Papa lembra vĂ­timas da pandemia em mensagem pelo Dia Mundial da Paz

Por AGĂŠNCIA BRASIL 17/12/2020 Ă s 09:45
O Papa Francisco participa da audiĂŞncia geral semanal no Vaticano,

O papa Francisco lembrou (17) hoje as vítimas da pandemia e os que se dedicaram ao cuidado dos doentes, em mensagem pelo Dia Mundial da Paz, e pede que as vacinas cheguem também aos países mais pobres.

Na mensagem pelo 54Âş Dia Mundial da Paz 2021 (1Âş de janeiro) com o tĂ­tulo “A cultura do cuidado como percurso para a paz”, divulgada nesta quinta-feira, ele diz que a pandemia agravou outras crises, como a climática, a alimentar, a econĂ´mica e a da migração.

“O ano de 2020 ficou marcado pela grande crise sanitária da covid-19, que se transformou num fenĂ´meno plurissetorial e global, agravando fortemente outras crises interrelacionadas como a climática, alimentar, econĂ´mica e migratĂłria, e provocando grandes sofrimentos e incĂłmodos”, escreve o papa na mensagem.

Ele lembra ainda os que perderam familiares ou pessoas queridas, os que ficaram sem trabalho e todos os que trabalham na linha da frente.

“Penso, em primeiro lugar, naqueles que perderam um familiar ou uma pessoa querida, mas tambĂ©m em quem ficou sem trabalho. Lembro de modo especial os mĂ©dicos, enfermeiras e enfermeiros, farmacĂŞuticos, investigadores, voluntários, capelĂŁes e funcionários dos hospitais e centros de saĂşde, que se prodigalizaram – e continuam a fazĂŞ-lo -, com grande fadiga e sacrifĂ­cio, ao ponto de alguns deles morrerem quando procuravam estar perto dos doentes, a fim de aliviar os seus sofrimentos ou salvar-lhes a vida”.

O papa tambĂ©m reitera seu apelo “aos polĂ­ticos e ao setor privado para que adotem as medidas apropriadas, a fim de garantir o acesso Ă s vacinas contra a covid-19 e Ă s tecnologias essenciais necessárias para prestar assistĂŞncia aos doentes e aos mais pobres e frágeis “.

Algumas organizações nĂŁo governamentais assinaram recentemente um documento alertando que “nove em cada dez pessoas em paĂ­ses pobres nĂŁo terĂŁo acesso Ă  vacina contra a covid-19 no prĂłximo ano.”

O texto adverte tambĂ©m para o ressurgimento de várias formas de “nacionalismo, racismo, xenofobia e tambĂ©m guerras e conflitos”, que “semeiam morte e destruição”.

“É doloroso constatar que, infelizmente, junto com numerosos testemunhos de caridade e solidariedade, várias formas de nacionalismo, racismo, xenofobia e mesmo guerras e conflitos que semeiam morte e destruição estĂŁo a ganhar novo impulso”.

Francisco propõe na mensagem “a cultura do cuidado como forma de paz” e “a erradicação da cultura da indiferença, da rejeição e do confronto, que hoje costuma prevalecer”.

“Encorajo todos a se tornarem profetas e testemunhas da cultura do cuidado, para preencher tantas desigualdades sociais”, afirma.

Ele destaca que “isso sĂł será possĂ­vel com o papel generalizado da mulher, na famĂ­lia e em todas as esferas sociais, polĂ­ticas e institucionais”.

O papa lamenta que “em muitas regiões e comunidades já nĂŁo se lembrem de uma Ă©poca em que viviam em paz e segurança” e denuncia o “desperdĂ­cio de recursos com armas, em particular com armas nucleares” considerando que os recursos deveriam ser utilizados para prioridades a fim de garantir a segurança das pessoas, como a promoção da paz e do desenvolvimento humano integral, a luta contra a pobreza e a satisfação das necessidades de saĂşde.

“Que decisĂŁo corajosa seria criar um fundo global com o dinheiro usado em armas e outras despesas militares para poder derrotar definitivamente a fome e ajudar o desenvolvimento dos paĂ­ses mais pobres!”, defende.

Francisco observa que a educação solidária deve partir da famĂ­lia, “onde se aprende a conviver na relação e no respeito mĂştuo”, mas lembra que Ă© tambĂ©m missĂŁo da escola e da universidade e, da mesma forma, em alguns aspectos, da comunicação social “.

Por outro lado, considera que “as religiões em geral, e os lĂ­deres religiosos em particular, podem desempenhar papel insubstituĂ­vel na transmissĂŁo aos fiĂ©is e Ă  sociedade dos valores da solidariedade, do respeito pelas diferenças” e do cuidado com os mais frágeis.

Francisco pede a todos que “alcancem o objetivo de uma educação mais aberta e inclusiva, capaz de escuta paciente, diálogo construtivo e compreensĂŁo mĂştua”.

O Dia Mundial da Paz foi instituĂ­do em 1968 pelo papa Paulo VI (1897-1978) e Ă© celebrado no primeiro dia do ano.

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