A crise hĂdrica neste ano já deixou a conta de luz mais cara, devido Ă taxa adicional para fazer frente ao custo das tĂ©rmicas, mas os reajustes anuais tambĂ©m pesaram. Desde janeiro, as tarifas para os consumidores residenciais subiram, em mĂ©dia, 7,15%. E a tendĂŞncia Ă© de piora. Cálculos preliminares da AgĂŞncia Nacional de Energia ElĂ©trica (Aneel) apontam que as tarifas podem subir, em mĂ©dia, 16,68% em 2022, em plena disputa eleitoral.
A Aneel já atualizou as tarifas de 30 concessionárias de distribuição, que servem a 16 Estados. Consumidores de alguns municĂpios de SĂŁo Paulo, Minas Gerais e Paraná, atendidos pela Energisa Sul Sudeste, tiveram o reajuste mais alto atĂ© agora: 11,29%. Já moradores atendidos pela Cemig, em Minas Gerais, e pela Sulgipe, que atende os municĂpios em Sergipe e na Bahia, nĂŁo tiveram reajustes neste ano ou as contas ficaram ligeiramente mais baratas, respectivamente.
Entre os principais fatores para a alta das tarifas, estĂŁo encargos setoriais, despesas com compra e transporte de energia, efeitos do IGP-M (já que diversas distribuidoras tĂŞm contratos atrelados ao Ăndice de preços) e câmbio.
Ainda que acentuados, sobretudo em um momento em que a conta já está pressionada pelos custos das tĂ©rmicas, os reajustes poderiam ter sido maiores. A Aneel aprovou um pacote de medidas para “segurar” os reajustes – e estuda fazer o mesmo em 2022.
Entre as ações estão o abatimento de créditos tributários cobrados de forma indevida dos consumidores, o adiamento do pagamento de indenizações às transmissoras e de remuneração das distribuidoras e o uso de recursos que seriam destinados a programas de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e de eficiência energética.
Em audiĂŞncia pĂşblica na Câmara, na semana passada, o superintendente de GestĂŁo Tarifária da agĂŞncia reguladora, Davi Antunes Lima, explicou que a previsĂŁo de aumento em 2021, por causa da pandemia e dos custos da energia, era de R$ 29,57 bilhões – o que resultaria em reajustes na faixa de 18%. Com as medidas, os custos foram reduzidos para R$ 18,83 bilhões. “A Aneel Ă© muito sensĂvel em relação Ă tarifa de energia elĂ©trica. Fazemos esforços muito grandes para tentar atenuar esses impactos tarifários”, afirmou.
“Empurrar” as despesas, porĂ©m, pode levar a conta a disparar nos prĂłximos anos. “A Aneel ficar jogando para frente uma sĂ©rie de aumentos como tem acontecido neste ano, desde maio, nĂŁo Ă© bom, engana o consumidor, que paga menos por algo que sabidamente custa mais caro. Dada a crise atual, temos praticamente mais de 20% de reajuste contratado se a crise continuar como está”, avaliou o ex-diretor da agĂŞncia Edvaldo Santana.
O coordenador do Programa de Energia e Sustentabilidade do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Clauber Leite, considera o alĂvio neste momento positivo e um “alento” para a população, já que o custo da energia tem uma representatividade alta para as famĂlias mais pobres. Ele defende, no entanto, que sejam estudadas medidas para que, de fato, haja redução nas contas, e nĂŁo postergações de custos e que nĂŁo impliquem aumento excessivo posterior.
“Por exemplo, o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) Ă© um dos grandes custos das tarifas, Ă© cobrado sobre os encargos, sobre a bandeira, deixa o consumidor em uma posição em que nĂŁo tem muito o que fazer, diminui o poder de compra”, afirmou.
Diferenças
As tarifas sĂŁo reajustadas caso a caso no “aniversário” de contrato de cada distribuidora, e os porcentuais estabelecidos sĂŁo diferentes. Diversos fatores sĂŁo considerados para definição do valor: os custos da geração, transmissĂŁo, encargos e atĂ© perdas tĂ©cnicas ou nĂŁo tĂ©cnicas – conhecidos como “gatos”. Variam os porcentuais tambĂ©m para cada tipo de consumidor: reajuste em um patamar para os ligados Ă alta-tensĂŁo, como as grandes indĂşstrias, em outro para os conectados na baixa tensĂŁo, como o comĂ©rcio e as residĂŞncias.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

