Uma das alternativas em debate nas negociações entre o Congresso Nacional e o STF (Supremo Tribunal Federal) sobre o orçamento secreto é a construção de um projeto de resolução que dará mais transparência às chamadas emendas de relator, atualmente suspensas após decisão referendada pela Corte.
As emendas de relator acabaram ainda no centro dos debates da PEC dos PrecatĂłrios, com senadores condicionando o fim dessas emendas, ou ao menos a maior transparĂŞncia delas, Ă aprovação da PEC que abre espaço no Orçamento 2022 para o AuxĂlio Brasil de R$ 400.
A relatoria do projeto que trará mais transparência ficaria a cargo do senador Marcelo Castro (MDB-PI) e a ideia é apresentar uma proposta que seja elaborada de forma conjunta entre o STF e o Congresso Nacional. Ele conta que, quando foi presidente da Comissão Mista de Orçamento em 2019, apresentou projeto sobre as emendas coletivas (divididas em bancadas estaduais e de comissões, sem teto de valor).
“Eu reapresentei o texto esse ano, que ainda não foi analisado. E aà o presidente (Rodrigo) Pacheco me indicou como relator desse projeto de resolução, que modifica toda a resolução de número um, que estabelece todo normativo para a confecção do Orçamento e todos os tipos de emendas”, disse.
“Obviamente o texto nĂŁo pode dar prejuĂzo para a administração pĂşblica e deve cumprir preceitos legais. Por essa razĂŁo, defendo a transparĂŞncia e publicidade dos dados dessas emendas”, complementou.
As emendas de relator foram distribuĂdas por governistas Ă s vĂ©speras de votações importantes no Congresso — a oposição argumenta que Ă© uma moeda de troca.
Os Poderes Legislativo e Judiciário seguem em ritmo de negociação sobre as emendas de relator desde que a ministra Rosa Weber determinou, em liminar, a suspensão dos pagamentos. Dias depois, o STF referendou a decisão por 8 votos a 2.
Apesar da distribuição das emendas ter ficado mais evidente na Câmara dos Deputados, o presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (PSB-MG) foi quem assumiu as negociações com o Judiciário. Ele se reuniu com o ministro Luiz Fux, presidente do STF, na última quarta-feira (17) para tratar do tema. Na ocasião, o senador defendeu dar maior transparência às emendas.
“Estamos estudando uma resolução, criada entre a Câmara e o Senado, para dar ainda mais publicidade ao tema, principalmente com detalhes da destinação dos recursos, que sĂŁo importantes para 210 milhões de brasileiros”, disse Pacheco.
PEC dos PrecatĂłrios
As emendas de relator sĂŁo alvo de um texto alternativo Ă PEC (Proposta de Emenda Ă Constituição) dos PrecatĂłrios, que Ă© uma prioridade do governo Bolsonaro para viabilizar o programa de transferĂŞncia de renda AuxĂlio Brasil de R$ 400 para 17 milhões de famĂlias, e que abre espaço no Orçamento limitado ao teto de gastos do governo.
De autoria dos senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE), JosĂ© AnĂbal (PSDB-SP) e Oriovisto GuimarĂŁes (Podemos-PR), o texto foi apresentado ao relator, Fernando Bezerra (MDB-PE), nesta quarta-feira (17), como alternativa ao aprovado pela Câmara dos Deputados.
Os senadores pedem o fim das emendas de relator e de comissĂŁo como condição para que os precatĂłrios de 2022 fiquem, excepcionalmente, fora do teto de gastos, o que abre espaço de cerca de R$ 90 bilhões no Orçamento, que seriam “carimbados” para gastos com o AuxĂlio Brasil ou benefĂcios da seguridade social.
O relator da PEC no Senado, no entanto, já admitiu que o tema não estará em seu relatório final, uma vez que a matéria não é constitucional.
“Vem, dentro da PEC, a proposta de retirar as emendas de relator. Eu acredito que a solução para esse desafio que está posto, a partir da decisão do Supremo Tribunal Federal, será enfrentar através dos embargos de declaração, que serão feitos pelas duas mesas, da Câmara e Senado, e na construção de projeto de resolução, que será relatado pelo senador Marcelo Castro, e que deverá ser apreciado após as negociações feitas pelos presidentes Arthur Lira e Rodrigo Pacheco”, contou Bezerra.
“Essas negociações nĂŁo vĂŁo merecer, por parte minha, do relator, de introduzir na PEC porque nĂŁo sĂŁo assuntos que tratam de matĂ©ria constitucional. É um projeto de resolução, nĂŁo Ă© nem lei. O instrumento Ă© esse e que está sendo construĂdo em diálogo com o STF e cuja articulação Ă© presidida por Pacheco e Lira.”

