
Isael Janderson, de apenas 17 anos, sofre de epilepsia/Foto: arquivo pessoal.
O jovem Isael Janderson, de apenas 17 anos, está amarrado há mais de 30 dias em uma enfermaria no Hospital do Juruá, em Cruzeiro do Sul, aguardando pela liberação de Tratamento Fora de DomicĂlio (TFD). Ele sofre de epilepsia refratária e tem cerca de 40 convulsões por dia. Segundo JosĂ© Jandecy, pai de Isael, o pedido de TFD foi negado pela Secretaria Estadual de SaĂşde (Sesacre).
Sem um mĂ©dico especializado, Isael passa a maior parte do tempo dopado, a famĂlia teme que ele nĂŁo resista Ă s convulsões intensas. “Meu filho está sofrendo alĂ©m do suportável e ninguĂ©m do governo toma providĂŞncias”, disse Jandecy.
Jandecy afirma que, como nĂŁo existe em Cruzeiro do Sul um neurologista – especialista para o caso – o tratamento do seu filho nĂŁo avança. A epilepsia refratária Ă© de difĂcil controle, segundo estudo, embora as crises sejam originais de um lado do cĂ©rebro, neste caso, comprometem a memĂłria verbal e nĂŁo verbal das pessoas.
“Eles querem que um médico lá em Rio Branco, sem realizar nenhum tipo de exame, faça o diagnóstico e receite remédios para meu filho, ocorre que ele ultimamente não reage mais a nenhum medicação, tem uma convulsão atrás da outra, piora a cada dia”, acrescentou o pai.
HistĂłrico
Isael passou a apresentar os sintomas de epilepsia há dois anos, foi encontrado desmaiado quando estava Ă caminho da escola. Desde entĂŁo, a famĂlia começou a busca pelo tratamento. “Foram 12 viagens que já fizemos para Rio Branco, duas delas de aviĂŁo fretado”, declarou Jandecy.
Nos últimos 30 dias o pai gasta com três pessoas que fazem revezamento para ficar ao lado de Isael na enfermaria do Hospital. O filho, quando tem convulsão, corre o risco de sair correndo e quebrando tudo que ver pela frente. “Por isso ele foi amarrado, mas é uma situação insuportável, deve existir outro tratamento que evite isso!”, exclama o pai.
Diante do quadro clĂnico que se encontra o filho atualmente, nenhuma empresa de aviação particular se habilitou para levar Isael atĂ© Rio Branco. “Pensei em ir pela estrada, mas nĂŁo há condições, dependemos da boa vontade do secretário de SaĂşde do estado”, apelou Jandecy.
Sem apoio das autoridades da Saúde em Cruzeiro do Sul, o pai de Isael procurou na tarde de desta quinta-feira (20) o Ministério Público Estadual (MPAC) para pedir ajuda antes que seja tarde demais. “O assessor do promotor me garantiu que o caso será apurado com urgência”, concluiu Jandecy.
O OUTRO LADO
A reportagem tentou entrar em contato com a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Saúde, mas já estava fora do horário de expediente. Na manhã desta sexta-feira (21), feriado nacional, ninguém atendeu às ligações feitas pela redação.

