O Reino Unido se tornou hoje (30) o primeiro paĂs a aprovar a vacina contra coronavĂrus desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela AstraZeneca, torcendo para que uma ação rápida o ajude a conter uma disparada de infecções impulsionada por uma variante altamente contagiosa do vĂrus.
O governo do primeiro-ministro Boris Johnson, que já encomendou 100 milhões de doses da vacina, disse ter aceitado uma recomendação da Agência Regulatória de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) para conceder uma autorização de emergência.
A aprovação respalda uma vacina vista como essencial para imunizações em massa no mundo em desenvolvimento, assim como no Reino Unido, mas não elimina dúvidas sobre dados de testes que tornam improvável que ela seja aprovada tão rapidamente na União Europeia ou nos Estados Unidos.
“O NHS (Serviço Nacional de SaĂşde) poderá levar estas vacinas aos braços das pessoas na velocidade com que ela pode ser fabricada”, disse o secretário da SaĂşde, Matt Hancock.
“Agora eu, com esta aprovação nesta manhĂŁ, estou altamente confiante de que podemos vacinar pessoas vulneráveis suficientes atĂ© a primavera a ponto de podermos ver nosso caminho para fora desta pandemia agora.”
Triunfo da ciĂŞncia
Johnson classificou a aprovação como um “triunfo da ciĂŞncia britânica”. Hancock disse que centenas de milhares de doses estarĂŁo disponĂveis na semana que vem no Reino Unido, que já está distribuindo uma vacina desenvolvida pela norte-americana Pfizer e pela alemĂŁ BioNTech.
O governo brasileiro tem acordo com a AstraZeneca para o fornecimento de doses da vacina ao paĂs e para a posterior produção local do imunizante pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Ainda nĂŁo há pedido de registro da vacina ou de autorização para uso emergencial junto Ă AgĂŞncia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Testes mostraram que a vacina da Oxford Ă© menos eficaz do que a da Pfizer/BioNTech, mas pode ser armazenada e transportada sob refrigeração normal, ao invĂ©s de super-resfriada a 70 graus Celsius negativos, o que Ă© crucial para paĂses com infraestrutura de saĂşde mais básica.
A Índia está determinada a começar a administrar a nova vacina no mês que vem. O Instituto Serum da Índia (SII), o maior produtor mundial de vacinas, já fabricou cerca de 50 milhões de doses. O Chile também está interessado.
O Reino Unido se destacou de outros paĂses ocidentais com sua abordagem acelerada de vacinações, tendo liberado a vacina Pfizer/BioNTech semanas antes da AgĂŞncia Europeia de Medicamentos (EMA).
TambĂ©m nesta quarta-feira, uma comissĂŁo de aconselhamento do governo britânico recomendou uma mudança de rota: dar uma primeira dose da vacina contra coronavĂrus de imediato ao maior nĂşmero possĂvel de pessoas, ao invĂ©s de dar a segunda dose de reforço dentro do perĂodo de tempo mais curto.

