Governo lança diretrizes para humanizar parto normal e reduzir intervençÔes

Por G1 09/03/2017 Ă s 11:24

O Governo federal lançou nesta quarta-feira (8) uma sĂ©rie de diretrizes para humanizar o parto normal e reduzir o nĂșmero de intervençÔes consideradas desnecessĂĄrias.

Segundo o MinistĂ©rio da SaĂșde, as diretrizes tĂȘm como objetivo permitir que a mulher tenha maior poder de decisĂŁo sobre como serĂĄ o nascimento do filho – leia mais abaixo a lista completa.

Governo lança diretrizes para humanizar parto normal e reduzir intervençÔes

O presidente Michel Temer (centro), acompanhado da primeira-dama, Marcela, e de ministros durante o lançamento das novas diretrizes para o parto humanizado (Foto: Beto Barata/PR)

As novas diretrizes, explicou o ministĂ©rio, sĂŁo baseadas em evidĂȘncias cientĂ­ficas coletadas por um grupo de especialistas, entre os quais obstetras, clĂ­nicos gerais, neonatologistas, anestesiologistas e enfermeiras, alĂ©m de integrantes de entidades da ĂĄrea da saĂșde.

O lançamento das diretrizes aconteceu em cerimÎnia no Palåcio do Planalto, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher.

Entre os presentes Ă  cerimĂŽnia estavam o presidente Michel Temer, a primeira-dama, Marcela Temer, e os ministros Ricardo Barros (SaĂșde) e Luislinda Valois (Direitos Humanos).

O que preveem as diretrizes
Boa parte das medidas anunciadas jĂĄ existiam como recomendação do ministĂ©rio, mas agora, reunidas como diretrizes, serĂŁo publicadas no “DiĂĄrio Oficial” e passarĂŁo a ser de cumprimento obrigatĂłrio pelas unidades de saĂșde, ou seja, a gestante pode questionar caso nĂŁo sejam aplicadas.

Outra novidade das diretrizes, segundo a assessoria do ministério, é que as gestantes passarão a ter um plano de parto, com o qual saberão desde o começo do atendimento pré-natal onde farão o parto e como serå o procedimento. Assim, terão a oportunidade de conhecer a maternidade e se preparar adequadamente. O ministério espera que esse atendimento estimule os nascimentos por parto normal.

Leia abaixo o que as novas diretrizes preveem como medidas que deverĂŁo ser incorporadas pelas maternidades:
Permitir à mulher a posição que ela preferir durante o parto, visando o conforto;

  • Presença de doulas e de acompanhante;
  • Dieta livre, com o fim do jejum obrigatĂłrio;
  • MĂ©todos de alĂ­vio para a dor, como massagens, banhos quentes e imersĂŁo na ĂĄgua;
  • Direito Ă  anestesia e Ă  reaplicação dela;
  • Contato pele-a-pele da criança com a mĂŁe imediatamente apĂłs o parto;
  • Direito Ă  privacidade da gestante e da famĂ­lia;
  • EstĂ­mulo Ă  amamentação.

Métodos a serem evitados
De acordo com o governo, outro objetivo da polĂ­tica Ă© reduzir os “altos Ă­ndices” de intervençÔes consideradas desnecessĂĄrias, entre as quais cesarianas e episiotomias.

Na avaliação do MinistĂ©rio da SaĂșde, esses procedimentos nĂŁo levam em consideração os aspectos emocionais e culturais das mĂŁes e podem colocar a vida da gestante e do bebĂȘ em risco.

Saiba abaixo os procedimentos que, segundo as novas diretrizes, devem ser evitados, quando possĂ­vel:

  • Episiotomia (corte no perĂ­neo);
  • Uso do hormĂŽnio ocitocina para acelerar a saĂ­da do bebĂȘ;
  • Cesariana;
  • Aspiração do nariz e da faringe do recĂ©m-nascido;
  • TĂ©cnica conhecida como “manobra de Kristeller”, quando se pressiona o Ăștero da mulher para ajudar a explulsĂŁo da criança;
  • Uso do fĂłrceps;
  • Lavagem intestinal antes do parto;
  • Raspagem dos pelos pubianos;
  • Rompimento da bolsa;
  • Corte precoce do cordĂŁo umbilical (os mĂ©dicos deverĂŁo esperar de 1 a 5 minutos ou atĂ© cessar a pulsação).

Acesso ao DIU
O governo federal tambĂ©m informou que vai ampliar o acesso das mulheres ao Dispositivo Intrauterino de Cobre (DIU), mĂ©todo contraceptivo disponĂ­vel nas unidades bĂĄsicas de saĂșde, mas que agora passarĂĄ a ser oferecido para mulheres apĂłs o parto e apĂłs abortos.

As maternidades, segundo o MinistĂ©rio da SaĂșde, terĂŁo 180 dias para se adaptar Ă s medidas.

“Antes o procedimento era feito separadamente. A mulher, feito o parto, em outro momento ela poderia solicitar a implantação do DIU. Agora nĂłs estamos autorizando que no mesmo procedimento [de parto e aborto], quando a mulher jĂĄ estĂĄ sendo atendida, ela possa aproveitar esse atendimento e implementar o mĂ©todo contraceptivo”, explicou o ministro da SaĂșde, Alexandre Barros.

Ligue 180
No evento desta quarta, o governo tambĂ©m informou que o Ligue 180 passarĂĄ a receber denĂșncias de violĂȘncia obstĂ©trica. O programa foi criado em 2005, no governo do entĂŁo presidente Luiz InĂĄcio Lula da Silva para orientar mulheres sobre direitos e serviços pĂșblicos.

Em 2014, no governo da entĂŁo presidente Dilma Rousseff, o Ligue 180 tambĂ©m passou a ser disque-denĂșncia, com capacidade de envio de denĂșncias para as secretarias de Segurança PĂșblica estaduais e para os ministĂ©rios pĂșblicos locais.

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