Última conversa: Guia de Juliana Marins na IndonĂ©sia relata desespero e acusaçÔes

Ali Musthofa, acusado de abandonar a brasileira, conta os detalhes do Ășltimo contato com Juliana e sua luta contra as acusaçÔes de negligĂȘncia

Por Marina, ContilNet 01/08/2025 Ă s 17:07
Instagram/Reprodução

Acusado de abandonar Juliana Marins na trilha do vulcĂŁo Rinjani, na IndonĂ©sia, o guia Ali Musthofa, de 20 anos, recordou sua Ășltima conversa com a brasileira e desabafou sobre as dificuldades que enfrenta desde que a turista morreu apĂłs escorregar em uma vala e cair pela fenda.

Em entrevistas a dois influenciadores — um indonĂ©sio e um brasileiro —, o rapaz contou que a publicitĂĄria contratou um “pacote compartilhado” para o passeio, apesar de lhe ter sido oferecido um acompanhamento individual, que custa cerca de US$ 100 (R$ 560 na cotação atual), por conta de sua inexperiĂȘncia. Ela, porĂ©m, recusou.

“A Juliana era a mais lenta, vi que ela estava muito cansada. Mas, no pacote compartilhado, eu tinha seis pessoas. Os demais seguiram adiante. Fiquei preocupado com o grupo da frente, porque, quando vocĂȘ chega e sai do cume do Rinjani, Ă© muito perigoso”, recordou Ali Musthofa.

Instagram/Reprodução

Relato da Ășltima conversa

Ainda no bate-papo com o produtor de conteĂșdo indonĂ©sio Denny Sumargo, no YouTube, o guia ainda lembrou a Ășltima conversa com Juliana Marins: “Eu disse para ela: ‘VocĂȘ pode esperar aqui. Eu sĂł quero checar como eles estĂŁo lĂĄ na frente. Eu vou te esperar lá’. Eu esperei 30 minutos, e ela nĂŁo chegou”, detalhou, antes de completar:

“Voltei ao Ășltimo lugar e nĂŁo encontrei nada, mas vi uma lanterna a 150 metros para baixo. Tive a sensação de que era a Juliana. Eu entrei em pĂąnico”, lembrou.

E seguiu relatando: “Eu fiquei lá o tempo todo, porque continuava dando apoio para a Juliana. Eu gritava para ela lá de cima, para ela esperar, e nunca, nunca se mover. Ela só conseguia dizer ‘help me’ [me ajude, em tradução livre]”.

Pedido de desculpa e a revolta da famĂ­lia

Logo depois, o rapaz assumiu que gostaria de se desculpar: “Sim [tinha esperança de que ela sobrevivesse]. E tambĂ©m queria poder pedir desculpas a ela. Pelo menos ter a chance de dizer ‘me desculpe’”, desabafou.

O pedido de desculpa aconteceu durante um encontro com a famĂ­lia da brasileira: “Encontrei o pai e a irmĂŁ dela na embaixada do Brasil. Informei sobre a queda da Juliana, dei a cronologia dos fatos e pedi desculpas a eles tambĂ©m. Eles ficaram com raiva. Eu disse que aceito qualquer consequĂȘncia. Falei com sinceridade, que fiz tudo o que pude para salvar a Juliana, mas, infelizmente, Deus quis diferente”, disse.

Em outra conversa, desta vez com o influencer Brunno Tavarez, Ali Musthofa relatou ter ouvido do pai de Juliana a frase “vocĂȘ matou minha filha” e ter ficado em silĂȘncio. O guia afirmou, ainda, que estĂĄ afastado do trabalho e foi impedido de visitar, mesmo como turista, o Monte Rinjani.

“Agora eu nĂŁo sei o que vou fazer. Eu sĂł fico aqui em casa, no quarto, vendo vĂ­deos. Porque eu nĂŁo sei
 NĂŁo sei o que fazer. Agora eu preciso esperar atĂ© que tudo esteja resolvido. E espero poder voltar a fazer trilhas no Rinjani de novo, se tudo se resolver. Sinto falta daquele lugar. Sinto falta do vulcĂŁo. Eu sĂł queria ir lĂĄ como turista, na verdade, mas nĂŁo Ă© possĂ­vel”, encerrou.


Fonte: MEtrĂłpoles

Redigido por Contilnet.

ConteĂșdo Original / Fonte: Redação

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