Ainda que, em diversos momentos da pandemia da covid-19, os discursos governamentais, considerados nocivos por especialistas, tenham manchado a imagem do Brasil no cenário internacional, o comportamento do paĂs no combate ao novo coronavĂrus Ă© considerado razoável diante dos altos e baixos vividos nestes dois anos de pandemia. A opiniĂŁo Ă© da pneumologista Margareth Dalcolmo, um dos nomes de destaque do Brasil no enfrentamento Ă covid-19.
Em contato com pesquisadores do mundo inteiro, a pesquisadora da Escola Nacional de SaĂşde PĂşblica (ENSP) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) avalia que o Brasil viveu dois extremos nos momentos de enfrentamento ao vĂrus SARS-CoV-2. “Eu acho que o Brasil teve imagens boas e ruins. Vivemos essa dualidade o tempo todo. NĂłs enfrentamos a contradição de termos feito estudos extraordinários de fase trĂŞs de vacinas contra covid-19 e nĂŁo termos feito as encomendas no tempo certo, por exemplo”, afirma.
Em BrasĂlia para lançar o livro Um tempo para nĂŁo esquecer — A visĂŁo da ciĂŞncia no enfrentamento da pandemia do coronavĂrus e o futuro da saĂşde, que reĂşne artigos da pesquisadora que documentam o transcorrer da pandemia, Dalcolmo conversou com o Correio sobre as flexibilizações feitas atualmente no paĂs e sobre o futuro da pandemia no Brasil e criticou a falta de incorporação de um remĂ©dio para tratamento da covid-19 no Sistema Ăšnico de SaĂşde (SUS).
Para ela, o Brasil precisa pensar em nacionalizar os medicamentos já aprovados e recomendados para o tratamento da doença para impedir que os preços das medicações se tornem proibitivos para o paĂs. AlĂ©m disso, a pesquisadora acredita que a quarta dose da vacina, hoje recomendada somente para grupos especĂficos, deve ser estendida Ă população em geral nos prĂłximos meses, mas acha pouco provável ser necessário fazer campanhas de vacinação anuais como se faz para o vĂrus influenza, por exemplo.
Confira a entrevista completa no Correio Braziliense.



