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Desbarrancamento ameaça casas após vazante do Rio Juruá

Por José Halif, ContilNet 20/05/2026 às 15:08

O avanço do desbarrancamento já afeta pelo menos cinco famílias, segundo a Defesa Civil Municipal. — Foto: Reprodução

Após a enchente que levou o Rio Juruá a atingir a marca de 14,22 metros, a vazante passou a revelar novos problemas em áreas ribeirinhas de Cruzeiro do Sul. O avanço do desbarrancamento já afeta pelo menos cinco famílias, segundo a Defesa Civil Municipal.

De acordo com o coordenador da Defesa Civil, Júnior Damasceno, equipes realizam vistorias em pontos considerados críticos e já confirmaram cinco residências diretamente atingidas pelo processo de erosão do solo, com risco iminente de desabamento.

“Agora a gente está com base concreta nas nossas vistorias. Visualmente, temos cinco casas atingidas e com risco de desbarrancamento. Hoje estamos fazendo o desmanche de uma residência nos fundos, porque ela já está praticamente na beira do assoalho da casa. O barranco já compromete totalmente a estrutura, causando risco à família”, explicou.

Segundo ele, a família que morava no imóvel já foi retirada do local e encaminhada para o aluguel social, recebendo apoio do município. A retirada controlada da estrutura busca preservar parte do material da casa para possível reaproveitamento em uma futura reconstrução em área segura.

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Além dessa residência, outras quatro casas seguem em fase de vistoria e podem passar por remoção preventiva nos próximos dias.

“Temos mais quatro casas em fase de vistoria. Uma delas provavelmente amanhã já vamos iniciar o desmanche, porque também está muito próxima da beira do barranco. A ideia é evitar qualquer tipo de acidente e garantir a segurança das famílias”, acrescentou.

Júnior Damasceno destacou ainda que o problema vem se agravando ao longo dos anos devido à dinâmica natural do rio. Segundo ele, somente neste período já houve avanço superior a 20 metros de erosão em determinados trechos.

“No começo do ano já retiramos uma casa do solicitante Adriano, que praticamente não tem mais barranco no local. É uma área que a cada ano fica mais comprometida com a subida e descida do nível do rio. Esse ano tivemos mais de 20 metros de assoreamento nessa região”, afirmou.

Equipes realizam vistorias em pontos considerados críticos. — Foto: Reprodução

Moradora teme perder a casa

Entre as famílias afetadas está a moradora Maria Jane, de 41 anos, que vive na zona urbana de Cruzeiro do Sul com os quatro filhos. Ela relata preocupação constante com o avanço do barranco próximo à residência.

“O barranco tá chegando próximo da minha casa e eu tô preocupada. Tem noite que eu perco o sono pensando no barranco”, disse.

Maria Jane contou que deixou a zona rural para garantir os estudos dos filhos na cidade, mas agora teme não ter condições financeiras para se mudar novamente.

“Eu não tenho condições de comprar um terreno, eu queria a ajuda de um terreno”, relatou.

Segundo ela, a erosão avançou rapidamente após o período de cheia e vazante do Rio Juruá.

“Avançou mesmo. Depois que eu cheguei aqui começou a quebrar. Esse pé de limão ficava lá longe, na beira do rio. Agora começou a quebrar”, explicou.

A moradora afirma que a distância entre a casa e a margem do rio diminuiu drasticamente nos últimos meses.

“Levou muita terra e tá em risco o barranco de carregar minha casa”, afirmou.

Ela informou ainda que a família sobrevive apenas com o benefício do Bolsa Família e não possui condições financeiras de adquirir outro terreno.

“Não tenho recurso de comprar um terreno”, concluiu.

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