
Assembleia Nacional da Venezuela
A Assembleia Nacional (Parlamento) da Venezuela aprovou hoje (24) um acordo declarando que o governo do presidente NicolĂĄs Maduro impulsionou “uma ruptura da ordem constitucional” ao suspender a realização de um referendo para revogar o mandato presidencial.
Segundo o Parlamento, a ruptura ocorreu por meio de instituiçÔes como o Supremo Tribunal de Justiça, o Conselho Nacional Eleitoral e sete tribunais regionais, em uma situação que a oposição interpreta como “golpe de Estado” e a instauração de “uma ditadura”.
O texto foi aprovado com o voto favorĂĄvel da maioria parlamentar opositora. A aprovação ocorreu cinco horas apĂłs o inĂcio do debate, interrompido durante meia hora por simpatizantes do regime que entraram no local e levaram uma cĂąmera do canal de televisĂŁo GlobovisiĂłn. O incidente deixou pelo menos um ferido.
Segundo o texto do acordo, a que a agĂȘncia Lusa teve acesso, a Assembleia Nacional decidiu ainda “solicitar Ă comunidade internacional que ative todos os mecanismos necessĂĄrios para garantir os direitos do povo da Venezuela, em especial o direito Ă democracia”.
Foi tambĂ©m decidido “formalizar uma denĂșncia, perante o Tribunal Penal Internacional e demais organizaçÔes competentes, contra os juĂzes [dos tribunais venezuelanos] e as reitoras do Conselho Nacional Eleitoral, responsĂĄveis pela suspensĂŁo do processo de referendo revogatĂłrio, e [contra] os demais funcionĂĄrios responsĂĄveis pela perseguição polĂtica ao povo” venezuelano.
O Parlamento quer avançar, “de imediato e segundo os mecanismos constitucionais”, com a designação dos reitores principais e suplentes do Conselho Nacional Eleitoral, para âgarantir o respeitoâ ao direito de voto dos venezuelanos. Os reitores foram designados provisoriamente em dezembro de 2014 e o seu perĂodo de trabalho termina no prĂłximo mĂȘs de dezembro.
Por outro lado, pretende-se substituir com urgĂȘncia os magistrados do Supremo Tribunal de Justiça (designados pelo regime chavista em dezembro de 2015), para “garantir a independĂȘncia de poderes e o respeito ao Estado de Direito”.
A assembleia vai iniciar um processo “para determinar a situação constitucional da PresidĂȘncia da RepĂșblica”, a fim de definir se o presidente NicolĂĄs Maduro tem nacionalidade colombiana. Uma sessĂŁo especial foi convocada para esta terça-feira( 25), “para avaliar e decidir sobre a matĂ©ria”, como afirmam os opositores.
Uma comissĂŁo especial serĂĄ criada para ârestituir a ordem constitucionalâ e exigir Ă s Forças Armadas que “nĂŁo obedeçam nem executem qualquer ato ou decisĂŁo que sejam contrĂĄrios aos princĂpios constitucionais ou prejudiquem direitos fundamentais do povo.
No acordo, a população Ă© convocada para defender de maneira “ativa e constante” a “Constituição, a democracia e o Estado de Direito atĂ© conseguir que seja restituĂda a ordem constitucional”.

