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Sesacre teria omitido surto de Doença de Chagas em comunidade de Feijó dias antes de festival

Por RÉGIS PAIVA, DA CONTILNET

Um e-mail enviado pela Secretaria de Saúde (Sesacre) para o deputado estadual Heitor Júnior confirmou a existência de um surto da Doença de Chagas na cidade de Feijó. Quinze casos positivos da Doença de Chagas foram detectados em uma comunidade rural. A nota da Sesacre vai na contramão às informações oficiais de não haver registros da doença na cidade.

O próprio documento da Sesacre inicia com a expressão “surto de 15 casos da Doença de Chagas Aguda” identificado na Comunidade Alto Alegre, em Feijó. Como o surto foi identificado próximo ao Festival do Açaí, as providências foram apenas no sentido de coletar amostras durante o evento e enviar para análise no laboratório Adolfo Lutz, em São Paulo. As cinco amostras apresentaram contaminação positiva.

População não foi avisada dos riscos

Sem que houvesse qualquer aviso aos consumidores a respeito do surto da doença na cidade e, principalmente, localizado em região produtora do fruto, a festividade foi mantida. Como os resultado da contaminação do suco comercializado com a contaminação, centenas ou mesmo milhares de pessoas podem ter sido contaminadas.

O próprio documento da Sesacre admite que o surto foi detectado próximo da festividade, sendo esta considerada muito importante para a economia do município. Mesmo após a comprovação da contaminação durante o evento, a Sesacre não tomou qualquer providência em relação às pessoas supostamente contaminadas.

Maior parte dos infectados não apresentam sintomas

A Doença de Chagas se caracteriza pelos sintomas mudarem ao longo do processo infeccioso. Na fase inicial, eles podem não estar presentes ou podem ser: febre, gânglios linfáticos aumentados (ínguas), dor de cabeça e inchaço no local da mordida. Como a maioria das contaminações na Amazônia se dá por via oral, esta última recomendação não é obrigatória.

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Mas o problema maior é que após um período variável de 8 a 12 semanas, os indivíduos entram na fase crônica da doença e em 60-70% nunca desenvolvem outros sintomas. Os 30 a 40% restantes apresentam sintomas adicionais em um período de tempo variável entre 10 a 30 anos após a infecção inicial.

Isso representa dizer que uma boa parte das pessoas que consumiram o açaí de Feijó durante a festa devem ficar atentas aos sintomas e, caso sejam detectados, procurar imediatamente uma unidade de saúde e informar da suspeita.

Eliane Sinhasique cobra responsabilidades

Para a deputada Eliane Sinhasique, a atuação do governo do Estado foi igual ao do filme “Tubarão”, quando por conta de uma festa na cidade, não se avisou da presença do predador e isso resultou na morte de pessoas.

“Aqui o Estado fez o mesmo, pois escondeu a contaminação do açaí por conta dos efeitos econômicos que a divulgação teria sobre a festa. Agora, todas as pessoas que participaram da Festa do Açaí estão sob risco. Qual será a ação da Sesacre para com estas pessoas”, questionou Sinhasique.

Heitor Júnior se diz assustado com açaí contaminado

O deputado Heitor Júnior disse que toda a produção da fruta na região de Feijó foi perdida nesta semana por falta de compradores e os exportadores estão perdendo contratos. O deputado se disse assustado com açaí contaminado e diz que Seaprof precisa agir. Para o parlamentar, é preciso também que a Sesacre tome alguma providência em relação às pessoas que estiveram em Feijó na época da festividade.

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Heitor se disse preocupado também com os efeito sociais e econômicos na cidade, pois somente na última semana, 150 famílias não puderam vender suas produções e ficaram sem renda por conta do clima de terror. Perguntado, o deputado foi taxativo: “Eu não estou mais tomando açaí”.

Fotomontagem (sobreposiçao) das duas páginas do documento enviado pela Sesacre ao deputado Heitor Júnior

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