A Caixa EconĂ´mica Federal está pedindo que os usuários do aplicativo Caixa TEM – que Ă© usado para pagar o AuxĂlio Emergencial – atualizem seus dados cadastrais.
A atualização nĂŁo Ă© obrigatĂłria e, segundo o banco, tem como objetivo oferecer “mais segurança, vantagens e praticidade aos clientes”. Mas quem faz o procedimento Ă© levado a aderir a uma poupança digital diferente, com novos serviços financeiros, chamada “Cliente Top” – e autoriza o banco a cobrar por serviços oferecidos.
A atualização está sendo liberada de forma escalonada pelo mês de nascimento do correntista. Até esta quarta, podem fazer o procedimento nascidos de janeiro a julho. Para os demais, a liberação ocorre até 31 de março.
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A atualização
Ao entrar no Caixa TEM, o Ăcone do aplicativo (para quem teve a atualização liberada) aparece na cor dourada com uma estrela (remetendo ao ‘Cliente Top’), lembrando o usuário de atualizar seus dados.
Antes do cliente atualizar os dados, ele Ă© avisado que em breve será um “Cliente Top”, com novos produtos, como emprĂ©stimos.
Mas Ă© preciso ter atenção. O “Cliente Top” oferece uma poupança digital mais completa, mas o pacote gratuito apenas dá direito a uma quantidade limitada de serviços.
São eles: dois saques com cartão por mês, duas transferências entre contas Caixa com a mesma titularidade, duas transferências entre contas Caixa para titularidades diferentes, um DOC ou um TED por mês e consultas médicas pela internet.
Se o usuário ultrapassar o limite gratuito dos serviços ou contratar outros produtos, como microcrĂ©dito e seguros, poderĂŁo ser cobradas tarifas. No prĂłprio aplicativo há como ler contrato, polĂtica de privacidade e termos.
Para poder realizar a atualização, o usuário é obrigado a aceitar os serviços esse contrato. Caso contrário, não poderá prosseguir.
Na parte cadastral, sĂŁo solicitados nacionalidade, endereço, situação empregatĂcia, renda mensal, profissĂŁo e patrimĂ´nio. TambĂ©m sĂŁo solicitadas selfie e imagens dos documentos pessoais do usuário.
Questionada sobre a cobrança de taxas, a Caixa informou que a atualização de dados no Caixa Tem nĂŁo Ă© obrigatĂłria para a liberação do AuxĂlio Emergencial. Ou seja, quem vai receber o benefĂcio nĂŁo precisa atualizar os dados cadastrais.
“VocĂŞ se torna um ‘Cliente Top’ por estar contribuindo para a segurança contra fraude. O objetivo principal da atualização Ă© reforçar a segurança. Mas sĂł atualiza quem quer”, justificou o banco.
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Contrato de prestação de serviços da Caixa — Foto: Reprodução
Em breve, acrescentou o banco, devem ser lançados produtos especĂficos para baixa renda pelo aplicativo, como microcrĂ©dito a partir de R$ 100 e seguro de vida a partir de R$ 20.
“O banco já tem inteligĂŞncia para saber a movimentação financeira das 107 milhões de pessoas que abriram poupança digital em 2020 para que, no futuro, sejam oferecidos produtos financeiros especĂficos para elas”, destacou a Caixa.
Rentabilizar as contas digitais realmente faz parte dos planos da estatal. Há seis meses, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, afirmou em coletiva que incluiria microcrédito e seguro para baixa renda no internet banking e em sua conta digital. Até o começo de 2022, o banco pretende listar as ações de seu braço digital Caixa Tem numa bolsa no exterior.
Oferta Ă© feita de forma ‘inadequada’
A oferta de um serviço pago tem que ser sempre opcional e clara para o cliente, alertou José Pablo Cortês, presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP).
“O consumidor nĂŁo pode ter dĂşvida e acabar acreditando que o procedimento Ă© exigido para que outro serviço ou benefĂcio seja liberado. Ele tem que poder descartar a oferta com facilidade”, afirmou o advogado.
De acordo com o advogado, no caso especĂfico da Caixa, a oferta de serviços financeiros Ă© “inadequada” principalmente porque envolve pessoas com dificuldades financeiras que estĂŁo buscando benefĂcios sociais neste perĂodo de pandemia.
Caso algum beneficiário tenha aceitado o pacote por engano, CortĂŞs afirma ser possĂvel cancelá-lo pelo aplicativo sem burocracias em atĂ© sete dias.
ApĂłs esse perĂodo, o cliente pode pedir o cancelamento justificando que contratou os serviços por nĂŁo ter entendido o procedimento de atualização cadastral do Caixa Tem. Em Ăşltimo caso, vale acionar o Procon.
Procurado, o Banco Central informou que “nĂŁo comenta casos especĂficos que envolvam instituições supervisionadas”.


