em outro para os conectados na baixa tensĂŁo, como o comĂ©rcio e as residĂŞncias.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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