O caso de uma menina que foi encontrada morta no deserto intrigou as autoridades do Arizona (EUA) por mais de seis dĂ©cadas. Isso porque, na Ă©poca, os policiais nĂŁo conseguiram identificar a garotinha e ela ficou conhecida como “Miss NinguĂ©m”. No entanto, esse caso finalmente foi resolvido. Nesta terça-feira (15), investigadores do condado de Yavapai revelaram a identidade da pequena apĂłs um teste de DNA.
De acordo com informações da emissora Kold 13, “Miss NinguĂ©m” foi identificada como Sharon Lee Gallegos, de 4 anos. Os oficiais de Yavapai disseram que ela foi sequestrada de Alamagordo, Novo MĂ©xico (EUA), em 21 de julho de 1960, e foi encontrada dez dias depois.
Sharon estava brincando do lado de fora da casa de sua avó quando foi sequestrada. Uma das pessoas que participou e falou durante coletiva de imprensa, para divulgação de informações sobre o caso, foi o sobrinho de Sharon, Ray Chavez. Ele nasceu cinco anos depois que a menina foi sequestrada e queria estar lá por sua mãe e avó, que faleceram sem saber o que aconteceu com Sharon.
A famĂlia foi informada sobre a identificação de Sharon na Ăşltima sexta-feira (11). Ray disse que o irmĂŁo de Sharon ainda está vivo e mora fora do paĂs. Eles irĂŁo coordenar uma chamada de vĂdeo para pensar e planejar o que querem fazer com um local de descanso final para a menina.

Os oficiais tambĂ©m disseram que nĂŁo houve ferimentos Ăłbvios no corpo da menina em decomposição e que o caso foi considerado homicĂdio. Na Ă©poca, a comunidade de Prescott arrecadou dinheiro para fornecer um funeral para a criança nĂŁo identificada. No entanto, em 2018, os restos mortais dela foram exumados para que amostras de DNA pudessem ser coletadas. No inĂcio deste ano, o escritĂłrio do xerife e uma empresa de DNA do Texas arrecadaram US$ 4 mil (cerca de R$ 20 mil) para financiar testes especializados e finalmente identificar a garota.

Sobre “Miss NinguĂ©m”
Em 1960, o corpo de uma menina foi encontrado no deserto do Arizona. A pequena usava uma blusa azul abotoada, short e, em seus pequenos pés, havia chinelos adultos que tinham sido cortados no tamanho certo. As unhas das mãos e dos pés dela estavam pintadas. Mas o nome, raça e até sua idade exata não puderam ser discernidos na época, informou o jornal local The Arizona Republic.
Ao longo dos anos, o mistĂ©rio de quem era a menina e como ela morreu movimentou os investigadores. Houve momentos de avanços, porĂ©m, de fracassos tambĂ©m. Os restos mortais da menina foram encontrados em 31 de julho de 1960 por um professor de Las Vegas (EUA), que estava com a famĂlia. A vĂtima foi parcialmente enterrada em um leito de areia.
Após ser encontrado, o corpo — que estava em avançado estado de decomposição — foi analisado pelos legistas que não conseguiram especificar a morte da criança. Entre as informações que eles conseguiram decifrar na época foi que a menina tinha entre 3 e 6 anos quando morreu e pesava cerca de 24 quilos.
Os legistas concluĂram que nenhum de seus ossos foi quebrado e o corpo da criança nĂŁo revelou sinais Ăłbvios de trauma antes de sua morte. Dias depois do enterro da menina, ainda nĂŁo se tinha muitas informações sobre o caso. A identidade dela foi objeto de especulação em relação a vários outros casos de crianças desaparecidas. Mas a resposta nunca foi positiva.
“Dezesseis anos depois, ainda penso nela”, disse LH “Red” Johnson, que liderou a investigação antes de se tornar o chefe de polĂcia de Peoria, ao The Arizona Republic, em 1976. “Se eu estiver na área, colocarei flores em seu tĂşmulo novamente”.
EntĂŁo, em 2018, a “Pequena Miss NinguĂ©m” recebeu um rosto. Os investigadores exumaram seus restos mortais e utilizaram novas tecnologias para traçar um perfil de DNA. E graças a essas tecnologias, finalmente, a menina pĂ´de ser identificada, com nome e sobrenome.


