Empresa que construiu ponte de Sena já fez várias outras no Acre; saiba quais

Construtora Cidade assina projetos que ligam regiões isoladas do estado há duas décadas e também é responsável pela futura 6ª ponte de Rio Branco

Por Matheus Mello, ContilNet 08/06/2026 às 10:54

O desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, na última sexta-feira (6), colocou novamente sob os holofotes a Construtora Cidade, empresa responsável pela obra inaugurada há cerca de dois anos e meio e que agora está no centro das investigações sobre as causas do colapso da estrutura.

Levantamento realizado pelo ContilNet nesta segunda-feira (8), com base em informações divulgadas no site oficial da empresa, mostra que a construtora participou da execução de algumas das mais importantes pontes já construídas no Acre nas últimas duas décadas. As obras estão espalhadas por diferentes regiões do estado e foram fundamentais para a integração rodoviária entre municípios, além da ligação entre bairros e regiões urbanas.

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Atualmente, a empresa também é responsável pela construção da futura 6ª ponte sobre o Rio Acre, em Rio Branco, obra que integra o Arco Metropolitano da capital.

Das grandes pontes do interior às travessias da capital

Entre os empreendimentos executados pela Construtora Cidade está a 3ª Ponte sobre o Rio Acre, em Rio Branco, inaugurada em 2006 durante a gestão do então governador Jorge Viana.

Empresa que construiu ponte de Sena já fez várias outras no Acre; saiba quais

Ponte fica localizada na Via Verde/Foto: Google Maps

Com 200 metros de extensão e 20 metros de largura, a estrutura passou a integrar o complexo viário da Via Verde, corredor que mudou a dinâmica do trânsito na capital ao retirar parte do fluxo de caminhões e veículos pesados da região central. À época, o conjunto de obras recebeu investimentos superiores a R$ 28 milhões.

Outro projeto de destaque foi a construção da Ponte da União, sobre o Rio Juruá, em Cruzeiro do Sul. Inaugurada em 2011, a estrutura possui cerca de 550 metros de extensão e é considerada uma das obras de engenharia mais relevantes da história do Acre.

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Ponte é a única do país projetada com sistema de proteção contra abalos sísmicos/Foto: Reprodução

Além de conectar definitivamente os dois lados da cidade, a ponte ganhou notoriedade nacional por ser apontada como a única do país projetada com sistema de proteção contra abalos sísmicos, uma característica adotada em razão das particularidades geológicas da região.

A empresa também participou da construção da ponte sobre o Rio Purus, em Manoel Urbano, inaugurada em 2010. Com aproximadamente 407 metros de extensão, a estrutura integra a BR-364 e é considerada estratégica para a ligação terrestre entre municípios acreanos.

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Estrutura foi inaugurada em 2010/Foto: Reprodução

Em Feijó, a construtora também executou a ponte sobre o Rio Envira, outra obra voltada à ampliação da infraestrutura logística do estado.

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Ponte fica localizada em Feijó/Foto: Reprodução

Duas pontes sobre o Rio Acre em Rio Branco

A presença da Construtora Cidade nas principais travessias da capital não se limita à Via Verde.

Em 2010, a empresa participou da construção da 4ª Ponte sobre o Rio Acre, ligação entre as regiões da Avenida Amadeo Barbosa e do Segundo Distrito. A obra integrou um complexo viário financiado com recursos do Tesouro Estadual e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

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Ela faz parte do Complexo da Amadeu Barbosa/Foto: Reprodução

Somente a ponte consumiu cerca de R$ 31 milhões em investimentos. Com 290 metros de extensão e quase 20 metros de largura, a estrutura foi construída em concreto protendido, tecnologia utilizada para aumentar a resistência e a durabilidade da obra.

O empreendimento também viabilizou a implantação dos primeiros viadutos da história de Rio Branco.

Passarela Joaquim Macedo também está na lista

Outro cartão-postal da capital acreana associado à empresa é a Passarela Joaquim Macedo, inaugurada em outubro de 2006.

A estrutura estaiada para pedestres e ciclistas liga o Novo Mercado Velho ao Calçadão da Gameleira, atravessando o Rio Acre em uma das áreas mais tradicionais de Rio Branco.

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Imagens da obra/ Foto: Ascom

Nos últimos anos, entretanto, a passarela passou a enfrentar problemas estruturais e acabou sendo interditada.

Em 2024, o coordenador da Defesa Civil Estadual, coronel Carlos Batista, informou que as sucessivas cheias e vazantes do Rio Acre provocaram movimentações no solo da região, afetando a estabilidade da estrutura e de aproximadamente 270 metros do calçadão do Novo Mercado Velho.

Desde então, o espaço permanece fechado ao público.

Nova ponte da capital já começou a sair do papel

Enquanto o desabamento da Ponte Frei Paolino é investigado, a Construtora Cidade já iniciou os trabalhos da futura 6ª ponte de Rio Branco.

No último dia 3 de junho, o Deracre anunciou o começo dos serviços de implantação do canteiro de obras, limpeza da área e abertura dos acessos do empreendimento, que fará a ligação entre o Belo Jardim e a região do Quixadá.

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Maquete digital da 6ª ponte. — Foto: Ascom/Deracre

A obra integra o Arco Metropolitano e possui prazo contratual de 24 meses. Documentos obtidos pelo ContilNet mostram que a empresa foi considerada apta pelo Deracre durante a fase de habilitação da licitação e apresentou proposta de R$ 73,7 milhões para execução do lote que inclui a nova travessia.

Empresa atribui desabamento a fenômeno natural

Em nota divulgada após o desabamento da Ponte Frei Paolino, a Construtora Cidade afirmou que a estrutura foi executada de acordo com as normas técnicas de engenharia e que permaneceu em operação sem registros anteriores de problemas estruturais que indicassem risco de colapso.

Segundo a empresa, equipes técnicas identificaram nos últimos dias movimentações significativas de solo em uma área de aproximadamente 16 mil metros quadrados ao redor da ponte, fenômeno que teria avançado rapidamente antes da queda da estrutura.

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Ponte de Sena Madureira desabou na última sexta/Foto: Gleison José/ContilNet

A construtora informou ainda que recomendou formalmente ao Deracre a interdição total da ponte na quinta-feira (4), um dia antes do desabamento.

De acordo com a empresa, as avaliações preliminares apontam indícios de um processo conhecido como “terras caídas”, fenômeno geotécnico associado à erosão das margens dos rios e às variações naturais do nível das águas.

A empresa afirma que especialistas das áreas de geotecnia, hidrologia, fundações e estruturas seguem realizando estudos para determinar as causas do colapso e que continuará colaborando com os órgãos responsáveis pela apuração do caso.

Conteúdo Original / Fonte: Matheus Mello, ContilNet

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