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Deolane justifica fortuna: “Trabalho desde os 12 anos”

Por Redação ContilNet 22/05/2026 às 08:16

Leonardo Amaro/Metrópoles e Reprodução

Influenciadora teve R$ 27 milhões bloqueados e é apontada como peça-chave em esquema de empresas de fachada; defesa alega “absoluta inocência”.

A Polícia Civil de São Paulo deflagrou a Operação Vérnix, resultando na prisão preventiva da advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra. A ação tem como foco principal desarticular um complexo braço financeiro voltado à lavagem de dinheiro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A Justiça paulista determinou o bloqueio de R$ 27 milhões das contas de Deolane, além do sequestro de veículos de luxo avaliados em cerca de R$ 3 milhões.

Segundo o Ministério Público e os relatórios policiais, o padrão de vida ostentado por Deolane nas redes sociais repleto de mansões, carros importados e joias mostra-se incompatível com seus rendimentos declarados. A investigação aponta que ela utilizava sua estrutura empresarial para dar aparência lícita a recursos oriundos de atividades criminosas da facção.

Em entrevistas anteriores, Deolane rebateu as suspeitas sobre a origem de seus bens:

“A minha vida vem de muito trabalho, desde muito nova. Eu trabalho desde os meus 12 anos de idade. Tudo que eu ganhava com a advocacia, eu usava para viajar, comprar coisas de grife. Fazia três, quatro flagrantes no dia, processos, audiências quase todo dia.”

A investigação contra a influenciadora aponta movimentações vultosas sem lastro econômico compatível | Foto: Leonardo Amaro/Metrópoles

Empresas de fachada no interior de SP

As investigações conduzidas pelo promotor de Justiça Lincoln Gakiya revelaram que Deolane teria aberto 35 empresas no mesmo endereço, na cidade de Martinópolis, no interior de São Paulo. A estratégia consistia no fracionamento e na abertura de múltiplas firmas, além de registros em endereços fictícios (como em Ribeirão Preto e Santa Anastácia), para pulverizar o patrimônio, confundir os órgãos de fiscalização e dificultar o rastreio do dinheiro.

A Operação Vérnix também cumpriu mandados contra o principal líder da facção, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e membros de seu núcleo familiar.

A origem da investigação: O bilhete da descarga

O desdobramento que levou à prisão da influenciadora teve início em 2019 de forma inusitada. Durante uma vistoria de rotina na Penitenciária II de Presidente Venceslau, agentes interceptaram manuscritos jogados na caixa de esgoto por detentos que tentaram dar descarga nos papéis.

Os bilhetes revelaram planos de atentados contra autoridades e faziam menção a uma “mulher da transportadora”, que fornecia dados de inteligência aos criminosos.

  • Operação Lado a Lado (2021): A polícia identificou uma transportadora suspeita colada ao presídio. A apreensão de celulares nessa fase revelou transações bancárias e vínculos comerciais estreitos entre gestores fantasmas da empresa e Deolane Bezerra.

  • Bloqueio Global: No total, o pedido conjunto da Polícia Civil e do Ministério Público resultou no bloqueio de mais de R$ 327 milhões de todos os investigados, além do recolhimento de 17 veículos de alto padrão.

Posição da Defesa

Em nota oficial, a assessoria jurídica de Deolane Bezerra afirmou sua “absoluta inocência” e classificou as medidas adotadas pela Justiça como “desproporcionais”. A banca de defesa informou que continuará cooperando tecnicamente com o Poder Judiciário para demonstrar a total licitude de suas atividades profissionais como advogada.

Por que Deolane Bezerra foi presa?

Deolane Bezerra foi presa preventivamente na Operação Vérnix, sob a suspeita de integrar um esquema de lavagem de dinheiro e ocultação de bens ligado à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

O que é a Operação Vérnix?

É uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo para desarticular a estrutura financeira de movimentação de capitais ilícitos do PCC, iniciada a partir de bilhetes interceptados em presídios.

Qual o valor do bloqueio judicial nas contas de Deolane?

A Justiça determinou o bloqueio individual de R$ 27 milhões das contas bancárias de Deolane Bezerra, além do sequestro de automóveis avaliados em R$ 3 milhões.

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