12/08/2026

Justiça do Acre adota protocolo inédito para blindar robô do TJAC contra ‘hackers da IA’

A partir de agora, o sistema realiza uma varredura automática nos documentos judiciais, utilizando filtros de contraste capazes de identificar textos camuflados ou técnicas de ocultação de caracteres

Por Redação ContilNetAtualizado
Sede do Tribunal de Justiça do Acre/Foto: Reprodução

O avanço da inteligência artificial trouxe celeridade para os tribunais, mas também acendeu o sinal de alerta para novas e sofisticadas ameaças tecnológicas ao redor do mundo. Antecipando-se a esse cenário de risco, o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) oficializou a adesão ao Protocolo de Segurança e Proteção à Inteligência Jurídica (PSPIJ). A medida preventiva tem como objetivo blindar os sistemas da corte acreana contra o chamado “Prompt Oculto” (Prompt Injection), uma tática invisível debatida por especialistas em segurança digital que consiste em tentar manipular decisões automatizadas.

A ameaça teórica funciona de forma silenciosa e desafia a percepção humana tradicional. Na prática, fraudadores digitais utilizam brechas em sistemas de inteligência artificial para inserir comandos ocultos no fundo de arquivos de texto ou petições. Através de técnicas como a digitação de ordens com letras na mesma cor do fundo da página (como texto branco sobre papel digital branco) ou em tamanhos microscópicos, o conteúdo fica imperceptível para um juiz humano. No entanto, ao processar o documento, a Inteligência Artificial faz a leitura completa dos códigos e pode acabar absorvendo as instruções secretas.

O foco dessa blindagem preventiva no Acre é proteger a ferramenta ADA, a assistente virtual de inteligência artificial desenvolvida pelo TJAC para otimizar os fluxos de trabalho, realizando a triagem e o resumo de milhares de páginas processuais. Com o protocolo, o tribunal evita que eventuais tentativas de “Prompt Oculto” façam a ADA desconsiderar argumentos de uma das partes ou sugerir minutas de decisões tendenciosas de maneira automática. A segurança garante que o resumo mastigado que chega à tela do magistrado seja totalmente fiel aos fatos, sem qualquer risco de interferência digital externa.

Ao adotar o PSPIJ, a Justiça do Acre cria uma espécie de alfândega eletrônica antes mesmo que os arquivos protocolados cheguem ao “cérebro” da robô ADA. A partir de agora, o sistema realiza uma varredura automática nos documentos judiciais, utilizando filtros de contraste capazes de identificar textos camuflados ou técnicas de ocultação de caracteres. Além disso, o mecanismo limpa os metadados dos arquivos e impede que instruções externas se sobreponham às diretrizes institucionais estabelecidas pelo tribunal.

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