Prepare o bolso: a cerveja também vai ficar mais cara em 2021

Por ESTADO DE MINAS 21/01/2021 Ă s 16:20

O aumento no preço dos insumos, a escassez de embalagens e o custo da energia devem deixar a cerveja mais cara neste ano, segundo estimativas de produtores e de entidades do setor. O impulso da moeda norte-americana afeta diretamente o custo dos commodities, como o milho, a cevada, as leveduras e o alumínio, que são base da cadeia de produção da bebida.

Embora a inflação da bebida em 2020 tenha sido de 1,94%, segundo o IBGE, o mercado deve reposicionar os preços neste primeiro semestre, e o aumento ao consumidor final deve ficar entre 10% e 15%, seguindo a tendência de aumento dos alimentos.

“A constante alta do dĂłlar gerou impacto no custo dos commodities, sem contar o custo de energia elĂ©trica, que tambĂ©m aumentou. Esses fatores tĂŞm influĂŞncia direta no preço das bebidas. Se foi possĂ­vel segurar atĂ© o momento, certamente o impacto vai desaguar em 2021″, diz o diretor da Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM) Carlo Enrico Bressiani.

E ele complementa: “O Brasil Ă© um paĂ­s fechado, cheio de burocracia e que enfrenta problemas com a variação cambial. Quem sofre mais sĂŁo as pequenas empresas, porque a maioria nĂŁo tem contratos de compra e fornecimentos mais estáveis e adquire produtos conforme a demanda. Mas atĂ© os grandes terĂŁo de aumentar o preço para o consumidor final”.

O produtor e sommelier de cervejas e presidente da Federação Brasileira das Cervejas Artesanais, Marco Falcone, explica que a maioria dos produtos utilizados na fabricação das cervejas é importada e negociada na moeda norte-americana, sofrendo diretamente com variação cambial.

O dĂłlar americano era cotado a R$ 4,02 em janeiro de 2020 e fechou o ano passado custando R$ 5,45.

“Nós temos um viés inflacionário muito relevante, porque os produtos são indexados em dólar, e a cerveja vai sofrer com aumento dos insumos importados. Eu falo de 13% de aumento médio em todo o setor. O que não é pouca coisa”, observa.

Falcone endossa o que diz o diretor da ESCM sobre o repasse dos valores. Para ele, os produtores estĂŁo no limite e, por questĂŁo de sobrevivĂŞncia das pequenas cervejarias, os aumentos nĂŁo poderĂŁo ser mais adiados.

“Vamos tentar, num primeiro momento, apenas resgatar os preços normais, para não causar uma retração muito brusca no consumo. O nosso propósito é tentar minimizar o impacto, mas eu acredito que o setor não tem mais fôlego pra não promover aumentos nos próximos meses”, adverte.

Venda recorde de latinhas

A mudança no hábito de consumo de cerveja com a pandemia de COVID-19 também é responsável pela expansão dos preços da bebida.

É o que diz Edinelson Marques, gerente comercial do Grupo Pinho, especializado em comércio exterior e logística aduaneira. Ele lembra que, com a COVID-19, o consumo da cerveja, que era feito primordialmente por meio de garrafas de vidro em bares e restaurantes, foi substituído por latas de alumínio consumidas nas casas das pessoas.

A cerveja em lata tem preço unitário menor e é mais fácil para a logística de compra e transporte e para o consumidor armazenar na geladeira, além de estar em maior disponibilidade nos supermercados.

“O consumidor final, quando vai ao mercado, olha o preço, o que não ocorre quando vai ao bar. Então, o hábito de consumir em casa em vez de consumir em bares e restaurantes, que estão fechados pela pandemia, fez com que o índice de consumo de latas aumentasse absurdamente, batendo recordes. Entretanto, o nosso país não tem capacidade instalada pra atender à demanda. As cervejarias, então, começaram a importar latas com o dólar lá em cima. O custo da cerveja vai aumentar também em razão disso.”

O gerente comercial responsável por bebidas no Grupo Super Nosso, Wendel Carvalho, calcula que a indústria cervejeira está passando para o varejo um reposicionamento de preços entre 10% e 12%.

Ele afirma que as redes de supermercado, tanto de atacado quanto no varejo, tendem a não transferir esse custo de imediato, mas que o consumidor deverá sentir o aumento dentro dos próximos 20 dias. “Estamos estudando todas as alternativas para diminuir o impacto desses repasses nas categorias de cervejas”, assegura.

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