Com o aumento no nĂșmero de casos de feminicĂdio no Estado em 2025, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Acre (OAB/AC) publicou, na tarde desta quinta-feira (22), um duro manifesto, em que cobra responsabilidade do poder pĂșblico e reforça que nenhuma dessas mortes pode ser tratada como inevitĂĄvel.
No documento, a OAB manifestou âprofunda indignaçãoâ com os nĂșmeros da violĂȘncia contra a mulher: em 2024, foram contabilizados 8 casos; em 2025, este nĂșmero saltou para 14, o que significa um aumento de 75%. Ainda segundo a ordem, nacionalmente, os dados do ano passado sĂŁo considerados estarrecedores: “o Brasil bateu recorde histĂłrico, com 1.470 feminicĂdios registrados no ano, superando os nĂșmeros de 2024. Na prĂĄtica, isso significa que, em mĂ©dia, quatro mulheres foram mortas por dia simplesmente por serem mulheres”.
Para a OAB/AC, o aumento de seis feminicĂdios em apenas um ano, no Acre, evidencia falhas graves nas polĂticas de prevenção, proteção e responsabilização dos agressores. âO feminicĂdio Ă© a prova do fracasso coletivo do Estado e da sociedadeâ, destaca o manifesto, ao lembrar que cada nĂșmero representa uma vida interrompida, famĂlias destruĂdas e filhos que se tornam ĂłrfĂŁos. A entidade reforça que direitos bĂĄsicos garantidos pela Constituição Federal e por tratados internacionais continuam sendo violados de forma sistemĂĄtica.
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Mesmo com legislaçÔes consideradas avançadas, como a Lei Maria da Penha e a tipificação do feminicĂdio no CĂłdigo Penal, a OAB aponta que a violĂȘncia domĂ©stica e familiar ainda nĂŁo recebe respostas eficazes, articuladas e contĂnuas por parte do poder pĂșblico.
AlĂ©m de cobrar açÔes concretas, o manifesto tambĂ©m presta solidariedade Ă s famĂlias das vĂtimas e Ă s mulheres que sobrevivem Ă violĂȘncia de gĂȘnero, muitas vezes desacreditadas ou silenciadas. A entidade defende mudanças que passam pela educação, pela atuação das instituiçÔes e pela forma como os casos sĂŁo conduzidos.
Ao final do documento, a OAB Acre reafirma que seguirĂĄ fiscalizando polĂticas pĂșblicas, cobrando responsabilização e atuando de forma firme no enfrentamento de todas as formas de violĂȘncia contra as mulheres.

Foto: OAB/AC
âEste nĂŁo Ă© apenas um posicionamento institucional, Ă© um grito coletivo por justiça, por dignidade e por vidaâ, conclui o texto.
Veja a nota na Ăntegra
MANIFESTO DA OAB ACRE PELO FIM DO FEMINICĂDIO E DA VIOLĂNCIA CONTRA AS MULHERES
A Ordem dos Advogados do Brasil â Seccional Acre, por meio da ComissĂŁo da Mulher Advogada e da ComissĂŁo de Combate Ă ViolĂȘncia DomĂ©stica e Contra a Mulher, vem a pĂșblico manifestar sua profunda indignação, a manifesta dor coletiva e sua posição intransigente diante do alarmante avanço do feminicĂdio no Brasil e, de forma ainda mais preocupante, no Estado do Acre.
Os dados de 2025 revelam uma realidade estarrecedora: o Brasil atingiu um recorde histĂłrico de feminicĂdios, com 1.470 mulheres assassinadas em razĂŁo de seu gĂȘnero, superando os nĂșmeros jĂĄ trĂĄgicos de 2024. Isso representa, na prĂĄtica, quatro mulheres mortas por dia, vĂtimas de uma violĂȘncia que nĂŁo Ă© episĂłdica, mas estrutural, reiterada e, lamentavelmente, anunciada.
No Estado do Acre, a situação assume contornos ainda mais graves. Proporcionalmente Ă sua população, o Acre figura entre os Estados com Ăndices mais elevados de feminicĂdio, evidenciando falhas persistentes nas polĂticas de prevenção, proteção e responsabilização. Cada nĂșmero esconde um nome, uma histĂłria, uma famĂlia destruĂda e um futuro interrompido pela misoginia, pelo silĂȘncio institucional e pela omissĂŁo social.
Cada mulher assassinada Ă© a prova do fracasso coletivo do Estado e da sociedade em assegurar direitos fundamentais consagrados na Constituição Federal e nos tratados internacionais de direitos humanos: o direito Ă vida, Ă dignidade, Ă segurança e Ă igualdade. O feminicĂdio nĂŁo Ă© um fato isolado â Ă© o estĂĄgio final de um ciclo de violĂȘncias reiteradamente ignoradas.
Ă inadmissĂvel que, mesmo apĂłs avanços legislativos como a Lei Maria da Penha e a tipificação do feminicĂdio, continuemos a conviver com nĂșmeros tĂŁo elevados de mortes evitĂĄveis. A violĂȘncia domĂ©stica e familiar contra a mulher Ă© uma grave violação de direitos humanos, que exige respostas imediatas, articuladas, eficazes e contĂnuas do Estado brasileiro, em todas as suas esferas.
Este Manifesto Ă© tambĂ©m um ato de solidariedade e luto e a OAB/AC se solidariza com as famĂlias, com os filhos ĂłrfĂŁos, com os amigos e amigas que sofrem pela perda, e a todas as mulheres que sobrevivem Ă violĂȘncia de gĂȘnero, muitas vezes desacreditadas, desamparadas e silenciadas.
A dor dessas mulheres é uma dor que interpela toda a sociedade e nos convoca a adotar posturas diferentes, seja na educação de nossas crianças, preparando-as para o futuro das relaçÔes familiares, seja na condução dos casos que hoje são enfrentados.
O Estado brasileiro nĂŁo pode continuar falhando na proteção das mulheres; nĂŁo pode tolerar a repetição de tantas e tantas mortes anunciadas e evitĂĄveis e, sobretudo, nĂŁo pode naturalizar a violĂȘncia nem transferir Ă s vĂtimas a responsabilidade por sua prĂłpria proteção.
A Ordem dos Advogados do Brasil â Seccional Acre reafirma, por meio deste Manifesto, seu compromisso inegociĂĄvel com a defesa dos direitos das mulheres, com o fortalecimento da rede de proteção, com a fiscalização das polĂticas pĂșblicas e com o enfrentamento firme de todas as formas de violĂȘncia de gĂȘnero. A OAB/AC seguirĂĄ atuando de forma institucional, tĂ©cnica e combativa, em diĂĄlogo com a sociedade civil e com os poderes pĂșblicos, para exigir providĂȘncias concretas, responsabilização efetiva e prevenção real.
Este não é apenas um posicionamento institucional, é um grito coletivo por justiça, por dignidade e por vida.
O Brasil nĂŁo pode normalizar o feminicĂdio.
O Acre nĂŁo pode aceitar mais nenhuma morte evitĂĄvel.
Nenhuma mulher a menos!
Rio Branco â AC, 22 de janeiro de 2026.
Rodrigo Aiache Cordeiro
Presidente da OAB Acre
Thais Silva de Moura Barros
Vice-Presidente da OAB Acre
Caruline SimĂŁo
Presidente da ComissĂŁo da Mulher Advogada â OAB Acre
Roberta Cavaleiro
Presidente da ComissĂŁo de Combate Ă ViolĂȘncia DomĂ©stica e Contra a Mulher â OAB Acre



