Defesa critica “cisma” das autoridades contra o funkeiro na Operação Narco Fluxo e afirma que relatórios usam deduções sem provas financeiras contra o artista.
Premiado internacionalmente e um dos maiores fenômenos do funk brasileiro, Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, conhecido nacionalmente como MC Poze do Rodo, continua enfrentando o estigma de ser tratado como um “suspeito eterno” pelas forças de segurança do país.
A declaração forte foi feita pelo advogado do artista, Fernando Henrique Cardoso Neves, em entrevista exclusiva concedida ao portal Metrópoles nesta quinta-feira (21/5).
Para a defesa, o racismo estrutural é o verdadeiro motor por trás da insistência policial em associar a riqueza do cantor ao crime organizado.
“Uma sociedade que é fundada no racismo observa uma pessoa igual ao Marlon e não consegue entendê-lo enquanto alguém capaz de auferir valores reais, valores lícitos de riqueza. Ou seja, se essa pessoa tem dinheiro, ela só pode ser bandida, esse dinheiro só pode ser sujo”, criticou duramente o advogado criminalista.
Defesa aponta “desinformação policial” e falta de provas financeiras
Alvo recente da Operação Narco Fluxo da Polícia Federal (PF), que investiga um suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro, Poze teve sua prisão revogada no último dia 14 de maio após a concessão de um habeas corpus pela 5ª Vara Federal de Santos (SP).
O advogado Fernando Neves classificou os relatórios que basearam a operação como peças de “desinformação”. Ele frisou que a investigação da PF não identificou nenhuma transação financeira direta entre as contas de Poze e as empresas de MC Ryan SP, apontado pela polícia como um dos líderes do ecossistema sob investigação.
O único elo citado foi uma transferência de R$ 300 mil feita pela produtora de Ryan para Ellyton Rodrigues Feitosa, empresário e sócio de Poze na gravadora EMPOZE. De acordo com a banca de defesa, a movimentação é lícita e inteiramente justificada por serviços prestados de publicidade e contratos artísticos. No habeas corpus, o advogado pontuou que o relatório da PF usa termos vagos como “supostamente” e “possíveis”, o que configura uma “ilação da ilação”, recurso jurídico frágil e desproporcional para sustentar uma ordem de prisão.
Histórico de absolvições no Rio de Janeiro
A insistência em colar a imagem de Poze do Rodo a facções criminosas como o Comando Vermelho (CV) também foi rebatida pelo defensor. Neves relembrou que o funkeiro já foi amplamente investigado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro e acabou totalmente absolvido pela Justiça fluminense em agosto de 2024 dos crimes de associação ao tráfico e apologia.
Na ocasião, o Judiciário entendeu que a realização de shows em comunidades dominadas pelo tráfico de drogas decorre da natureza do trabalho do artista de periferia, e não representa prova de qualquer envolvimento dele com a engrenagem do crime organizado.
Por que MC Poze do Rodo foi preso recentemente?
O cantor foi preso temporariamente no âmbito da Operação Narco Fluxo da Polícia Federal, que investiga crimes de lavagem de dinheiro no meio musical. Ele foi solto em 14 de maio de 2026 após sua defesa conseguir um habeas corpus.
O que diz o advogado de MC Poze sobre a operação?
O advogado Fernando Henrique Cardoso Neves afirma que a prisão foi injusta e baseada em racismo estrutural e “desinformação policial”. Segundo ele, a PF não encontrou nenhuma transferência bancária suspeita ligando Poze diretamente ao esquema de desvio de verbas.
MC Poze foi absolvido de envolvimento com facções?
Sim. Em agosto de 2024, a Justiça do Rio de Janeiro absolveu MC Poze das acusações de associação ao tráfico e apologia criminosa, determinando que realizar shows em comunidades não prova ligação com facções.

