Uma disputa familiar que poderia ser apenas mais um conflito por herança ganhou contornos incomuns ao envolver descendentes da antiga Família Imperial Brasileira, um palácio histórico em Petrópolis (RJ) e uma batalha judicial que já mobilizou polícia, advogados e decisões da Justiça.
No centro da controvérsia está o Palácio do Grão-Pará, imóvel tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e avaliado em cerca de R$ 70 milhões. O local é alvo de uma disputa entre integrantes da família Orléans e Bragança, descendente da princesa Isabel e da monarquia brasileira.
O príncipe Dom Pedro Tiago de Orléans e Bragança afirma ter sido impedido de entrar no imóvel no último dia 9 de junho. Segundo seu relato, ele saiu para realizar atividades físicas e, ao retornar, encontrou as fechaduras trocadas. O herdeiro diz que seguranças contratados por uma imobiliária impediram seu acesso ao local, onde afirma residir desde o nascimento.
A situação escalou rapidamente e exigiu intervenção policial. De acordo com a versão apresentada pelo príncipe, houve utilização de gás lacrimogêneo durante a confusão.
Empresa proprietária reúne parentes do herdeiro
O caso chama ainda mais atenção porque a proprietária do imóvel é a Companhia Imobiliária de Petrópolis, empresa que possui entre seus sócios familiares do próprio Dom Pedro Tiago, incluindo seu pai, tios e outros descendentes da antiga família imperial.
Após o episódio, a Justiça de Petrópolis concedeu uma liminar favorável ao herdeiro, permitindo seu retorno ao palácio. No entanto, ao voltar ao imóvel, ele afirmou ter encontrado a residência sem diversos pertences pessoais.
Entre os itens que, segundo o príncipe, desapareceram estão roupas, bicicletas, um tablet e um automóvel.
Processo de usucapião amplia disputa
Além da ação possessória, outro processo corre paralelamente na Justiça. Dom Pedro Tiago ingressou com uma ação de usucapião sobre o imóvel, alegando direitos sobre a propriedade onde vive há décadas.
Nos bastidores, a disputa estaria relacionada à possibilidade de venda do palácio, considerado um dos imóveis históricos mais importantes de Petrópolis. O edifício integra o patrimônio cultural brasileiro e permanece ligado à história da monarquia mesmo após mais de um século da Proclamação da República.
A defesa do herdeiro sustenta que ele pretende preservar o imóvel dentro da família e contesta qualquer tentativa de afastá-lo da propriedade.
Patrimônio histórico no centro do conflito
Construído no século XIX, o Palácio do Grão-Pará é um dos símbolos da presença da família imperial em Petrópolis. O imóvel possui proteção federal desde 1930 e integra o conjunto arquitetônico histórico da cidade serrana fluminense.
Em declarações divulgadas por sua defesa, Dom Pedro Tiago classificou a situação como dolorosa e afirmou carregar o peso do legado histórico da família.
A disputa agora segue nos tribunais, onde serão analisadas tanto as questões possessórias quanto o pedido de usucapião, enquanto o futuro de um dos mais conhecidos imóveis históricos ligados à antiga monarquia brasileira permanece indefinido.


