Como escolher um bom antivĂ­rus?

Por TECHTUDO 14/06/2017

Ter um antivírus de qualidade instalado no computador, seja pago ou gratuito, é fundamental para evitar que malwares infectem a máquina e operem uma série de golpes que quase sempre causam prejuízo financeiro. Os vírus podem capturar dados bancários, bloquear arquivos ou mesmo transformar a máquina em zumbi, realizando operações remotas. Recentes casos como o ataque ransomware em escala global WannaCry aumentaram a preocupação dos usuários de Windows — principal alvo de hackers — que buscam softwares de segurança. Separamos nove dicas decisivas na hora de escolher um bom antivírus.

Conversamos com Thiago Marques, pesquisador da Kaspersky, e AloĂ­sio Marinho, engenheiro de Vendas da Trend Micro, duas empresas de antivĂ­rus, para reunir dicas importantes na hora de escolher um para o seu computador ou celular.

 

1) LaboratĂłrio no Brasil

Cultura local Ă© uma isca para atrair vĂ­timas. Temas tĂŁo brasileiros como FGTS, nas mĂŁos de analistas estrangeiros, podem passar despercebidos. Especialistas voltados para a regiĂŁo facilmente os detectam e colocam uma bandeira vermelha. O ideal Ă© que a empresa nĂŁo conte apenas com um escritĂłrio de vendas no paĂ­s, mas com um laboratĂłrio. “Ter uma pessoa que está dentro do paĂ­s ajuda a fazer esse trabalho de pesquisas por novas ameças de maneira mais fácil e rápida. Quando houve o desastre com a Chapecoense, sabĂ­amos que haveria uma avalanche de ataques relacionado a esse assunto”, diz Marques, da Kaspersky.

Marinho, da Trend Micro, lembra que a maioria das empresas de antivĂ­rus nĂŁo sĂŁo brasileiras. Cabe ao usuário buscas por aquelas com representatividade tĂ©cnica no Brasil. “Essas empresas mantĂŞm pesquisadores, responsáveis por descobrirem novos vĂ­rus e ameaças alĂ©m de novas formas de se protegerem, em qualquer paĂ­s que seja. O cibercrime assim como o crime tradicional conta com tĂ©cnicas locais, tornando difĂ­cil que alguĂ©m de fora, entenda de fato essas ameaças, afirma.

2) Pago ou Grátis?

Quase sempre antivírus grátis são o suficiente para PCs domésticos. Os pagos, porém, oferecem recursos específicos que atendem demandas de usuários exigentes como VPNs, modo compatível com jogos e outros recursos.

“Hoje, falando das proteções básicas, como scanner de arquivos e processos ou golpe de phishing, quase todas as soluções de antivĂ­rus grátis oferecem esse tipo de proteção. Para o usuário comum isso pode ser suficiente. O grande diferencial da versĂŁo paga sĂŁo os modos especĂ­ficos para ransomware, proxy malicioso, VPNs, carteira de senhas e etc. Vai mais do perfil do usuário e do tipo de uso do computador”, explica Marque. Servidores necessitam de outros tipos de cuidados.

3) Nome Confiável

Mais importante que o valor pago pela proteção, porém, é a confiabilidade. Escolha antivírus de empresas sempre ativas em pesquisas e por dentro de todos os assuntos de segurança, vazamentos e falhas exploradas por hackers.

“O usuário precisa escolher empresas que tenham nome no mercado, que vĂŞ sempre ativa em pesquisas e todos os assuntos de segurança. Tem atĂ© antivĂ­rus falsos que se passam por verdadeiros”, diz Marques. “É muito importante que seja realizada uma etapa de pesquisa. Pesquise sobre o fornecedor de antivĂ­rus e procure fĂłruns em que a empresa divulgue novidades e informações”, completa Marinho. Sendo assim, Ă© como fazer uma pesquisa pela compra de um carro, ou outro bem importante, a marca/fabricante vai definir parte do seu valor.

4) Software Falso

Faça uma pesquisa aprofundada e vá direto ao site do fabricante. Alguns antivĂ­rus falsos, com nomes e Ă­cones bem parecidos, tentam se aproveitar dos internautas mais leigos. “Avaliar a empresa por trás do software Ă© atĂ© mais importante do que saber se ele Ă© pago ou gratuito”, explica Marques. As falsas soluções sĂŁo perigosas.
Marinho aponta ainda que compartilhar suas dĂşvidas com a comunidade Ă© fundamental. “Sites como o virustotal.com podem tambĂ©m ajudar nesta tarefa. Se a empresa que vocĂŞ escolheu como fornecedora está á, isso Ă© um indicador positivo”, ensina. “AlĂ©m disso, o site conta com motores de antivĂ­rus. Caso, por exemplo, seja enviado um arquivo, várias empresas de antivĂ­rus irĂŁo fazer um teste de verificação para checar se Ă© malicioso ou nĂŁo”, completa. Sendo assim, as fabricantes que se oferecem a colocar motores nesses sites, estĂŁo compartilhando suas detecções e sua inteligĂŞncia com a comunidade de segurança, o que mostra a disponibilidade da empresa em colaborar com informações.

5) ReferĂŞncia de Institutos Terceiros

Sites de instituições como o av-test (www.av-test.org), av-comparatives (av-comparatives.org), entre outros, fazem a análise de softwares antivírus de vários fabricantes e dão um panorama do nível de proteção, performance e usabilidade.

“Existem relatĂłrios mais complexos, em que se tem acesso Ă s informações sobre desempenho, quantidade de detecção, tipos de vacinas e etc. Verificar se a empresa escolhida está bem posicionada nos resultados e relatĂłrios Ă© um parâmetro importante a ser observado no momento da escolha”, avalia Marinho.

6) Tudo Atualizado

Ameaças evoluem todos os dias. Para manter-se protegido, Ă© necessário atualizar o antivĂ­rus para novos malwares. NĂŁo adianta lutar contra o vĂ­rus de hoje com armas do passado. As ameaças evoluem paralelamente Ă s ferramentas de segurança, agindo de novas formas. “O ransomware, atĂ© pouco tempo, nĂŁo era muito popular. O boom foi recente. É necessário atualizar o antivĂ­rus para que ele possa detectar novos tipos de ameaças”, aponta Marques. Por isso, Ă© importante, por exemplo, renovar licenças do anti-malware e suas vacinas periodicamente.

7) Sistema Operacional

AlĂ©m de atualizar o antivĂ­rus, para que a camada de proteção opere em segurança, Ă© importante que o sistema operacional da máquina tambĂ©m esteja 100% atualizado contra falhas e bugs com os patches oferecidos. “Muita gente usa sistema operacional pirata, totalmente desatualizado. Nessa condição, se ativar a atualização, vai perder a ativação [do sistema operacional] que foi feita”, conta Marques. Com isso, nĂŁo há antivĂ­rus que opere bem em máquinas obsoletas.
“A responsabilidade do usuário Ă© alta. O antivĂ­rus está ali para ajudar e detectar anomalias e acontece muitas vezes que as pessoas incluem cĂłdigos maliciosos na “whitelist”. Se o usuário decide executar algo que o antivĂ­rus marcou como malicioso, nĂŁo há solução”, completa. Cracks de jogos e softwares sĂŁo um risco.

8) Adeus, Pirataria

Recorrer a chaves de ativação falsificadas está fora de cogitação. Muitas dessas falsas ofertas sĂŁo golpes. Opte, entĂŁo, por uma versĂŁo gratuita e segura. Alguns blogs e sites ensinam como “crackear” e piratear os antivĂ­rus pagos, muitos deles fornecendo ferramentas que podem colocar o seu computador em risco. “Se for para utilizar um antivĂ­rus pago dessa forma, Ă© melhor optar por um gratuito, ainda que mais limitado”, diz Marques.

É preciso que o brasileiro tenha a cultura de manter tudo atualizado e legalizado. “NĂŁo utilizar software pirata, CDs vendidos na rua, por exemplo, em camelĂ´s, falta que o usuário tenha um comportamento mais seguro realmente”, encerra.

9) AntivĂ­rus para celular

E, se quando falamos sobre antivírus, a primeira coisa que vem à cabeça são os computadores tradicionais, como desktops e laptops, vale lembrar que smartphones e tablets — principalmente com Android — também estão na mira dos hackers. Neglicencia-los pode torna-los um vetor de vírus na sua rotina.

“Proteger os dispositivos mĂłveis tornou-se tambĂ©m prioritário. Atualmente, os usuários estĂŁo renunciando cada vez mais seus desktops e laptops, utilizando os dispositivos mĂłveis para as tarefas. Por isso, existe a necessidade de que o software escolhido possa ser implantado tambĂ©m em celulares”, finaliza Marinho.

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