A estudante de Medicina Vitória Caroline Marangoni Schneider, de 29 anos, presa suspeita de atropelar e matar o idoso Odair Brustolin, de 68 anos, na última quarta-feira (1º), em Porto Velho (RO), teria enviado áudios após o crime com conteúdo de ameaça e a afirmação “eu avisei”, segundo mensagens atribuídas a ela e divulgadas por pessoas próximas ao caso.
Em um dos áudios, a mulher faz referência a discussões anteriores e diz que teria advertido moradores antes da ação. O conteúdo também traz ofensas direcionadas a integrantes de um grupo e menção ao episódio que terminou com a morte do idoso.
No registro, ela afirma: “Eu avisei dez vezes. Se não parasse de chamar de louca… eu ia atropelar, que eu ia passar pelo portão”. Em outro trecho, há xingamentos e novas referências ao conflito com moradores do prédio.
As mensagens passam a ser analisadas no contexto da investigação conduzida pela Polícia Civil de Rondônia.
OUÇA:
Crime ocorreu após discussão na rua
De acordo com testemunhas, o caso começou com uma discussão entre a suspeita e vítimas em via pública. Em seguida, ela teria entrado no carro e avançado contra uma residência onde estava Odair Brustolin.
Imagens registradas por vizinhos mostram o veículo tentando atingir o imóvel em um primeiro momento. Logo depois, a motorista engata marcha à ré, acelera novamente e invade a casa, atingindo o idoso.
Odair foi socorrido e levado a uma unidade hospitalar, mas não resistiu aos ferimentos. Após o atropelamento, a suspeita tentou deixar o local, mas foi contida por moradores até a chegada da Polícia Militar. Ela foi presa em flagrante e encaminhada ao Departamento de Flagrantes.
Histórico de prisão por embriaguez ao volante
A investigação também considera o histórico da estudante. Em maio de 2025, ela havia sido presa por dirigir embriagada em Porto Velho. Após audiência de custódia, foi solta provisoriamente e passou a cumprir medidas impostas pela Justiça, como suspensão da carteira de motorista e proibição de frequentar bares.
Posteriormente, ela firmou um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), mecanismo aplicado em casos sem violência, no qual o investigado admite o erro e cumpre condições para evitar a abertura de processo criminal. Ela pagou multa de cerca de R$ 1,5 mil.
Com o cumprimento das exigências, as restrições foram retiradas em fevereiro deste ano e o caso foi arquivado em abril.
Outras denúncias são apuradas
Segundo o boletim de ocorrência, há ainda relatos de que a suspeita teria tentado atropelar outras pessoas em situações anteriores. Familiares da vítima entregaram materiais à polícia que, segundo eles, comprovariam ocorrências semelhantes. Esse material foi anexado ao inquérito e será analisado.
A Polícia Civil deve ouvir testemunhas e avaliar as imagens e documentos reunidos para esclarecer a dinâmica do crime e eventuais antecedentes.
A defesa da estudante ainda não se manifestou. O Tribunal de Justiça de Rondônia e o Ministério Público também foram procurados, mas não haviam respondido até a última atualização.

