Governo aprovou 58,8% das contestaçÔes do auxílio emergencial negado

Por Marina, ContilNet 25/12/2020 Ă s 10:04

Cerca de seis a cada 10 (58,8%) brasileiros que contestaram, via aplicativo, a negativa do auxĂ­lio emergencial foram considerados elegĂ­veis pela Dataprev.

No total, desde o início do pagamento do benefício, em abril deste ano, 2,41 milhÔes pedidos de contestaçÔes foram recebidos pela estatal.

Até agora, 1,42 milhão dos requerimentos foram considerados elegíveis por terem atendido aos critérios legais após novo processamento, e 994,5 mil permaneceram inelegíveis.

Esses dados foram levantados pela Dataprev e obtidos com exclusividade pelo Metrópoles. Mais de 28 milhÔes de pessoas tiveram o benefício negado.

A contestação é realizada pelos trabalhadores em geral que não concordam com o resultado do processamento feito inicialmente pelo governo federal.

Além disso, a Dataprev registrou 754,7 mil pedidos de reanålise do auxílio emergencial. Desses, 369,2 mil (48,9%) foram considerados elegíveis.

Outros 382,8 mil permaneceram inelegĂ­veis e 2,7 mil foram classificados como inconclusivos – quando hĂĄ inconsistĂȘncias nos dados para o processamento do pedido.

Por sua vez, a reanĂĄlise Ă© realizada quando o cadastro do beneficiĂĄrio foi identificado como “inconclusivo” pelo governo federal.

Isso aconteceu, por exemplo, quando o trabalhador deixou de apresentar algumas informaçÔes ao realizar o cadastro no aplicativo do auxílio.

Esses nĂșmeros nĂŁo incluem, no entanto, os pedidos de contestaçÔes impetrados na Justiça.

Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontam que mais de 153,2 mil açÔes relacionadas ao auxílio emergencial foram judicializadas.

“Contrate um advogado”

Por meio de parcerias, o governo tem buscado evitar a judicialização do auxílio emergencial.

Em junho deste ano, o MinistĂ©rio da Cidadania divulgou um acordo com a Defensoria PĂșblica da UniĂŁo (DPU) para contestaçÔes ao auxĂ­lio negado.

O objetivo, segundo nota publicada à época, era de solucionar o caso das pessoas por meio administrativo, evitando, portanto, a entrada na Justiça.

No entanto, o MetrĂłpoles mostrou que os defensores pĂșblicos ficaram mais sobrecarregados ainda com o acordo, que, segundo o prĂłprio DPU, causou colapso no sistema.

Hoje, a DPU tem apenas 640 defensores pĂșblicos. O ĂłrgĂŁo estĂĄ presente, alĂ©m de nas 27 capitais, em apenas 43 cidades do interior.

Dessa maneira, moradores de 98,8% dos municĂ­pios do paĂ­s nĂŁo terĂŁo ajuda pĂșblica para contestar o resultado.

Na ocasiĂŁo, o MinistĂ©rio da Cidadania admitiu que a defensoria nĂŁo poderĂĄ atender todas as pessoas atingidas – inclusive as dos locais abrangidos pela DPU.

Nesses casos, a pasta disse que “o caminho Ă© buscar um advogado particular ou procurar diretamente a subseção da Justiça Federal” para contestar a negativa.

Apesar disso, o governo segue com o discurso de que não vai deixar ninguém para trås.

Outro lado

Em nota, o Ministério da Cidadania afirmou que a segurança da operação é premissa desde o início da operacionalização do pagamento do auxílio emergencial.

Destacou ter firmado acordos de cooperação técnica com diversos órgãos para troca de informaçÔes, conhecimentos e bases de dados.

“Dessa forma, 15 grandes bancos de dados são utilizados para aferir a elegibilidade de cada requerimento do benefício”, informou.

Essa atuação, segundo a pasta, impactou no índice de inconformidade (suspeitas de fraudes) do auxílio, que é de apenas 0,44%, enquanto o sistema previdenciårio americano tem 0,82% de inconformidades.

“O benefĂ­cio brasileiro chega a 99,56% de acerto”, ressaltou, ao evidenciar que mais de 68 milhĂ”es de brasileiros receberam o auxĂ­lio emergencial.

Hoje, no entanto, esse benefício chega a 56,7 milhÔes de pessoas.

O ministério lembrou ainda que parte das bases de dados utilizadas na checagem dos critérios de elegibilidade recebe atualizaçÔes em diferentes períodos.

Isso significa que uma nova informação pode sinalizar possĂ­vel divergĂȘncia cadastral, de forma automĂĄtica, sendo, entĂŁo, priorizada uma reavaliação dos dados repassados pelos requerentes.

AlĂ©m disso, o ministĂ©rio disse que tem atuado em conjunto com a PolĂ­cia Federal e o MinistĂ©rio PĂșblico Federal para garantir a persecução penal de crimes praticados contra o auxĂ­lio.

“Nesse sentido, foi criada a Base Nacional de Fraudes ao AuxĂ­lio Emergencial (BNFAE), alimentada pelo ministĂ©rio em parceria com a Caixa”, assinalou.

“Cabe registrar ainda que o governo federal garantiu a possibilidade de todos os brasileiros que discordaram do resultado das anĂĄlises recorrerem tanto por meio da Dataprev quanto pela Defensoria PĂșblica da UniĂŁo (DPU)”, finalizou.

ConteĂșdo Original / Fonte: METRÓPOLES

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