A ex-parlamentar, atriz e modelo Alessandra Mussolini, neta do ditador fascista Benito Mussolini, consagrou-se vencedora da atual edição do Grande Fratello VIP, a versão do reality show “Big Brother” dedicada exclusivamente a concorrentes célebres na televisão italiana. A decisão do programa ocorreu na noite da última terça-feira (20).
Alessandra assegurou o primeiro lugar na disputa ao obter 55,95% dos votos do público na rodada final, superando a atriz Antonella Elia, sua concorrente direta pelo título. Com o resultado do escrutínio popular, a participante faturou o prêmio de 550 mil euros, montante que corresponde a aproximadamente R$ 3,3 milhões na cotação financeira atual.
Aos 63 anos, a trajetória pública de Alessandra Mussolini é marcada por uma transição oscilante entre o mercado do entretenimento e as estruturas do poder político em Roma. Antes de ingressar nos debates institucionais do país, ela trabalhou profissionalmente como atriz, cantora e modelo. Sua estreia na política partidária ocorreu em 2004, ocasião em que se converteu na primeira mulher a capitanear uma legenda política na Itália ao fundar o extinto partido conservador Ação Social.
O histórico ideológico de Alessandra Mussolini passou por uma reformulação profunda ao longo das últimas décadas. No início de sua carreira política, a ex-deputada empunhava bandeiras conservadoras e acumulou acusações formais de homofobia por parte de organizações civis. No parlamento, ela articulou oposição severa a projetos de lei que visavam autorizar a adoção de crianças por casais do mesmo sexo.
Nos últimos anos, contudo, a vencedora do reality show abandonou de forma pública as teses reacionárias e cessou a defesa ostensiva que fazia do legado histórico de seu avô. A mudança de posicionamento culminou em sua transformação em uma defensora dos direitos da comunidade LGBTQIA+ na Itália.
Atualmente, Alessandra utiliza seus canais de comunicação oficiais e suas aparições em redes de televisão para rechaçar as medidas de restrição civil adotadas pelo governo da primeira-ministra de direita Giorgia Meloni contra minorias sexuais. A guinada em seu discurso público foi sintetizada por ela em uma declaração de repercussão na imprensa europeia no ano de 2022: “Chega de sexo e sexualidade, todo mundo é tão fluido quanto quiser”.

