Em seis dias, cinco da mesma famĂ­lia morrem de covid-19

Por Marina, ContilNet 25/03/2021 Ă s 08:35

Ao mesmo tempo em que uma parcela significativa da população faz vistas grossas para a epidemia do novo coronavírus que assola o Brasil, famílias inteiras estão sendo dizimadas.

E isso pode ocorrer em um curto perĂ­odo de tempo, nĂŁo dando chance para que os familiares que ficam vivam seus lutos.

Esse Ă© o caso da famĂ­lia Bonaldi, do municĂ­pio de Cruz Alta (RS), a 350 km de Porto Alegre. Em seis dias, cinco familiares morreram vĂ­timas da covid-19.

“Quando a gente estaria fazendo a missa de sĂ©timo dia de um, nĂłs estávamos enterrando o outro”, lamenta Jorge Luis CorrĂŞa Bonaldi.

A morte mais recente foi a de Sergio Correa Bonaldi, 47 anos. Ele estava internado desde o dia 12, no Hospital SĂŁo Vicente de Paulo, e teve o Ăłbito confirmado ontem.

Sergio já estava inconsciente na semana passada quando seu irmão, Paulo Ricardo Corrêa Bonaldi, 62, morreu na quarta-feira (17). No dia seguinte, o outro irmão, Achiles Atílio Bonaldi, 58, faleceu.

Já na sexta-feira, Maria Vergilia Corrêa Bonaldi, 83, a matriarca, e Salete Ribeiro da Silva Bonaldi, 61, mulher de Paulo, foram declaradas mortas.

Segundo familiares, eles tinham comorbidades e contraĂ­ram o vĂ­rus no Ăşltimo mĂŞs. Os sete filhos de Maria Vergilia ficaram doentes. Quatro passam bem.

“Eles adoeceram há mais ou menos 24 dias. Tinham comorbidades, especialmente diabetes. A mĂŁe ficava na casa do meu irmĂŁo, ambos meio que isolados. A gente já tinha esse cuidado, porque a sabĂ­amos da gravidade disso”, conta Jorge.

Ele lembra que há dois meses adoeceu junto com o filho, mas não precisaram ser hospitalizados.

“Em mim deu forte, mas nĂŁo atingiu os pulmões. Deu dor de cabeça, perdi olfato, diarreia, todos os sintomas clássicos. Mas nĂŁo precisamos ser internados.”

Jorge explica que, segundo os médicos, uma variante do vírus, mais nociva, acometeu seus familiares.

“Quando eu e meu filho pegamos, foi um tipo de cepa. Agora, o mĂ©dico nos relatou que uma variante infectou minha mĂŁe e meus irmĂŁos. A agressividade dela dá para se ver pela tomografia dos pulmões. De um dia para o outro eles vĂŁo se deteriorando. É um inimigo invisĂ­vel que te deixa impotente”, diz.

Os Bonaldi são uma família tradicional e muito unida de Cruz Alta. Há 40 anos o patriarca, Eurico Bonaldi, instalou no bairro Jardim América uma oficina mecânica que funciona até hoje. Ao redor do estabelecimento, moram todos os irmãos.

“Meus trĂŞs irmĂŁos estavam sendo medicados em casa. Mas, na sexta-feira (12), o Paulo começou a saturar mal. EntĂŁo uma equipe da prefeitura levou os trĂŞs para a UPA. Lá, decidiram internar eles no hospital. Eles foram hospitalizados juntos. Todos precisaram de intubação. Cinco dias depois, na quarta-feira, o Paulo morreu. Depois o Achiles, a mulher do Paulo e a nossa mĂŁe”, narra Jorge. Nessa terça foi a vez de Sergio, 47.

Jorge conta que nĂŁo foi permitido fazer velĂłrio dos parentes. “Por medidas de precaução, tĂ­nhamos apenas quatro horas para liberar os corpos no hospital e enterrar.”

Muito abalado pelas perdas, mas ao mesmo tempo um pouco mais aliviado, já que seus outros trĂŞs irmĂŁos foram liberados do hospital, Jorge deixa uma mensagem: “Tivemos um pedaço arrancado de uma famĂ­lia muito unida.

Mas peço que as pessoas se cuidem. Porque só nós sabemos tudo aquilo que estamos passando nesse momento.

Quando se perde alguĂ©m já Ă© difĂ­cil, agora perder cinco pessoas, trĂŞs irmĂŁos, uma cunhada e a mĂŁe em uma semana, Ă© inexplicável. Eles sĂŁo arrancados de vocĂŞ por um inimigo invisĂ­vel, o que te deixa impotente”.

(Imagem: Acervo pessoal)

ConteĂşdo Original / Fonte: UOL

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