Primeiro indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para o Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Kassio Nunes Marques tomou posse ontem em cerimĂ´nia que durou 14 minutos e foi esvaziada por causa da pandemia de covid-19.
No Ăşnico discurso da sessĂŁo, o presidente da Corte, Luiz Fux, disse que Nunes Marques tem o “notĂłrio saber jurĂdico” necessário para ingressar no Supremo.
A afirmação foi vista como uma defesa ao novo integrante do STF, questionado por imprecisões no currĂculo e suspeita de plágio.
Ao lado de Bolsonaro, Fux afirmou que o magistrado terá “independĂŞncia olĂmpica” para atuar no Supremo.
Na cerimĂ´nia estiveram sete dos 11 ministros do tribunal, por medida de prevenção, depois que várias autoridades presentes na posse de Fux, em setembro, contraĂram o novo coronavĂrus.
Nunes Marques foi conduzido ao plenário pelos ministros Gilmar Mendes, avalista de sua indicação, e Alexandre de Moraes, seguindo a liturgia das posses no tribunal, onde o novato é acompanhado pelo integrante mais antigo e mais recente da Corte.
Gilmar ciceroneou Marques substituindo Marco Aurélio Mello, o atual decano, que optou por não comparecer à posse por ter 74 anos e fazer parte do grupo de risco para covid-19.
A solenidade também teve a presença dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), além do procurador-geral da República, Augusto Aras, e do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz.
O plenário do Supremo ficou dividido entre aqueles que nĂŁo usavam máscaras – Bolsonaro, Fux, Aras e Alcolumbre – e os que tinham os rostos com a proteção, como Maia, Gilmar, Moraes, LuĂs Roberto Barroso, Édson Fachin, Dias Toffoli e Santa Cruz.
“Vossa ExcelĂŞncia tem reputação ilibada, (…) tem pelo seu currĂculo notĂłrio saber jurĂdico. Vossa ExcelĂŞncia tem conhecimento enciclopĂ©dico e, acima de tudo, independĂŞncia olĂmpica. Seja muito bem-vindo”, disse Fux, que, antes da cerimĂ´nia, teve rápida conversa com Bolsonaro.
Nunes Marques nĂŁo discursou e fez apenas o juramento. Antes de se acomodar na cadeira de ministro pela primeira vez, o magistrado recebeu tapinhas nas costas dos colegas Gilmar e Moraes.
Acervo
Aos 48 anos, o novo ministro vai herdar um acervo de 1.668 ações e processos que tinham como relator o então decano da Corte, Celso de Mello, aposentado compulsoriamente no mês passado, após três décadas no tribunal.
Ao menos no inĂcio da trajetĂłria, ele nĂŁo será relator dos casos mais rumorosos. Por uma manobra de Fux, a investigação sobre a interferĂŞncia de Bolsonaro na PolĂcia Federal, que estava com Celso de Mello, caiu nas mĂŁos de outro relator, Alexandre de Moraes.
Não fosse essa medida, Nunes Marques ficaria responsável pelo destino do inquérito contra o homem que o indicou à Corte.
No momento, apenas três inquéritos que estavam com Celso de Mello passaram para o gabinete de Nunes Marques. Um deles envolve o deputado federal José Wilson Santiago (PTB-PB) e o outro mira João Carlos Bacelar (PL-BA). Há um terceiro caso sob segredo de Justiça.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

