A Câmara deverá ser uma trincheira de embates polêmicos em 2022, um ano legislativo reduzido pelas eleições de outubro, o que praticamente inviabiliza a aprovação de propostas econômicas complexas como as reformas administrativa e tributária.
No vácuo aberto pela ausĂŞncia desses temas, tendem a ganhar espaço na pauta projetos de “costumes”, como o de legalização dos jogos, do ensino domiciliar e da liberação do cultivo da maconha para uso medicinal.
Reservadamente, o prĂłprio presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), nĂŁo vĂŞ possibilidade de as reformas prosperarem no ano que vem. AtĂ© mesmo o lĂder do governo, Ricardo Barros (PP-PR), já admitiu que essas matĂ©rias sĂł devem votar Ă lista de prioridades legislativas em 2023.
Nesse cenário, Lira pretende dar celeridade a projetos já aprovados no Senado e, portanto, agora só dependem da chancela dos deputados para virar lei. Ele também está decidido a manter uma pauta própria da Câmara.
Uma das propostas que pode ser analisada na Casa já em fevereiro, quando termina o recesso legislativo, Ă© a legalização dos jogos. Em dezembro, foi aprovada a urgĂŞncia para o texto, o que lhe dá prioridade na pauta. O projeto Ă© defendido por Lira, mas enfrenta ferrenha oposição da bancada evangĂ©lica — o que fez o presidente Jair Bolsonaro prometer a lĂderes religiosos que vetará o texto, caso ele passe no Congresso.
— A legalização dos jogos nĂŁo Ă© sĂł pauta de costumes, Ă© uma pauta que dialoga tambĂ©m com retomada de empregos, aumento de arrecadação. Pode haver resistĂŞncia, mas Ă© possĂvel que caminhe — avalia o lĂder do DEM, Efraim Filho (PB).
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