Venezuelano declara “ruptura da ordem constitucional”

Por AgĂȘncia Brasil 24/10/2016 Ă s 05:59 Atualizado: hĂĄ 9 anos

A Assembleia Nacional (Parlamento) da Venezuela aprovou hoje (24) um acordo declarando que o governo do presidente NicolĂĄs Maduro impulsionou “uma ruptura da ordem constitucional” ao suspender a realização de um referendo para revogar o mandato presidencial.

Segundo o Parlamento, a ruptura ocorreu por meio de instituiçÔes como o Supremo Tribunal de Justiça, o Conselho Nacional Eleitoral e sete tribunais regionais, em uma situação que a oposição interpreta como “golpe de Estado” e a instauração de “uma ditadura”.

O texto foi aprovado com o voto favoråvel da maioria parlamentar opositora. A aprovação ocorreu cinco horas após o início do debate, interrompido durante meia hora por simpatizantes do regime que entraram no local e levaram uma cùmera do canal de televisão Globovisión. O incidente deixou pelo menos um ferido.

Segundo o texto do acordo, a que a agĂȘncia Lusa teve acesso, a Assembleia Nacional decidiu ainda “solicitar Ă  comunidade internacional que ative todos os mecanismos necessĂĄrios para garantir os direitos do povo da Venezuela, em especial o direito Ă  democracia”.

Foi tambĂ©m decidido “formalizar uma denĂșncia, perante o Tribunal Penal Internacional e demais organizaçÔes competentes, contra os juĂ­zes [dos tribunais venezuelanos] e as reitoras do Conselho Nacional Eleitoral, responsĂĄveis pela suspensĂŁo do processo de referendo revogatĂłrio, e [contra] os demais funcionĂĄrios responsĂĄveis pela perseguição polĂ­tica ao povo” venezuelano.

O Parlamento quer avançar, “de imediato e segundo os mecanismos constitucionais”, com a designação dos reitores principais e suplentes do Conselho Nacional Eleitoral, para “garantir o respeito” ao direito de voto dos venezuelanos. Os reitores foram designados provisoriamente em dezembro de 2014 e o seu perĂ­odo de trabalho termina no prĂłximo mĂȘs de dezembro.

Por outro lado, pretende-se substituir com urgĂȘncia os magistrados do Supremo Tribunal de Justiça (designados pelo regime chavista em dezembro de 2015), para “garantir a independĂȘncia de poderes e o respeito ao Estado de Direito”.

A assembleia vai iniciar um processo “para determinar a situação constitucional da PresidĂȘncia da RepĂșblica”, a fim de definir se o presidente NicolĂĄs Maduro tem nacionalidade colombiana. Uma sessĂŁo especial foi convocada para esta terça-feira( 25), “para avaliar e decidir sobre a matĂ©ria”, como afirmam os opositores.

Uma comissĂŁo especial serĂĄ criada para “restituir a ordem constitucional” e exigir Ă s Forças Armadas que “nĂŁo obedeçam nem executem qualquer ato ou decisĂŁo que sejam contrĂĄrios aos princĂ­pios constitucionais ou prejudiquem direitos fundamentais do povo.

No acordo, a população Ă© convocada para defender de maneira “ativa e constante” a “Constituição, a democracia e o Estado de Direito atĂ© conseguir que seja restituĂ­da a ordem constitucional”.

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