Cerca de seis a cada 10 (58,8%) brasileiros que contestaram, via aplicativo, a negativa do auxĂlio emergencial foram considerados elegĂveis pela Dataprev.
No total, desde o inĂcio do pagamento do benefĂcio, em abril deste ano, 2,41 milhĂ”es pedidos de contestaçÔes foram recebidos pela estatal.
AtĂ© agora, 1,42 milhĂŁo dos requerimentos foram considerados elegĂveis por terem atendido aos critĂ©rios legais apĂłs novo processamento, e 994,5 mil permaneceram inelegĂveis.
Esses dados foram levantados pela Dataprev e obtidos com exclusividade pelo MetrĂłpoles. Mais de 28 milhĂ”es de pessoas tiveram o benefĂcio negado.
A contestação é realizada pelos trabalhadores em geral que não concordam com o resultado do processamento feito inicialmente pelo governo federal.
AlĂ©m disso, a Dataprev registrou 754,7 mil pedidos de reanĂĄlise do auxĂlio emergencial. Desses, 369,2 mil (48,9%) foram considerados elegĂveis.
Outros 382,8 mil permaneceram inelegĂveis e 2,7 mil foram classificados como inconclusivos â quando hĂĄ inconsistĂȘncias nos dados para o processamento do pedido.
Por sua vez, a reanĂĄlise Ă© realizada quando o cadastro do beneficiĂĄrio foi identificado como âinconclusivoâ pelo governo federal.
Isso aconteceu, por exemplo, quando o trabalhador deixou de apresentar algumas informaçÔes ao realizar o cadastro no aplicativo do auxĂlio.
Esses nĂșmeros nĂŁo incluem, no entanto, os pedidos de contestaçÔes impetrados na Justiça.
Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontam que mais de 153,2 mil açÔes relacionadas ao auxĂlio emergencial foram judicializadas.
âContrate um advogadoâ
Por meio de parcerias, o governo tem buscado evitar a judicialização do auxĂlio emergencial.
Em junho deste ano, o MinistĂ©rio da Cidadania divulgou um acordo com a Defensoria PĂșblica da UniĂŁo (DPU) para contestaçÔes ao auxĂlio negado.
O objetivo, segundo nota publicada à época, era de solucionar o caso das pessoas por meio administrativo, evitando, portanto, a entrada na Justiça.
No entanto, o MetrĂłpoles mostrou que os defensores pĂșblicos ficaram mais sobrecarregados ainda com o acordo, que, segundo o prĂłprio DPU, causou colapso no sistema.
Hoje, a DPU tem apenas 640 defensores pĂșblicos. O ĂłrgĂŁo estĂĄ presente, alĂ©m de nas 27 capitais, em apenas 43 cidades do interior.
Dessa maneira, moradores de 98,8% dos municĂpios do paĂs nĂŁo terĂŁo ajuda pĂșblica para contestar o resultado.
Na ocasiĂŁo, o MinistĂ©rio da Cidadania admitiu que a defensoria nĂŁo poderĂĄ atender todas as pessoas atingidas â inclusive as dos locais abrangidos pela DPU.
Nesses casos, a pasta disse que âo caminho Ă© buscar um advogado particular ou procurar diretamente a subseção da Justiça Federalâ para contestar a negativa.
Apesar disso, o governo segue com o discurso de que não vai deixar ninguém para trås.
Outro lado
Em nota, o MinistĂ©rio da Cidadania afirmou que a segurança da operação Ă© premissa desde o inĂcio da operacionalização do pagamento do auxĂlio emergencial.
Destacou ter firmado acordos de cooperação técnica com diversos órgãos para troca de informaçÔes, conhecimentos e bases de dados.
âDessa forma, 15 grandes bancos de dados sĂŁo utilizados para aferir a elegibilidade de cada requerimento do benefĂcioâ, informou.
Essa atuação, segundo a pasta, impactou no Ăndice de inconformidade (suspeitas de fraudes) do auxĂlio, que Ă© de apenas 0,44%, enquanto o sistema previdenciĂĄrio americano tem 0,82% de inconformidades.
âO benefĂcio brasileiro chega a 99,56% de acertoâ, ressaltou, ao evidenciar que mais de 68 milhĂ”es de brasileiros receberam o auxĂlio emergencial.
Hoje, no entanto, esse benefĂcio chega a 56,7 milhĂ”es de pessoas.
O ministĂ©rio lembrou ainda que parte das bases de dados utilizadas na checagem dos critĂ©rios de elegibilidade recebe atualizaçÔes em diferentes perĂodos.
Isso significa que uma nova informação pode sinalizar possĂvel divergĂȘncia cadastral, de forma automĂĄtica, sendo, entĂŁo, priorizada uma reavaliação dos dados repassados pelos requerentes.
AlĂ©m disso, o ministĂ©rio disse que tem atuado em conjunto com a PolĂcia Federal e o MinistĂ©rio PĂșblico Federal para garantir a persecução penal de crimes praticados contra o auxĂlio.
âNesse sentido, foi criada a Base Nacional de Fraudes ao AuxĂlio Emergencial (BNFAE), alimentada pelo ministĂ©rio em parceria com a Caixaâ, assinalou.
âCabe registrar ainda que o governo federal garantiu a possibilidade de todos os brasileiros que discordaram do resultado das anĂĄlises recorrerem tanto por meio da Dataprev quanto pela Defensoria PĂșblica da UniĂŁo (DPU)â, finalizou.

