12/09/2026

Coprodução entre Brasil e Itália ganha prêmio de Melhor Filme no Festival de Veneza

Longa dirigido por Marco Bechis levou as estatuetas de Melhor Filme e Melhor Ator no Festival de Veneza

Por Redação ContilNet
Trama retrata os dramas de sobreviventes da ditadura militar argentina a partir de memórias do diretor/ Foto: Reprodução

O longa-metragem Retorno a Buenos Aires, dirigido pelo cineasta ítalo-argentino Marco Bechis, conquistou dois prêmios da crítica especializada durante a programação do Festival de Veneza. A obra levou a estatueta de Melhor Filme, enquanto o italiano Adriano Giannini venceu como Melhor Ator.

Os prêmios integram o Troféu Francesco Pasinetti 2026, concedido pelo Sindicato Nacional dos Jornalistas Cinematográficos Italianos. A obra é uma coprodução entre o Brasil e a Itália, articulada pela produtora brasiliense 34 Filmes, ao lado da Sombumbo, de André Ristum, e da Neocórtex, comandada por Cibele Amaral.

A exibição do filme ocorreu nesta sexta-feira (11) no festival italiano, encerrando a sessão sob 14 minutos ininterruptos de aplausos da plateia. Integrantes da equipe brasileira viajaram a Veneza para acompanhar a estreia.

O elenco do longa reúne atores brasileiros, como Paula Cohen, no papel da juíza Desideria Losada, e Eduardo Hoy, que interpreta a versão jovem do protagonista Mariano Guerra. A equipe técnica do país traz Eduardo Antunes na direção de arte, Alessandra Tosi na produção de elenco, Coca Serpa no figurino, Beto Rodrigues como produtor de linha e a dupla André Ristum e Patrick de Jongh na produção executiva.

A trama acompanha Mariano Guerra (Adriano Giannini), um médico italiano que retorna à Argentina em 2008, 33 anos após ser vítima de sequestro e tortura pelo regime militar do país. O objetivo da viagem é prestar depoimento no julgamento dos ex-militares envolvidos nos crimes.

Hospedado em dependências do Ministério da Justiça, em Buenos Aires, o protagonista reencontra antigos companheiros de cativeiro enquanto aguarda a convocação do tribunal. O convívio reacende memórias e dilemas guardados desde o período da repressão.

O enredo reflete a história pessoal do diretor Marco Bechis, que foi preso político durante a ditadura militar na Argentina. A conclusão das filmagens coincidiu com os 50 anos do golpe militar de 1976 no país vizinho.

A logística de produção incluiu três meses de preparação e quatro semanas de gravações em Porto Alegre, seguidas de outras três semanas de filmagens em Turim, no norte da Itália.

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