A possibilidade de um novo e intenso episódio do El Niño já preocupa cientistas e especialistas do setor elétrico brasileiro. Projeções internacionais indicam que o fenômeno pode atingir a categoria “muito forte” entre o fim de 2026 e o início de 2027, cenário que pode provocar secas, alterar o regime de chuvas e aumentar a pressão sobre a conta de luz dos brasileiros. As informações são do Diário do Comércio
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estima uma probabilidade de 63% de que o fenômeno alcance níveis considerados extremos entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Se a previsão se confirmar, o evento poderá figurar entre os mais intensos registrados desde 1950, ao lado dos episódios de 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016.
O El Niño é provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, alterando a circulação atmosférica e influenciando diretamente o clima em diversas partes do mundo. No Brasil, seus efeitos costumam incluir secas prolongadas em algumas regiões, enchentes em outras e ondas de calor mais frequentes e intensas.
Os modelos climáticos apontam que a temperatura do oceano poderá ultrapassar em mais de 2°C a média histórica, condição suficiente para caracterizar o chamado “super El Niño”, termo usado por especialistas para descrever os eventos de maior intensidade.
Apesar do alerta, o Brasil inicia esse ciclo em uma situação relativamente confortável. Os reservatórios das hidrelétricas do Nordeste operam entre 95% e 100% da capacidade, enquanto os sistemas do Sudeste e Centro-Oeste, responsáveis por cerca de 70% do armazenamento hídrico nacional, também apresentam níveis considerados estáveis.
No entanto, especialistas alertam que esse cenário pode gerar uma falsa sensação de segurança. Isso porque o país ainda enfrenta reflexos da seca histórica registrada entre 2023 e 2024, considerada a mais extensa dos últimos 70 anos e que atingiu mais de 80% dos municípios brasileiros.
Pesquisadores destacam que rios, solos e ecossistemas ainda carregam consequências desse período, o que pode aumentar a vulnerabilidade do país diante de um novo evento climático extremo.
Uma nota técnica divulgada em abril de 2026 por órgãos como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) reforça a elevada probabilidade de permanência do fenômeno ao longo do segundo semestre deste ano e nos primeiros meses de 2027.
Enquanto os possíveis impactos futuros seguem sendo monitorados, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já projeta um aumento médio de 8,6% nas tarifas de energia em 2026. O reajuste supera as estimativas de inflação e é atribuído, principalmente, ao aumento dos custos da geração de energia e da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo que financia subsídios e políticas públicas do setor.
