
A revista “Época” revelou que Dilma teve auxĂlio de servidores para obter o benefĂcio social sem entrar na fila dos aposentados/Foto: reprodução.
Uma sindicância aberta pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) concluiu que a ex-presidente Dilma Rousseff usou a influência de servidores de carreira do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para agilizar sua aposentaria pela Previdência Social sem agendamento.
A informação foi publicada neste fim de semana pela revista “Veja” e confirmada pela TV Globo.
No ano passado, reportagem da revista “Época” revelou que Dilma teve auxĂlio de servidores para obter o benefĂcio social sem entrar na fila dos aposentados. ApĂłs a publicação do texto, o MDS decidiu abrir uma sindicância para apurar o caso.
Na investigação interna, ficou constatado, segundo a “Veja”, que, alĂ©m de ter furado a fila do INSS, Dilma conseguiu se aposentar no ano passado sem toda a documentação necessária.
Em nota, a assessoria da ex-presidente criticou a reportagem e afirmou que a aposentadoria “segue os rigores da lei” (leia a Ăntegra da nota ao final do texto).
Segundo a revista, no dia 1º de setembro – menos de 24 horas depois de Dilma ser afastada da Presidência por meio do impeachment – o ex-ministro da Previdência Carlos Gabas e uma secretária pessoal de Dilma foram atendidos em uma agência do INSS para formalizar a aposentadoria da petista.
De acordo com “Veja”, os dois entraram pela porta dos fundos da agĂŞncia, e foram atendidos pelo chefe do local. A reportagem afirma que, em dez minutos, o processo de aposentadoria de Dilma foi aberto no sistema e concluĂdo de forma sigilosa.
Para a sindicância do MDS, o ex-ministro atuou e utilizou de sua influĂŞncia no INSS, por ter sido ministro da PrevidĂŞncia, para agilizar a concessĂŁo do benefĂcio. Dilma se aposentou com o teto máximo pago pelo INSS, de R$ 5.189,00.
Além da atuação de Gabas, a investigação interna do MDS aponta que a servidora Fernanda Doerl utilizou, para calcular o tempo de serviço da ex-presidente, informações que Dilma não comprovou com documentos.
O ex-ministro Carlos Gabas declarou que vai entrar com uma ação contra a “Veja” e que considera haver perseguição polĂtica por parte do ministĂ©rio.
Gabas afirmou ainda que o processo administrativo nĂŁo comprovou qualquer irregularidade, que nĂŁo há questionamento quanto ao direito Ă aposentadoria de Dilma e que o benefĂcio nĂŁo foi cancelado. Por Ăşltimo, negou que tenha furado a fila do INSS.
Punições
Após a conclusão da sindicância, o ministro do Desenvolvimento Social, Osmar Terra, afastou do serviço público por dez dias o ex-ministro Carlos Gabas, que é servirdor de carreira do INSS e está cedido para o gabinete do senador Humberto Costa (PT-PE).
No perĂodo de afastamento, Gabas nĂŁo poderá trabalhar e terá o salário descontado.
Já a servidora Fernanda Doerl recebeu uma advertência do ministério por não ter atuado com “zelo”, “dedicação” e sem “observar as normas legais”.
Apesar de ter identificado a atuação irregular dos envolvidos no caso, a sindicância, segundo a reportagem, nĂŁo encontrou “intenção clara” em beneficiar Dilma.
AlĂ©m disso, o MDS cobra de Dilma a devolução de R$ 6.188,00, valor de um mĂŞs do benefĂcio corrigido pela inflação. Segundo a sindicância, a ex-presidente começou a receber um mĂŞs antes do que deveria – em agosto. A ex-presidente solicitou o benefĂcio no inĂcio de setembro.
Nota
Leia a Ăntegra da nota de Dilma Rousseff:
NOTA À IMPRENSA
Sobre a matéria de “Veja”
A propósito da matéria “Investigação confirma aposentadoria irregular de Dilma”, veiculada por Veja a partir de sexta-feira, 18, a Assessoria de Imprensa de Dilma Rousseff esclarece:
1. Veja volta a executar o velho Jornalismo de Guerra ao dar ares de escândalo à aposentadoria da presidenta eleita Dilma Rousseff. O escândalo está na perseguição que a revista promove e não na aposentadoria em si.
2. Depois de 36 anos, 10 meses e 21 dias de serviços prestados – comprovados documentalmente – aos 68 anos de idade, Dilma Rousseff se aposentou com vencimentos pouco acima de R$ 5 mil — o teto do INSS. Ela nada recebe como ex-presidenta da RepĂşblica ou anistiada polĂtica. O benefĂcio segue os rigores da lei. Tampouco se valeu de subterfĂşgios para o recebimento de valores indevidos ou excessivos, como ocorre com Michel Temer e ministros do governo golpista.
3. Afastada da PresidĂŞncia pelo golpe construĂdo a partir do impeachment fraudulento, Dilma Rousseff recebeu em agosto de 2016 seu primeiro benefĂcio como aposentada.
4. Inicialmente, o governo golpista se recusara a reconhecer o tempo de serviço dela, com base nos efeitos da anistia. É que, alĂ©m de ter sido encarcerada pela ditadura no inĂcio de 1970, Dilma Rousseff foi obrigada, a partir de 1977, a se afastar de seu trabalho, na Fundação de Economia e EstatĂstica, por integrar a chamada lista do General Frota. SĂł no final dos anos 1980, foi anistiada.
5. Por isso, Dilma Rousseff pleiteou para a sua aposentadoria o reconhecimento pelo INSS do perĂodo de anistia de aproximadamente dez anos. O governo golpista negou-lhe os efeitos da anistia com o evidente objetivo de prejudicá-la. Alegou que tentava fraudar a previdĂŞncia, procurando se aposentar antes da hora. A ação foi frustrada porque Dilma Rousseff havia trabalhado por todo esse perĂodo e podia facilmente comprová-lo. Como o fez.
6. Na sequĂŞncia, o INSS apontou que uma anotação equivocada por parte de uma funcionária — sem interferĂŞncia da presidenta eleita —, ensejou a concessĂŁo do benefĂcio em agosto e nĂŁo em setembro, como seria o correto. A prĂłpria autarquia avaliou, no entanto, que nĂŁo houve má-fĂ© por parte da servidora.
7. A defesa da presidenta eleita — a cargo dos advogados Bruno Espiñera Lemos e Victor Minervino Quintiere — deixou claro que nĂŁo era possĂvel exigir de Dilma Rousseff que soubesse tratar-se de equĂvoco por parte do sistema do INSS. Isso porque o procedimento passou pelos devidos trâmites regimentais.
8. Dilma Rousseff está recorrendo da devolução. A jurisprudĂŞncia dos tribunais superiores considera incabĂvel a cobrança pelo erário dos valores recebidos de boa-fĂ©. Ela vĂŞ na atitude do governo golpista uma clara tentativa de prejudicar funcionários de carreira criando uma “falsa denĂşncia” para punição abusiva.
9. A sindicância mencionada por Veja reforça a tese da defesa da ex-presidente de que não houve “intenção clara dos investigados em beneficiar Dilma Rousseff”.
10. Veja dá cores de denĂşncia ao que Ă© sanha de um governo usurpador, tomado pelo objetivo de perseguição polĂtica e de diversionismo dos escândalos de corrupção do grupo no poder. Devia era explicar as aposentadorias precoces do presidente ilegĂtimo e de seus associados.
11. A revista tambĂ©m nĂŁo cumpre a exigĂŞncia fundamental do jornalismo isento, ao deixar de procurar a defesa da ex-presidente ou sua assessoria de imprensa. NĂŁo há desculpas ou explicações que justifiquem a parcialidade e o proselitismo polĂtico da revista.
12. Esse Ă© o retrato dos nossos tempos, em que a democracia se mantĂ©m sufocada pelos interesses inconfessáveis de uma elite insensĂvel ao bem-estar da população e ao respeito dos direitos democráticos, como a liberdade de imprensa.
ASSESSORIA DE IMPRENSA DILMA ROUSSEFF

