Com alta nos feminicídios, OAB Acre cobra ação e diz que mortes são evitåveis; veja manifesto

Para a OAB/AC, o aumento de seis feminicídios em apenas um ano, no Acre, evidencia falhas graves nas políticas de prevenção, proteção e responsabilização dos agressores. 

Por Anne Nascimento, ContilNet 22/01/2026 Ă s 17:11 Atualizado: hĂĄ 4 meses

Com o aumento no nĂșmero de casos de feminicĂ­dio no Estado em 2025, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Acre (OAB/AC) publicou, na tarde desta quinta-feira (22), um duro manifesto, em que cobra responsabilidade do poder pĂșblico e reforça que nenhuma dessas mortes pode ser tratada como inevitĂĄvel.

No documento, a OAB manifestou “profunda indignação” com os nĂșmeros da violĂȘncia contra a mulher: em 2024, foram contabilizados 8 casos; em 2025, este nĂșmero saltou para 14, o que significa um aumento de 75%. Ainda segundo a ordem, nacionalmente, os dados do ano passado sĂŁo considerados estarrecedores: “o Brasil bateu recorde histĂłrico, com 1.470 feminicĂ­dios registrados no ano, superando os nĂșmeros de 2024. Na prĂĄtica, isso significa que, em mĂ©dia, quatro mulheres foram mortas por dia simplesmente por serem mulheres”.

Para a OAB/AC, o aumento de seis feminicĂ­dios em apenas um ano, no Acre, evidencia falhas graves nas polĂ­ticas de prevenção, proteção e responsabilização dos agressores. “O feminicĂ­dio Ă© a prova do fracasso coletivo do Estado e da sociedade”, destaca o manifesto, ao lembrar que cada nĂșmero representa uma vida interrompida, famĂ­lias destruĂ­das e filhos que se tornam ĂłrfĂŁos. A entidade reforça que direitos bĂĄsicos garantidos pela Constituição Federal e por tratados internacionais continuam sendo violados de forma sistemĂĄtica.

SAIBA MAIS: Alerta! FeminicĂ­dios crescem 75% no Acre em 2025, apontam dados nacionais do Sinesp

Mesmo com legislaçÔes consideradas avançadas, como a Lei Maria da Penha e a tipificação do feminicĂ­dio no CĂłdigo Penal, a OAB aponta que a violĂȘncia domĂ©stica e familiar ainda nĂŁo recebe respostas eficazes, articuladas e contĂ­nuas por parte do poder pĂșblico.

AlĂ©m de cobrar açÔes concretas, o manifesto tambĂ©m presta solidariedade Ă s famĂ­lias das vĂ­timas e Ă s mulheres que sobrevivem Ă  violĂȘncia de gĂȘnero, muitas vezes desacreditadas ou silenciadas. A entidade defende mudanças que passam pela educação, pela atuação das instituiçÔes e pela forma como os casos sĂŁo conduzidos.

Ao final do documento, a OAB Acre reafirma que seguirĂĄ fiscalizando polĂ­ticas pĂșblicas, cobrando responsabilização e atuando de forma firme no enfrentamento de todas as formas de violĂȘncia contra as mulheres.

Foto: OAB/AC

“Este nĂŁo Ă© apenas um posicionamento institucional, Ă© um grito coletivo por justiça, por dignidade e por vida”, conclui o texto.

Veja a nota na Ă­ntegra

MANIFESTO DA OAB ACRE PELO FIM DO FEMINICÍDIO E DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Acre, por meio da ComissĂŁo da Mulher Advogada e da ComissĂŁo de Combate Ă  ViolĂȘncia DomĂ©stica e Contra a Mulher, vem a pĂșblico manifestar sua profunda indignação, a manifesta dor coletiva e sua posição intransigente diante do alarmante avanço do feminicĂ­dio no Brasil e, de forma ainda mais preocupante, no Estado do Acre.

Os dados de 2025 revelam uma realidade estarrecedora: o Brasil atingiu um recorde histĂłrico de feminicĂ­dios, com 1.470 mulheres assassinadas em razĂŁo de seu gĂȘnero, superando os nĂșmeros jĂĄ trĂĄgicos de 2024. Isso representa, na prĂĄtica, quatro mulheres mortas por dia, vĂ­timas de uma violĂȘncia que nĂŁo Ă© episĂłdica, mas estrutural, reiterada e, lamentavelmente, anunciada.

No Estado do Acre, a situação assume contornos ainda mais graves. Proporcionalmente Ă  sua população, o Acre figura entre os Estados com Ă­ndices mais elevados de feminicĂ­dio, evidenciando falhas persistentes nas polĂ­ticas de prevenção, proteção e responsabilização. Cada nĂșmero esconde um nome, uma histĂłria, uma famĂ­lia destruĂ­da e um futuro interrompido pela misoginia, pelo silĂȘncio institucional e pela omissĂŁo social.

Cada mulher assassinada Ă© a prova do fracasso coletivo do Estado e da sociedade em assegurar direitos fundamentais consagrados na Constituição Federal e nos tratados internacionais de direitos humanos: o direito Ă  vida, Ă  dignidade, Ă  segurança e Ă  igualdade. O feminicĂ­dio nĂŁo Ă© um fato isolado — Ă© o estĂĄgio final de um ciclo de violĂȘncias reiteradamente ignoradas.

É inadmissĂ­vel que, mesmo apĂłs avanços legislativos como a Lei Maria da Penha e a tipificação do feminicĂ­dio, continuemos a conviver com nĂșmeros tĂŁo elevados de mortes evitĂĄveis. A violĂȘncia domĂ©stica e familiar contra a mulher Ă© uma grave violação de direitos humanos, que exige respostas imediatas, articuladas, eficazes e contĂ­nuas do Estado brasileiro, em todas as suas esferas.

Este Manifesto Ă© tambĂ©m um ato de solidariedade e luto e a OAB/AC se solidariza com as famĂ­lias, com os filhos ĂłrfĂŁos, com os amigos e amigas que sofrem pela perda, e a todas as mulheres que sobrevivem Ă  violĂȘncia de gĂȘnero, muitas vezes desacreditadas, desamparadas e silenciadas.

A dor dessas mulheres é uma dor que interpela toda a sociedade e nos convoca a adotar posturas diferentes, seja na educação de nossas crianças, preparando-as para o futuro das relaçÔes familiares, seja na condução dos casos que hoje são enfrentados.

O Estado brasileiro nĂŁo pode continuar falhando na proteção das mulheres; nĂŁo pode tolerar a repetição de tantas e tantas mortes anunciadas e evitĂĄveis e, sobretudo, nĂŁo pode naturalizar a violĂȘncia nem transferir Ă s vĂ­timas a responsabilidade por sua prĂłpria proteção.

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Acre reafirma, por meio deste Manifesto, seu compromisso inegociĂĄvel com a defesa dos direitos das mulheres, com o fortalecimento da rede de proteção, com a fiscalização das polĂ­ticas pĂșblicas e com o enfrentamento firme de todas as formas de violĂȘncia de gĂȘnero. A OAB/AC seguirĂĄ atuando de forma institucional, tĂ©cnica e combativa, em diĂĄlogo com a sociedade civil e com os poderes pĂșblicos, para exigir providĂȘncias concretas, responsabilização efetiva e prevenção real.

Este não é apenas um posicionamento institucional, é um grito coletivo por justiça, por dignidade e por vida.

O Brasil nĂŁo pode normalizar o feminicĂ­dio.
O Acre nĂŁo pode aceitar mais nenhuma morte evitĂĄvel.
Nenhuma mulher a menos!

Rio Branco – AC, 22 de janeiro de 2026.

Rodrigo Aiache Cordeiro
Presidente da OAB Acre

Thais Silva de Moura Barros
Vice-Presidente da OAB Acre

Caruline SimĂŁo
Presidente da Comissão da Mulher Advogada – OAB Acre

Roberta Cavaleiro
Presidente da ComissĂŁo de Combate Ă  ViolĂȘncia DomĂ©stica e Contra a Mulher – OAB Acre

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