Coronavírus: a eficácia da CoronaVac e demais vacinas explicada em 4 gráficos

Por Everton Damasceno, ContilNet 14/01/2021 Ă s 14:35

Divulgada em etapas, a eficácia da vacina da Sinovac contra o coronavírus despertou muitas dúvidas, particularmente a eficácia geral de 50,38% tornada pública na terça-feira (12/01).

A partir dos dados da fase 3 dos estudos do Instituto Butantan e com orientação de médicos, a BBC News Brasil destrinchou os dados em um gráfico, para explicar o que cada porcentagem significa na vida de quem se imunizar.

dados da coronavac

Dentro do universo total de participantes do estudo, superior a 12 mil, os resultados preliminares foram obtidos analisando pacientes que haviam tomado duas doses da vacina ou do placebo havia mais de duas semanas.

De acordo com os dados, na prática, a eficácia de 50% significa que quem não tomar a vacina terá o dobro de chances de desenvolver a covid-19 caso pegue o vírus, explica à BBC News Brasil o médico Marcio Sommer Bittencourt, do Hospital Universitário da USP.

NĂŁo vacinados que adoeçam tambĂ©m terĂŁo cinco vezes mais chance de precisar de atendimento mĂ©dico. “E nĂŁo temos certeza ainda, mas tudo leva a crer que a diminuição nos casos graves e mortes deve ser nessa mesma proporção”, explica Bittencourt.

Isso porque os dados relacionados a casos graves e mortes nĂŁo foram estatisticamente significativos no estudo da CoronaVac – nĂŁo há certeza de se a vacina teve impacto direto nisso pelo nĂşmero de pacientes estudados.

Outras vacinas em desenvolvimento no mundo também já apresentaram seus dados de eficácia geral.

Comparação entre vacinas contra o coronavírus

Para alguns especialistas, embora a Coronavac não tenha eficácia geral tão alta quanto outras, como a da Moderna ou Pfizer-BioNTech, ela tem como vantagem o fato de ser mais acessível do que os imunizantes estrangeiros que estão sendo disputados acirradamente por muitos países.

Segundo o Butantan, já estĂŁo prontas 10,8 milhões de doses da vacina em solo brasileiro. “No final de março, a carga total de imunizantes disponibilizados pelo instituto Ă© estimada em 46 milhões de doses”, diz o ĂłrgĂŁo.

Para Bittencourt, essa acessibilidade Ă© um ponto-chave.

Gráfico mostra como funciona a CoronaVac

“A conta simplificada Ă©: quantas pessoas estĂŁo protegidas e quanto protejo toda a população. Se vacinar 1 milhĂŁo com uma vacina que reduz 95% (a chance de covid-19), o máximo que vocĂŞ protegeu foram 950 mil pessoas. Se vacinar 200 milhões com uma vacina que reduz 50% vocĂŞ protege atĂ© 100 milhões de pessoas. Comparado com esperar um ano para ter, por exemplo, a vacina da Pfizer, a melhor alternativa que temos Ă© essa (CoronaVac)”, diz.

Analisando a oferta de imunizantes disponĂ­veis no calendário brasileiro de imunização – e levando-se em conta apenas vacinas aplicadas tambĂ©m em adultos, mesmo pĂşblico-alvo das vacinas contra o coronavĂ­rus -, nota-se que existe uma grande variação na taxa de eficácia.

Proteção vacinas

Um fator importante é que, para qualquer vacina ter eficácia, é necessário que uma grande quantidade da população seja imunizada, fazendo com que o agente infeccioso deixe de circular. É a chamada imunidade de rebanho.

Com reportagem de André Biernath, Camilla Costa e Paula Adamo Idoeta, da BBC News Brasil em São Paulo e Londres

ConteĂşdo Original / Fonte: BBC

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